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Santa Cruz levou o jogo em Banho-Maria enquanto o Treze arriscou até o fim
CLAUDEMIR GOMES
O Santa Cruz foi a Campina
Grande classificado, levou o jogo com o Treze em Banho-Maria, pois nada lhe
ameaçava ficar de fora da próxima fase da Série C. O passaporte estava
carimbado. O Treze arriscou durante os 90 minutos, pois o único resultado que
lhe interessava era vitória, que aconteceu aos 45 minutos do segundo tempo.
O jogo no Presidente Vargas foi marcado pela pobreza técnica, e teve poucas emoções, pelo menos para o tricampeão pernambucano, cuja torcida estava livre da aflição de fazer contas com as combinações dos resultados. E nada tão verdadeiro na tarde do domingo que o clichê: "Jogo só termina quando acaba".
O gol de Giancarlo que garantiu a vitória - 1x0 - e a classificação do Treze foi marcado aos 45 minutos do segundo tempo. O CRB não classificou, mas sua vitória - 3x2 - sobre o Baraúnas foi conseguida aos 49 minutos do segundo tempo. O Luverdense foi absoluto na disputa de uma vaga com o Ãguia/PA, a quem venceu por 3x0, entretanto, o último gol foi marcado aos 44 minutos do tempo final.
As fortes emoções provocadas pela combinação dos resultados não ficaram restritas ao Treze de Campina Grande. O primeiro %u201Cdesastre%u201D ocorreu com o Brasiliense que disputava sua classificação com o Cuiabá. Jogando em casa, o time do Distrito Federal saiu na frente com um gol aos 14 minutos do primeiro tempo, mas cedeu o empate aos 33. O pior estava por vir: aos 31 minutos do segundo tempo o time da casa sofre o segundo gol. A derrota lhe levou ao rebaixamento para a Série D.
Com 31 pontos ganhos, o Fortaleza disputava uma vaga num confronto direto com o Sampaio Correia, que tinha 32. O time cearense abriu uma vantagem de 2x0, levando sua torcida à loucura. A vitória do Treze - 1x0 - sobre o Santa Cruz, deixou a torcida do tricolor cearense ainda mais eufórica, pois a combinação dos resultados colocava o time na liderança do grupo. Aos 47 minutos do segundo tempo o Sampaio Correia empata, resultado que lhe garantiu a classificação e derrubou o time cearense do primeiro para o quinto lugar na tabela de classificação.
Pelo sim, ou pelo não, todos aprenderam que jogo só termina quando acaba.
Os confrontos da próxima fase da Série C:
Santa Cruz/PE x Betim/MG
Luverdense/MT x Caxias/RS
Treze/PB x Vila Nova/GO
Sampaio Corrêa/MA x Macaé/RJ
CLAUDEMIR GOMES
Para o futebol de resultados, a vitória - 3x0 - do Sport sobre o Oeste, no estádio dos Amaros, em Itápolis, Interior Paulista, foi uma demonstração de força do rubro-negro pernambucano no momento em que começou a contagem regressiva para o final do Brasileiro da Série B. Para quem quer se aprofundar na história do jogo, o placar não traduz os fatos com fidelidade.
O Leão foi a campo com o seu uniforme branco, e deu banco nos comandados de Geninho, com exceção do goleiro Magrão, que fez jus ao apelido de "paredão", e com defesas milagrosas, assegurou um zero a zero no primeiro tempo. Resultado injusto a pressão exercida pelos donos da casa. Foram 45 minutos do pior futebol apresentado pelo Sport nesta edição da Série B.
O intervalo de dez minutos foi suficiente para Geninho passar a borracha e apagar aquilo que em nada condiz com um clube que busca o acesso a Série A. O técnico não fez mudanças de peças, apenas corrigiu o posicionamento da equipe em campo e exigiu que o time tivesse uma atitude.
A disciplina tática dos jogadores foi decisiva, assim como, a mudança de atitude. Naturalmente que o futebol apresentado não foi um primor, e esteve aquém de um time que está cotado a voltar à elite nacional. Mas foi o suficiente para dar uma demonstração de força, como exige o momento da competição.
