Artigo
escrito por Fernando
Ferreira, sócio-diretor
da Pluri Consultoria.
Terminou o campeonato Brasileiro, e os balanços
de vitoriosos e derrotados estão por todos os lados. A casualidade, como sempre,
cumpriu o seu papel e fez com que alguns clubes maus geridos escapassem, por
ora, do acerto de contas com a tabela, enquanto outros, mesmo trabalhando de
forma mais eficiente, não conseguiram a vitória que responda aos desejos
insaciáveis dos torcedores.
Afinal, só há um vencedor por campeonato.
Gerir um clube de futebol é uma das mais complicadas e ingratas atividades existentes. Nenhuma operação é submetida ao escrutÃnio público de forma tão explÃcita e com periodicidade online. Poucas atividades são tão defendidas por seus aficionados, mas tão sabotadas pelos adversários. E mesmo fazendo tudo certo, nada garante que as conquistas virão. Imagine, então, trabalhando com amadorismo e incompetência.
Conciliar os desejos, muitas vezes contraditórios, de torcedores, conselheiros e imprensa é para poucos. A maioria dos dirigentes tenta, e o resultado é trágico, poucos são bem sucedidos.
Um clube mau gerido até consegue um tÃtulo aqui, outro ali, brilhando como um vagalume. Mas não conheço nenhum com gestão ruim que seja sempre competitivo. Ou seja, gerir bem um clube aumenta a probabilidade de ser campeão, mas não garante nada. Mas é certamente melhor do que a alternativa de ser um clube mau gerido, onde a derrota e o sofrimento do torcedor são quase permanentes.
Geralmente a polÃtica e a busca pelo poder são o pano de fundo deste quadro.
O ciclo vicioso de um clube em crise começa com uma gestão não empresarial e amadora, sem responsabilidade orçamentária e ambiente politico conturbado.
Dai em diante esse começa a girar, quando a má gestão desequilibra as finanças, passa para uma outra etapa, quando não existem condições de investimentos, e os gestores continuam endividando o clube para montar equipes competitivas.
Na continuidade, a situação financeira fica insustentável (penhoras, atrasos, etc), levando a necessidade de novos gestores para o saneamento dos problemas, que precisa de um processo duro, reduzindo a capacidade de investimentos no futebol.
O ciclo vicioso continua, desde que com a falta de investimentos os resultados são afetados, e aparece o risco de rebaixamento.
O saneamento vem, mas a pressão polÃtica e dos torcedores abre espaço para a volta de gestores menos responsáveis e sem preparo.
Na verdade, quando um clube entra nesse ciclo encontra muitas dificuldades para sair, e os amigos visitantes poderão compará-lo com a situação de muitas agremiações brasileiras, inclusive as nossas.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








