Histórico
Futebol Pernambucano
Do nada para o nada
postado em 12 de janeiro de 2014


Felipe Azevedo (camisa 22) marcou o gol do Leão. Fotos: Guga Matos/JC Imagem


CLAUDEMIR GOMES

 

Uma das coisas mais patéticas do futebol é o tal do preencher tempo. Fomos convocados para comentar, para a Rádio Clube, o amistoso - Sport 1x1 Confiança - na tarde do sábado, na Ilha do Retiro. O confronto foi uma invenção do Departamento de Marketing, e em princípio foi reprovado pelo técnico Geninho, mas que teve de se curvar porque se tratava de um acordo com o Esporte Interativo, um canal de TV por assinatura.

Sabíamos que se tratava de um jogo que não servia para nada, e não levaria o trabalho que se inicia nos clubes a lugar algum. Mas logo que cheguei a Ilha do Retiro me deparei com um "cronista esportivo" defendendo o amistoso. Seus argumentos feriam todos os princípios: técnicos, científicos e, principalmente o bom senso. Mas este tipo de profissional prolifera como uma imposição da nova ordem.

O roteiro dos absurdos seguiu quando alguns repórteres insistiram, durante a coletiva de imprensa, para o técnico Geninho analisar a atuação do grupo e dos jogadores individualmente. Experiente, o técnico leonino se saiu bem pela tangente. Afinal, o que se pode avaliar numa partida de futebol onde o conceito básico da modalidade foi ferido: o coletivo. Futebol é um esporte coletivo e num jogo onde são feitas 15 substituições tudo fica comprometido. Até mesmo a entrevista coletiva dada pelo treinador.

O fato que mais me chamou a atenção foi a gratuidade. Num jogo onde foi registrada a presença de 3700 pessoas, pouco mais de 700 entraram sem pagar ingresso. É um festival de carteirada.

E nas arquibancadas o registro de outro absurdo: o técnico Lisca, do Náutico, foi assistir ao amistoso acompanhado de dois auxiliares. Procurou se esconder por trás de um chapéu e um óculos escuro, mas foi descoberto por um torcedor que o expulsou do estádio. O treinador alvirrubro acatou a "ordem" de tal autoridade. Isto é intolerância, tira o direito de ir e vir do cidadão. Enfim, o script do primeiro jogo do ano na Capital Pernambucana foi uma lástima.

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Artigos
O Bordel
postado em 09 de janeiro de 2014

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Enquanto não mudarmos os processos eleitorais das Confederações e Federações esportivas brasileiras, iremos continuar nas mesmices de sempre, em que o poder dominante nunca abrirá mão, desde que as benesses são grandes, e o custo benefício de um mandato é incomensurável.

A Federação Paulista de Futebol, cujo presidente atual é o famoso Marco Polo Del Nero, bem conhecido dos brasileiros, e também candidato ao comando do Circo do Futebol Brasileiro (CBF), resolveu inovar e nas caladas da noite antecipou a eleição de sua entidade, que seria em abril, para o dia 20 de janeiro, impossibilitando assim qualquer sentimento de oposição.

Vivemos na era da esculhambação geral, com Estatutos das entidades que permitem de tudo, inclusive golpes como esses, pois também são feitos de forma a contemplarem a continuidade dos donos do poder, e de seus seguidores.

Como acreditar em um esporte cujos dirigentes agem de forma estranha, com procedimentos assim?

A autonomia que foi dada pela Constituição de 1988 não é tão abrangente, pois um modus operandi como esse adotado pela entidade paulista é sem dúvidas sinônimo da anarquia e da falta de respeito.

Mas como o nosso governo não toma atitudes condizentes para melhorar a qualidade dos esportes brasileiros, certamente todos terão que conviver com o grande bordel  em que se transformou.

Aliás, Luiz Paulo Rozemberg tem razão quando afirmou em uma entrevista a uma revista norte-americana, que o seu clube Corinthians era um bordel, e como tem conhecimento de causa, certamente o alvinegro de São Paulo é uma resultante do que acontece no futebol nacional.