Os alas, Patric e Marcelo Cordeiro, entraram no jogo, coisa que não fizeram durante todo o primeiro tempo, e os homens de ligação - Lucas Lima e Ailton - avançaram um pouco mais. A correção no posicionamento obrigou o Oeste a abandonar sua postura ofensiva, fez com que o Sport passasse a dividir a segunda bola no meio campo e aproveitasse mais os erros cometidos pelo adversário.
A mudança de atitude, se não chegou a ser da água pro vinho, mas provocou o efeito desejado. O primeiro gol de Marcos Aurélio foi produto de uma visão perfeita de Lucas Lima, que serviu ao companheiro para ele por fim a um jejum que já era motivo para cobranças da torcida, e com sua habilidade abriu o placar em alto estilo. O segundo foi produto de uma jogada que levou o lateral Patric a se redimir do péssimo primeiro tempo: ele tentou duas vezes até que Marcos Aurélio aproveitou para concluir emendando uma bola que havia esbarrado na trave. O terceiro, que deu à vitória o sabor de uma goleada, foi marcado por Marcelo Cordeiro, que também se redimiu da apatia que marcou sua atuação no primeiro tempo.
O Leão deixou o Recife para disputar seis pontos e retornou com três. Bom aproveitamento. Deu uma demonstração de força. Na terceira posição do G4, o Sport terá três confrontos diretos com clubes que também brigam pelo acesso - Chapecoense, Ceará e Paraná - sendo dois na condição de visitante. As outras seis partidas são com equipes diante das quais terá que fazer valer a sua força, tal como ocorreu ontem, no Interior Paulista.
RAFAEL REIS
- FOLHA DE SÃO PAULO
"Meu segredo se foi. Sou um homem livre".
Foi com essa mensagem que Robbie Rogers se tornou em 15 de fevereiro deste ano o primeiro jogador de futebol em atividade com passagem por uma seleção de certa relevância a assumir publicamente a homossexualidade.
A revelação veio junto com o anúncio da aposentadoria. Então com 25 anos, o norte-americano, recém-saÃdo do time inglês Leeds, acreditava que, ao sair do armário, não teria espaço no futebol.
Mas continua jogando. Contratado do Los Angeles Galaxy (equipe da principal liga dos EUA e que teve Beckham no elenco), o meia de 26 anos se tornou um sÃmbolo gay no esporte.
Embora seja alvo de ofensas em campo e fora dele, Rogers está otimista. Acredita que possa voltar à seleção dos EUA e disputar uma Copa.
E crê que possa mudar a forma como o mundo do futebol vê os homossexuais.
Folha - O futebol te aceitou melhor do que você esperava?
Robbie Rogers - Com certeza. Antes de assumir minha condição,
achava que as pessoas não me entenderiam. Tudo acabou sendo
consideravelmente melhor. à lógico que alguns sempre fazem piada. Mas a
maioria das pessoas está me apoiando.
Por que você decidiu voltar?
O futebol sempre esteve na minha vida e me ajudou desde criança. Não
importava se eu era gay ou não. Também percebi que, se eu voltasse,
poderia ajudar mudando a mentalidade do futebol. Eu poderia atingir os
jovens com minha experiência.
Tinha medo das reações?
Sim. Não era medo da minha famÃlia ou da opinião pública, mas de como esse ambiente muito conservador do futebol me trataria.
Qual era o seu maior medo?
Eu não queria que me olhassem de uma forma muito diferente. Tinha medo de que me tratassem com crueldade.
Sofre preconceito da torcida e dentro de campo?
Ãs vezes, acontece, mas tenho que estar preparado. Isso não vem das pessoas mais próximas, vem de quem é mais distante.
Como você lida com isso?
Não respondo a quem me ofende, mas odeio quando isso acontece, fico
bravo. Não posso fazer nada contra essas pessoas porque, se eu fizer,
elas vencem.
O que é mais importante para você hoje: servir como exemplo ou as aspirações comuns de um jogador de futebol?
à uma questão difÃcil. Ao mesmo tempo que minha carreira é o esporte,
sei que me tornei um sÃmbolo gay e que posso influenciar o mundo do
futebol. Ã duro conciliar essas duas coisas no cotidiano.
Você pensa na possibilidade de voltar à seleção norte-americana e até disputar uma Copa do Mundo?
