JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O anarquismo é uma doutrina que defende o fim de
qualquer forma de autoridade e dominação.
O futebol brasileiro conseguiu adentrar no reino da anarquia, por estar sem comando há algum tempo, e os acontecimentos do seu dia a dia formam o verdadeiro retrato de que o esporte navega em uma nau sem rumo.
As autoridades do futebol se transformaram em ¨otoridades¨, e se comportam desta forma.
O recente caso da Série C, com a exclusão do Betim das quartas de final da competição, cujo jogo estava marcado para o próximo sábado, tendo como adversário o Santa Cruz Futebol Clube, que não tem nada a ver com o assunto, sofrendo prejuÃzos na focagem da competição, inclusive com a mudança do adversário, é uma referência de um esporte sem lenço ou documento, nada no bolso ou nas mãos. Entregue à própria sorte.
O clube mineiro que assumiu o antigo Ipatinga, trocando apenas de nome, mas continuando como seu sucessor legal, já tinha sido penalizado em setembro passado com a perda de 6 pontos, por determinação da FIFA, por conta de um débito não quitado com o Nacional da Ilha da Madeira, referente à negociação do jogador Luizinho, e do ingresso de uma ação contra a medida do órgão maior do futebol mundial, na Justiça Estatal.
A CBF retirou os pontos, mas o STJD acatou um recurso do time mineiro e determinou que fossem retomados, e que o clube continuasse na competição.
O entendimento da Justiça Desportiva foi o de que o regulamento da competição não contemplava a perda de pontos por conta de dÃvidas contraÃdas, que deveriam ser cobradas judicialmente.
No dia 19 de setembro, a Federação Boliviana acionou a FIFA, por conta de outro débito contraÃdo pelo Ipatinga, com o The Strongest, clube a ela filiado. Mais uma vez a determinação da retirada de seis pontos, com a exlusão do Betim da competição e a sua substituição pelo Mogi-Mirim, da Federação Paulista de Futebol. Dessa vez de forma bem rápida.
Até esse momento tudo dentro dos parâmetros legais, mas se analisarmos os procedimentos constatamos que a anarquia e a desorganização fazem parte do reino do nosso futebol.
Como um clube com tantos débitos e problemas como o Ipatinga tem o aval da CBF para trocar de nome, de cidade e de dono?
Ãbvio que uma transferência como essa se houvesse seriedade não poderia ser concedida. Trata-se de uma jogada para driblar os credores, visto que o antigo clube passou a ter um outro nome, mas pela legislação em vigor, assumiu com a troca o ônus e o bônus que esse carregava.
Falta administração em nosso futebol, partindo-se da liberação dos alvarás anuais de funcionamento que só poderiam ser concedidos após auditorias nas finanças dos clubes.
O grave é que o Betim jogou a competição, ganhou na Justiça Estatal e Desportiva esse direito e, de repente, algo igual ao conteúdo de um processo que já foi julgado pelo STJD de forma favorável a ele, se repete e mais uma vez a FIFA e a CBF retiram os seus pontos conquistados no campo de jogo.
Algo de estranho paira no ar da Barra da Tijuca, e cujas nuvens tornaram-se mais cinzas quando descobre-se que o Mogi, clube beneficiado pela medida, mesmo sem competições, continuou a treinar normalmente, como se tivesse uma premonição do que iria acontecer.
Não vamos adentrar na teoria da conspiração, mas tais atitudes são estranhas pois as competições nas divisões inferiores têm sido carregadas de problemas jurÃdicos, por conta da irresponsabilidade daqueles que as comandam, e mais uma acontece e que dependendo do resultado da posição assumida pela diretoria do Betim com um pedido de liminar na Justiça, poderá paralisar a disputa das fases seguintes da Série C.
Quando se tem organização nada acontece, mas quando se perde no caminho a esculhambação é geral, e isso acontece no Brasil, quando jogos são remarcados, rodadas terminam incompletas, e todos continuam felizes e sorridentes.
Só resta aguardar os acontecimentos. O interessante é que Marco Polo Del Nero estava no comando da entidade, por conta da viagem de Marin com a sua seleção.
Coincidência ou teoria da conspiração?

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