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Futebol Brasileiro
A pobreza do futebol de base no Brasil
postado em 07 de janeiro de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O ESTADO DE POBREZA DO FUTEBOL DE BASE NO BRASIL


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


A Copa São Paulo de Juniores era um grande celeiro do futebol nacional, mas foi sendo consumida pela politicagem, pelo lucro fácil e se transformou em um monstrengo como a atual, com 104 equipes, na sua grande maioria sem a mínima qualidade técnica.

Esta competição quando começou tinha os incentivos da Prefeitura de São Paulo, primava pela qualidade e com um menor número de clubes.

De repente, foi bater nas mãos da Federação Paulista, que a utiliza como massa de manobra política e financeira, inclusive com a participação de Prefeituras, que abrem as suas portas por outros interesses e não os esportivos.

Estamos assistindo a alguns jogos desse evento, e ficamos convictos que o momento em que atravessa o futebol profissional do Brasil, está sendo repercutido pelo atual trabalho de base, com jogos sem qualidade, com raridade de talentos e sobretudo com uma desproporcionalidade entre os clubes menores e os maiores no papel do futebol nacional.

Quantidade não é qualidade, e inchar uma competição foi algo que vai além do grotesco. Além do lado esportivo, da revelação de talentos, tinha ainda um cunho social da maior relevância.

Os cartolas brasileiros não se emendam, e o futebol de formação foi deixado de lado, para ter apenas um único sentido, o do lucro mais fácil com algum talento revelado.

O trabalho de base, na maioria dos clubes de nosso país, está entregue nas mãos de empresários, que utilizam os clubes para colocarem as suas mercadorias, que é a forma como são tratados os jovens atletas.

A Copa São Paulo transformou-se em um amontoado de times ruins, muitos barrigas de aluguel para empresários, que juntam alguns jogadores e colocam um ou dois com maior destaque para que possam negociá-los com os possíveis compradores.

Os times do Norte e Nordeste em sua quase total maioria são trucidados com goleadas acachapantes, desde que ainda vivem no romantismo, com a percepção equivocada dos dirigentes, e muitos são locados a terceiros, e que chegam à competição com um sonho na cabeça de seus atletas, de que poderão ser os craques do futuro, e no final saem com grandes frustações.

A Copa São Paulo de Futebol Júnior sem dúvidas foi um marco na história do futebol brasileiro, revelou grandes talentos, inclusive Neymar, mas isso não pode servir de pano de fundo para que esses fatos continuem a acontecer.

O futebol brasileiro com o comando que tem dificilmente sairá do fundo do poço onde se encontra, e uma competição como essa que foi da maior valia para o seu futuro, é o retrato de que o seu apequenamento vem das bases, que são mal planejadas.

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Acontece
Morre o radialista Mané Queiroz
postado em 05 de janeiro de 2014


Mané Queiroz espalhava alegria por onde passava. Seu corpo será velado na sede da FPF, na Boa Vista, e o enterro às 17h, no Parque das Flores


Blog do Torcedeor


Aos 66 anos, Mané Queiroz deixou de sorrir. Durante toda a sua vida, ele foi o radialista mais feliz que já conhecemos. Não existia tempo ruim com ele. Estava sempre disposto a ajudar, a conversar, contar histórias. No refeitório do Sistema Jornal do Commercio, era um dos primeiros a chegar para a refeição diária. E o último a sair. Conversava com todo mundo. Dava altas gargalhadas. Chamava todas as pessoas do Sistema, dos mais variados setores da empresa, pelo nome.  Uma demonstração de intimidade, carinho, respeito.

Ninguém precisava de mais de um minuto para se sentir amigo de Mané. Sem dúvida, a figura mais carismática da crônica esportiva pernambucana. Mais querida. E que não vai mais conviver conosco e nem com os ouvintes que tanto o admiravam. Infelizmente, o coração de Manoel Marciano de Queiroz deixou de bater às 23h30, do sábado, por volta das 23h30.  O plantão sabe-tudo da Rádio Jornal vai deixar na memória de todos a sua alegria espontânea, a sua ternura, sua simplicidade. A saudade já enorme.

