JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Nunca tivemos um final de ano tão morno com
relação ao mercado da bola.
O euforismo alienado dos dois últimos anos terminou esbarrando com uma realidade no final de 2013. Os clubes inviabilizaram os seus orçamentos, inclusive com folhas salariais infladas, com jogadores e treinadores ganhando R$ 600 mil, R$ 700 mil, fora dos padrões brasileiros, e acabaram esvaziando os seus cofres, sem condições de grandes saltos.
Este é o maior exemplo do amadorismo que comanda os nossos esportes. Os recursos cresceram, mas as suas aplicações foram desordenadas, e muitas vezes jogadas fora sem retorno dos investimentos.
Duvidamos que o dirigente do nosso futebol paguem salários europeus aos funcionários de suas empresas, como fazem nos clubes. Torrar um dinheiro que não é seu é muito fácil.
Como resultado os balanços que começam a ser delineados, já dão sinais de altos prejuÃzos, numa demonstração de que gastaram mais do que arrecadaram. Os cartolas cometeram um equÃvoco que é imperdoável na economia, fizeram investimentos pensando em receitas futuras, e como essas não chegaram, a crise instaurou-se em alguns clubes mal planejados.
Exemplos temos muitos, e certamente a listagem seria extensa, mas o Vasco da Gama pode ser a referência para uma boa análise, e a sua situação atual está escancarada.
Por conta disso, algumas agremiações no final do ano começaram a mudar a maneira como estavam sendo administradas. Os treinadores de contratos milionários estão sendo substituÃdos por novos, com salários dentro de um padrão que possa ser atendido pelos seus orçamentos.
O mercado da bola está bem devagar. Os clubes não conseguem contratar, com raras exceções, e quando os fazem, são jogadores com direitos federativos livres, e que chegam apenas pelos seus salários, ou através de investidores, tornando-se barrigas de aluguel.
Um fato que deveria ser observado pelos dirigentes do futebol, na formatação de seus elencos, e para os compromissos que serão assumidos, é que o paÃs irá crescer menos que 2013, que já foi pÃfio, e todas as previsões apontam para um PIB menor de que 2%.
Tudo aponta para isso, e o futebol ainda será mais afetado, desde que os recursos serão desviados para a Copa do Mundo, principalmente os dos patrocinadores.
O momento de aventuras desapareceu, e se desejam sobreviver, os nossos clubes terão que se adaptar a essa realidade, e sobretudo que possam contar com profissionais que entendam de planejamento, para adequá-los a um novo mercado que se aproxima.
O dinheiro fácil acabou, e a aplicação do existente tem que ser procedida com racionalidade, para que não haja a repetição dessa temporada, onde a grande maioria dos clubes terminou com o pires nas mãos.
Nada melhor do que uma boa polÃtica de pés no chão, e um trabalho de base correto, sem empresários.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










