JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A fórmula de pontos corridos é positiva, mas
quando se alia à concentração de renda, torna-se pragmática, favorecendo os
clubes de maiores receitas, que realizam altos investimentos, deixando de lado
os menores que participam do Brasileiro sem perspectivas futuras, como simples
figurantes, sem direito a uma única fala no filme.
Poder-se-ia dizer que nesta temporada de 2013, aconteceu algo diferente, quando os milionários foram ultrapassados por dois ricos e dois emergentes. Um fato pontual, e por conta de gestões temerárias que não souberam gastar o dinheiro que receberam.
Alguns analistas afirmam que a espanholização não irá penetrar no futebol brasileiro, o que certamente é uma grande ilusão, já está chegando, e cedo ou tarde será implantada, principalmente por conta da imoral distribuição dos direitos de transmissão.
Desde o inÃcio da era dos pontos corridos em 2003, um único clube fora do eixo Rio-São Paulo conquistou o tÃtulo do Brasileiro (Cruzeiro), e de lá para cá o futebol paulista conquistou seis, o carioca, três, e o da presente temporada irá quebrar a dualidade, ficando com o Cruzeiro, que faz parte do sistema maior desse esporte.
Gaúchos, Catarinenses, Nordestinos, Nortistas e os do Centro Sul, se contentam com boas colocações na competição, desde que o tÃtulo já tem carimbo e ficará nas mãos da Região Sudeste, e com tendência maior a permanecer com Rio e São Paulo.
A espanholização será firmada a partir de janeiro de 2016, quando os clubes da Série A passarão a receber as novas cotas pagas pela Rede Globo, dona dos direitos de transmissão.
As diferenças serão acentuadas quando Flamengo e Corinthians passarão a receber R$ 170 milhões, ou seja, R$ 60 milhões a mais do que recebiam anteriormente.
O São Paulo, que será o terceiro melhor aquinhoado, terá nos seus cofres R$ 110 milhões, com um acréscimo de R$ 30 milhões, e uma diferença para os dois maiores de R$ 60 milhões. Vasco e Palmeiras irão receber R$ 100 milhões, com o mesmo aumento do tricolor paulista, mas com uma diferença para Flamengo e Corinthians de R$ 70 milhões.
O Santos subirá de R$ 60 milhões para R$ 80 milhões, com uma distância grande dos demais, sendo que para os primeiros representa R$ 90 milhões. Atlético, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo foram contemplados com um incremento de R$ 45 milhões para R$ 60 milhões por ano, com uma diferença para os lÃderes de R$ 110 milhões.
Seis outros clubes terão à sua disposição R$ 35 milhões, com um acréscimo de R$ 8 milhões, e os dois restantes que não fazem parte da lista, o assunto será discutido posteriormente.
Os iludidos certamente orientados pelos ilusionistas irão afirmar que se trata de muito dinheiro, mas sem dúvidas a desigualdade é tão grande, que a espanholização em 2018 estará firmada, e os outros clubes continuarão a rezar para São Nunca, pedindo a sua interferência para que um dia possam gritar a palavra Campeão.
Nada mais idiota de que aumento linear, quando os que tinham maiores receitas, continuarão a ampliar as diferenças, e isso irá acontecer no futebol brasileiro.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