O drama de Mané Queiroz começou no dia 21 de dezembro quando foi atingido por uma moto na rua 31 de maio, região central do município, por volta das 18 horas. Ele fraturou o punho esquerdo e dois pontos da perna direita, o fêmur e a tíbia. Mané foi levado para a UTI do Hospital Prontolinda, inicialmente para maiores cuidados. Mas, após um dia, começou a demonstrar impaciência, por isso, os médicos acharam melhor deixá-lo sedado para ter uma recuperação mais tranquila.

A equipe médica e a familia demonstravam confiança. "Ele está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) apenas por precaução, por conta da cirurgia de amanhã. Mesmo com tudo o que passou ele já está conversando, brincando e reclamando como sempre. Logo logo ele deve voltar a trabalhar", chegou a comentar a filha Rafaela Queiroz, que estava com o pai no momento do acidente.

Mas, infelizmente, os dias seguintes não trouxeram boas noticias. A cada dia, o quadro se agravava. O comunicador apresentou insuficiência renal, uma reação a um quadro de infecção e baixa da pressão arterial, que impedipedia a realização de hemodiálise. O quadro foi se agravando e o coração de Manoel Marciano de  Queiroz deixou de bater às...

Não há como mensurar a lacuna que passou a existir na crônica esportiva pernambucana após o falecimento de Mané Queiroz. Um profissional querido por todos e que gostava de polemizar os fatos esportivos com o torcedor, que participava sempre, por telefone, do noticiário após as partidas. Já estava sendo dificil conviver com sua ausência nos últimos dias. Agora, a dor fica ainda maior.

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Artigos
Copa atrasada
postado em 04 de janeiro de 2014

EDITORIAL FOLHA DE SÃO PAULO


Ano novo, problemas velhos: seis dos 12 estádios planejados para a Copa do Mundo romperam 2014 inconclusos, em desrespeito aos prazos estabelecidos. O acordo entre a Fifa e o governo brasileiro previa a entrega de todas as arenas até o final de 2013.

Não foi o aconteceu. Em Manaus, Natal, Curitiba, Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo os trabalhos continuam. No Rio Grande do Norte, o governo organizou uma cerimônia patética, comum no Brasil: a inauguração de obra por acabar.

Autoridades brindaram, mas o estádio ainda espera a instalação de 11 mil assentos. A expectativa é que todos os palcos estejam prontos em abril, pouco antes da competição, que começa em junho.

Os atrasos certamente prejudicam a imagem do Brasil, que passa ao mundo atestado de incompetência e impontualidade.

Não é esse, porém, o único problema. Os adiamentos de obras são em geral acompanhados de acréscimos de custos, que representam direta ou indiretamente ônus para os contribuintes. Não raro tais protelamentos propiciam oportunidades para desvios de recursos.

Tornou-se difusa a sensação de que o país, diante de suas carências, despende em demasia na organização da Copa. O tema esteve presente em protestos de rua, em 2013, e a Fifa entrou em cena como grande vilã, por exigências supostamente exageradas e supérfluas.

Porém, não é demais lembrar que o governo brasileiro não só acatou os pedidos da entidade máxima do futebol como também contribuiu para expandir despesas.

A decisão, inédita na história das Copas, de designar 12 cidades-sedes atendeu apenas a interesses políticos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado é a construção de "elefantes brancos", que ficarão como verdadeiros monumentos ao desperdício.

É difícil imaginar que destino cidades sem expressão futebolística, como Cuiabá e Manaus, darão a seus estádios. Estima-se, por exemplo, que a arena no Amazonas, orçada em R$ 600 milhões, poderá custar cerca de R$ 500 mil por mês em manutenção --dinheiro que sairá do bolso da população.

Não há dúvida de que o Brasil chegou a um patamar de desenvolvimento que comporta --ou até exige-- sua inserção no circuito mundial de grandes eventos.

Promover uma Copa e uma Olimpíada pode oferecer situações vantajosas. Para aproveitá-las a contento, no entanto, é preciso que o país demonstre mais seriedade e zelo pelo dinheiro público.

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