JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O Portal da Copa divulgou os números revisados
dos valores gastos com a construção e reformas dos estádios para a Copa de
2014.
Mesmo com a conclusão de seis dos doze estádios, o gasto com as obras continuam crescendo. Nessa última revisão o valor alcançou R$ 8 bilhões, número 285% superior ao previsto em outubro de 2007, quando o Brasil foi anunciado como sede do Mundial, com o preço estimado em R$ 2,8 bilhões.
Sabemos que se tratava de uma estimativa, mas uma diferença como essa é algo de irreal, e que mostra a maneira como utiliza-se o dinheiro público em nosso paÃs, de forma totalmente irresponsável.
Segundo o Portal, com o novo valor, o Brasil aumenta a diferença nos gastos em relação à s Copas de 2006 e 2010-agora os estádios brasileiros custam duas vezes mais. Na Ãfrica do Sul, o custo total foi de R$ 3,27 bilhões. Na Alemanha, 12 estádios saÃram por R$ 3,6 bilhões.
Se somarmos esses dois paÃses, os valores gastos são menores do que os nossos, ou seja, o que está sendo dispendido nos estádios brasileiros, daria para pagar as duas últimas competições.
GostarÃamos que profissionais da área nos indicasse quais as razões de tantas diferenças entre os paÃses que sediaram e o nosso que irá sediar uma Copa do Mundo.
Algo está errado.
Pelo relatório apresentado, os custos aumentaram na Arena Amazônia, no Maracanã e no Mané Garrincha. As revisões foram responsáveis por um acréscimo de quase R$ 1 bilhão. Em abril desse ano, a Matriz de Responsabilidade apontava gastos na ordem de R$ 7.031 bilhões.
O aumento da conta ocorre até mesmos em estádios já concluÃdos, como o Maracanã e Mané Garrincha. No Rio, o governo afirmou que o acréscimo de R$ 59,7 milhões, divulgado na semana passada, está ligado ao ¨reajuste de preços e atualização monetária¨. Em maio, o custo do estádio já havia sofrido um incremento de R$ 272 milhões, ultrapassando a marca de R$ 1 bilhão.
Em BrasÃlia, os fatos são os mesmos. No contrato assinado em 2010, o Mané Garrincha estava orçado em R$ 686 milhões. No entanto, 19 aditivos foram responsáveis por um acréscimo de R$ 337 milhões. Além disso, o custo da cobertura, dos assentos, do gramado e do placar eletrônico elevou a conta em mais de R$ 193,1 milhões. Hoje o estádio tem o preço fixado em R$ 1,43 bilhão.
Nos dois casos, o valor triplicou. Em 2009, a previsão era que a reforma do Maracanã custaria R$ 400 milhões. A construção do novo Mané Garrincha seria R$ 520 milhões.
Duas obras em andamento também tiveram os valores reajustados. Em Curitiba, o aumento de R$ 46 milhões ocorreu por conta do retardamento de um ano no cronograma, e agora a Arena da Baixada está estimada para R$ 265 milhões. A Arena da Amazônia, por sua vez, passou de R$ 550 milhões para R$ 605 milhões.
Das duas coisas uma deverá prevalecer: ou muita esperteza reunida, ou então que os profissionais dos orçamentos para tais obras são bem fracos com relação aos cálculos e previsões realizadas, desde que erraram em muito, o que é bem estranho.
Ficamos com a primeira hipótese: esperteza, que é normal no cotidiano brasileiro.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








