JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Um texto da Divina Comedia, uma obra universal de
Dante Alighieri, tem uma sentido lapidar e que se adequa totalmente à realidade
brasileira.
¨Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral¨.
Para ele, em situações de perigo, não existe pecado maior do que a omissão.
Este pecado vem sendo praticado pela sociedade brasileira, especialmente os mais ligados aos esportes, que se omitem perante os acontecimento e, quando calam, consentem.
Qual o veÃculo da grande mÃdia nacional, sobretudo a televisiva, que repercutiu as denúncias dos desvios das cotas dos jogos da seleção da CBF para paraÃsos fiscais?
Quais Federações pronuncaram-se sobre esses fatos, inclusive com a responsabillidade de terem aprovado o balanço anual da entidade?
Pelo contrário, algumas defenderam o status quo.
Essas mesmas Federações calaram-se perante os mais de trinta milhões da CBF, que estão bloqueados pelo Banco Central, por conta da liquidação do Banco Rural.
No mÃnimo esse último fato representa improbidade administrativa, mas todos se omitem, e nenhuma contestação é ouvida da parte desses cartolas.
Quais os clubes que cobraram da CBF uma justificativa para essa distribuição de comissões para firmas fantasmas no exterior?
No último domingo quando do encerramento do Mundial de Atletismo que foi realizado em Moscou, ouvimos comentários no Sport TV que em 2016 tudo irá melhorar, e nenhuma crÃtica adequada a uma participação bisonha e totalmente equivocada dos brasileiros que lá estiveram foi procedida.
Entre 34 paÃses disputantes, o nosso conquistou uma única medalha, o que mostra que estamos no caminho errado e na contramão da história, quando temos uma olimpÃada bem próxima, e as mÃdias que formam a opinião se omitem perante tal realidade.
Esconder os erros é um pecado de omissão e que certamente merece as portas do inferno, desde que estão vendendo uma ilusão de que tudo irá melhorar, quando na verdade tudo irá piorar.
Uma tal de Confederação Brasileira de Clubes, que foi fundada quando da reforma da Lei Pelé, e com influências polÃticas, ficou como responsável pela distribuição de verbas para os clubes que promovem o trabalho com esportes olÃmpicos.
Na verdade não precisava, pois essa atribuição poderia ser realizada pelo Ministério do Esporte, mas que concordou com tal manobra, de forma bem estranha.
Há dois anos que a entidade tem R$ 100 milhões em caixa, oriundos do governo federal, e nenhum clube viu a cor de tais recursos, o que demonstra que algo está errado. Essa Confederação foi um jabuti colocado em uma árvore por alguém, para que no final aconteça o de sempre, a má aplicação dos recursos nas mãos dos apadrinhados do poder.
Poucos falaram sobre o assunto, com exceção do Portal UOL e da Folha de São Paulo, que são ainda os resistentes em nosso paÃs.
O pecado da omissão vem contribuindo para tudo de pior que acontece em nosso paÃs. Nos esportes a alienação é maior e a falta de comprometimento nas cobranças é bem visÃvel, colaborando para que tudo caminhe como dantes, sem uma boa perspectiva do futuro.
Ou a sociedade pula do muro e escolhe um lado, ou então todos irão bater nas portas do inferno, e com a certeza de que serão bem acolhidos pelo Diabo, que é sem dúvidas o seu patrono.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








