JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
No próximo domingo, o futebol brasileiro fecha as
suas cortinas no panorama interno, já que Ponte Preta e Atlético-MG ainda têm
seus jogos pelas competições internacionais.
Final de temporada e nada mudou. Pelo contrário, piorou, e com a gravidade da passividade dos envolvidos, muito embora os atletas profissionais pela primeira vez levantaram as suas vozes solicitando mudanças, um fato inédito de um esporte que é dirigido por um sistema ditatorial, onde a democracia anda nos bolsos de alguns personagens.
Continuamos com regiões que ainda impera o semi-profissionalismo, desde que as condições ofertadas não atendem o mÃnimo das necessidades inerentes ao esporte.
A falta de objetivo de alguns clubes é bem latente, quando a sua maioria continuou a viver de apenas uma competição, o estadual, e depois da colheita, como as usinas de açúcar, só voltam a moer na próxima safra.
Todos sabem que o calendário esportivo é criminoso para as menores agremiações, e pouco se importam pois têm a garantia de funcionamento durante o ano, e com bons recursos distribuidos pela Televisão.
Temos repetido várias vezes que o Brasil é um paÃs continental, e os seus fundamentos esportivos não podem apenas se pontuar pelo futebol europeu, e cada região tem que ser analisada devidamente, com projetos próprios, para que possam produzir alternativas para as suas recuperações.
O Norte é o maior exemplo, com o Pará e o Amazonas, incluindo ainda pela geografia imbediota da CB, o Maranhão e PiauÃ. São estados com tradição, demanda e que foram destruÃdos pelo sistema autofágico implantado no futebol brasileiro.
O paÃs precisa de um grande projeto para esse esporte, a fim de que tenha de volta a sua grandiosidade, e o ponto de partida seria o do atendimento ao trabalho de formação, com incentivos para que os recursos pudessem chegar em maior intensidade para esse segmento.
Não adianta os lamentos e choros que sempre acontecem no final de temporada, esquecidos na próxima, e tudo continua como dantes, com clubes com volumosos recursos, muitas vezes mal aplicados, outros com migalhas e a maioria fechado na espera de um outro ano.
Não existe a necessidade de ter genialidade para verificar que é impossÃvel a sobrevivência do futebol brasileiro, quando times passam 70% da temporada hibernando, desde que participam do movimento dos ¨Sem Calendário¨, e certamente isso reduz a produção de talentos e da renovação do esporte.
Não existe a menor condição de que esse sistema feudal continue implantado no esporte nacional, onde a maioria brinca de fazer futebol, apenas para divertimento de 100 dias, com a ilusão de que está fazendo algo produtivo.
Sonhar é permitido, mas se iludir com o sonho é um devaneio.
O Brasil precisa muito mais do que temos.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







