JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Assistir aos jogos dos clubes pernambucanos nas
diversas competições nacionais, representa hoje uma requintada sessão de
tortura, que os nossos porões bem conheceram.
à incrÃvel que uma decadência tão acentuada não seja analisada devidamente pelos próprios envolvidos, para que os problemas sejam detectados e assim surjam novos caminhos a serem tomados.
O apequenamento do futebol de Pernambuco só não é entendido pelos dirigentes dos clubes, que ainda não conseguiram observar que o modelo atual esgotou-se e necessita urgentemente de um processo renovador e salutar.
Quando presenciamos o Náutico, hoje na primeira divisão nacional, contemplado com as maiores receitas de sua história, marchando solenemente para a degola, não conseguimos entender como o clube conseguiu penetrar em um atoleiro com tanta passividade.
A gestão do alvirrubro pernambucano falhou, quando não planejou devidamente a sua temporada, e a presença de cinco treinadores no banco de reservas e a contratação de dezenas de jogadores refletem muito bem os erros cometidos.
Quando olhamos para o Sport, com uma receita seis vezes maior do que a maioria dos participantes da Série B Nacional, e nas suas partidas pouco aproveita-se dessas diferenças, perdendo jogos para equipes que sofrem com o descaso dos que dirigem o futebol brasileiro há muitos anos, vivendo em eternas dificuldades, mas sobrepujam a tudo quando adentram nos gramados, sabemos que algo de errado vem acontecendo.
O Santa Cruz é outro exemplo dessa decadência aprofundada. Participando de uma terceira divisão nacional, não consegue pelo menos impor a sua tradição e fica lutando contra equipes de menor porte, ainda sem a devida tradição no futebol do paÃs.
A maioria dos clubes é sazonal, e brinca de disputar um campeonato estadual, e depois segue para o processo da hibernação.
Há algum tempo que chamamos a atenção da necessidade de mudarmos os nossos parâmetros, sobretudo na ênfase do processo de formação, com um maior investimento nesse setor, que representa o futuro do futebol.
Não adianta a disputa de um estadual do nada para o nada, e a conquista do seu tÃtulo, que seis meses depois pela dinâmica dos esportes já estará esquecido.
Os clubes são imediatistas, não trabalham a longo prazo, só conhecem o curto, e para o futebol essa escolha é negativa, pois frutos só são colhidos após um longo perÃodo entre o plantio e sua colheita.
Não se pode fazer futebol de forma aleatória, e sim bem pensada, dentro de um contexto que possa aprofundar as suas raÃzes e garantir uma boa permanência no futuro.
Vivemos uma era de incertezas, onde ilusionistas e iludidos continuam proliferando, e levando para o fundo do poço um esporte que sempre foi importante para o estado, e que trouxe muitas alegrias para os consmidores.
Os nossos dirigentes não se reunem para a discussão dos problemas na busca de fórmulas novas para resolvê-los, preferem o isolamento, nadando contra a maré, na certeza de que cedo ou tarde morrerão afogados.
Ou mudam o sistema, ou esse engolirá a todos.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013












