JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Existe uma conversa constante entre os dirigentes
do Sport que 2013 poderia ser 1990, quando o clube retornou à primeira divisão,
inclusive na escolha de Neco como treinador.
Na verdade, são duas coisas bem distintas, e o tunel do tempo está bem na vista para demonstrá-lo. São situações diferentes e separadas por 23 anos.
Em 1990, tivemos a oportunidade de colaborarmos com o clube assumindo o futebol em um momento de crise, e que tinha como única coincidência com hoje, a presença do presidente Luciano Bivar.
Tentar misturar as coisas é certamente um equÃvoco latente, e sobretudo desconhecer a história.
Embora a situação financeira do Sport fosse precária, vivendo um momento polÃtico conturbado, com renúncias entre os membros dirigentes, o clube tinha uma base, embora modesta, mas com atletas, na maioria da própria casa, ou da região, vindo de um campeonato estadual, em que o rubro-negro fôra prejudicado pela arbitragem no seu jogo final.
O técnico era Roberto Brida, com experiência em clubes menores de São Paulo, e tinha sido um bom jogador na sua época, com uma humildade e competência, que conseguia agregar os atletas, fazendo com que superassem muitas vezes a técnica pelo sentimento de vitória.
Com a nossa chegada ao clube, conseguimos amainar as brigas internas, que deram mais tranquilidade ao trabalho, e com a ajuda de Vulpian Novaes, que era o Gerente de Futebol, o que foi projetado para o resto da campanha aconteceu, e o acesso junto com o tÃtulo de campeão, deram a recompensa ao trabalho realizado pelos atletas e comissão técnica.
O formato do Campeonato era outro, através de grupos, bem diferente dos ponto corridos de hoje, que motiva um planejamento maior, mais elaborado, por conta das viagens longas e a quantidade de jogos.
Poucas vezes na história de um clube encontramos um grupo tão empenhado em um objetivo, esse de 1990, quando em um jogo nos telefonaram afirmando que não tinha a necessidade de pagarmos mais uma diária no hotel, após um jogo noturno em São Luiz, e que iriam esperar no aeroporto.
No futebol de hoje é muito difÃcil acontecer um fato como esse, e com um agravante, a imprensa sem conhecimento da realidade, divulgou que os atletas dormiram em uma praça do aeroporto.
São épocas distintas, com dirigentes diferentes em procedimentos, e nada parecido com a atual, e se os atuais gestores do clube desejam copiar 1990 certamente estarão dando um tiro no pé.
O mundo mudou, assim como o futebol, e os componentes de hoje não são os mesmos de ontem, principalmente nos sentimentos dos profissionais, onde atualmente o dinheiro está acima de qualquer camisa clubÃstica.
Trata-se de um recado, sobretudo de uma colaboração que poderá servir para que os erros não continuem a tomar conta da Ilha do Retiro.
Na verdade, estão misturando alhos com bugalhos, já que ¨UMA COISA à UMA COISA, E OUTRA COISA à OUTRA COISA¨.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