Sim, ainda espero por isso. à um caminho difÃcil, mas possÃvel. Tudo o que eu posso fazer é me manter em forma e trabalhar.
Como você lidava com a sexualidade na juventude?
Eu simplesmente evitava, não falava com ninguém, apenas jogava futebol e
tentava não pensar a esse respeito. Eu usava o esporte para fingir que
não era gay.
O futebol então servia como um "escudo" para você?
Sim. Meus amigos costumavam dizer para as pessoas que desconfiavam que
eu era gay: ele joga futebol, é impossÃvel que ele seja gay.
Quando você acha que um jogador gay será visto de forma natural pela sociedade?
Espero que, se mais jogadores se assumirem, a condição sexual deles
deixará de ser considerada uma questão relevante. Mas ainda vai demorar
alguns anos. Os jovens precisam de exemplos.
Acredita que um jogador assumidamente gay possa, algum dia, se tornar um Ãdolo ou mesmo ganhar o prêmio de melhor do mundo?
Sim. Quando mais jogadores passarem a revelar que são gays, isso vai se tornar mais e mais fácil.
JOSÃ JOAQUIM pINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Finalmente após longos 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, a presidente
Dilma Rousseff sancionou na última quinta-feira a lei que regulamenta a
profissão de árbitro de futebol.
A norma foi publicada no Diário Oficial de ontem, como Lei nº 12.867.
De acordo com o texto, fica facultativo aos árbitros organizar-se em associações e sindicatos, e também é facultado a prestação de serviços às entidades de administração, às ligas e às entidades de prática da modalidade desportiva futebol.
Na realidade trata-se do inÃcio para a profissionalização da arbitragem nacional, que é fundamental para a melhora de sua qualidade.
O árbitro concorre com um futebol altamente profissional, onde os atletas treinam em longos perÃodos, enquanto esses estão no trabalho do dia a dia, transformando uma partida de futebol em bico.
Outro ponto interessante é que de acordo com o artigo 5º da Lei, eles não estão impedidos de prestação de serviços às ligas e diretamente aos clubes de futebol, em competições organizadas por esses dois segmentos.
Como profissionais, os árbitros brasileiros poderão lutar para que os seus trabalhos sejam enfim profissionalizados.
O lamentável foi a espera de 12 anos, mas como estamos no Brasil tudo é possÃvel.
CLAUDEMIR GOMES
Na década de 60 o baiano, Gilberto Gil, roubou a cena da música popular brasileira com o lançamento do seu primeiro álbum - Louvação - que tinha como carro-chefe a música de mesmo nome. A letra era um grito de alerta:
"Vou fazer a louvação - louvação,
louvação
Do que deve ser louvado - ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção - atenção, atenção
Repare se estou errado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado".
Por ironia, terça-feira aconteceu, em Salvador, o sorteio dos grupos da edição 2014 da Copa do Nordeste. No dia seguinte foi notória a indignação dos formadores de opinião presentes ao evento, com a louvação feita ao presidente da CBF, José Maria Marin, que transformou o encontro em um ato polÃtico da campanha de Marco Pólo Del Nero para ser o seu sucessor na presidência da entidade que comanda o futebol nacional.
O futebol brasileiro agoniza. São muitos os indicadores. O futebol faliu nas regiões do Norte e Nordeste. Mas para as Federações, que recebem um "mensalão" está tudo bem. Os asseclas do Marin sempre que têm oportunidade propagam e ressaltam os "presentes" como se fossem benfeitorias.
A reação de jornalistas nas redes sociais e em jornais é um sinal de que o cenário pode vir a ser mudado. Afinal, um grupo de jogadores, sem a interferência de sindicados, e jornalistas independentes, começam a soltar a voz como prenúncio de um movimento.
O ciclo vicioso montado pela CBF e Federações vem de décadas. Até a geografia foi alterada, com os estados do Piauà e do Maranhão sendo excluÃdos do Nordeste, passando a integrar o Norte, para beneficiar um vice-presidente, que se ainda estivesse na ativa, certamente estaria no comando do futebol brasileiro por ser o vice-presidente mais velho, critério que levou José Maria Marin a ser o sucessor de Ricardo Teixeira.
Como o recado de Gil foi dado há mais de 40 anos, nos dias de hoje, na sua terra, não estão louvando apenas o que deve ser louvado.