JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.dom.br
Os possÃveis clientes das novas arenas
construÃdas para a Copa das Confederações estão abismados com os custos
apresentados para suas utilizações, e por conta disso existem reações para a a
realização de jogos.
O maior de todos está localizado no Maracanã, que ainda não conseguiu fechar com pelo menos dois grandes clubes do Rio de Janeiro, e só tem um jogo programado para o dia 21 de julho entre Fluminense x Vasco.
As parcerias não foram formalizadas, principalmente com o Flamengo, por conta dos percentuais ofertados pelo consórcio que irá administrar o estádio. A proposta é de 35% para esse, e 65% para os clubes com relação as bilheterias, sem contemplar bares, restaurantes, espaços vips e estacionamento.
Na verdade os administradores desejam impor um padrão FIFA para os seus estádios, no setor de ingressos e custos operacionais, fora da realidade brasileira.
Essa fuga para outros estádios também não resolverão o problema, desde que os clubes estão deixando de lado os seus torcedores locais, e isso inviabiliza outras fontes de receitas que fazem parte do fluxo de caixa.
Estivemos analisando o assunto, e verificamos que em Minas Gerais, o Atlético-MG preferiu jogar em um estádio de menor porte a utilizar o Mineirão, por conta das despesas, e o próprio Cruzeiro por duas vezes já pensou na rescisão do seu contrato de 25 anos, quando de uma renda de R$ 1,7 milhões, ficou com apenas 50%.
No Ceará, o Fortaleza até hoje não aceitou a proposta do Consórcio do Castelão, e já pensa em arrendar o Presidente Vargas para os seus jogos. Pelas análises feitas pelo tricolor cearense, depois da experiência em alguns jogos, foi verificado que precisa no mÃnimo de 10 mil torcedores por jogo para pagar os custos, e isso no futebol cearense é inviável.
Na realidade, esses consórcios terão que se ajustar ao que manda o mercado, e deverão deixar de lado grandes lucros e diminuÃrem as suas taxas de retorno, barateando os ingressos e reduzindo os seus custos operacionais.
Não vimos o movimento financeiro do jogo Náutico x Ponte Preta, mas lemos que 800 pessoas trabalharam como orientadores e seguranças. Procedendo-se com um simples cálculo, e colocando-se R$ 90 de pagamento per-capita, só nesse item foram embora um pouco mais de 15% da receita bruta do seu jogo. A Federação tirou mais 8%, que somam 23% em apenas dois itens.
Da renda de R$ 469.521, foram alocados para esses segmentos, R$ 107.898, o que sem dúvidas é algo totalmente irreal.
Se não houver um ajuste entre os consórcios e clubes, certamente irá acontecer um fenomeno, com a remodelação de pequenos estádios, que abrigarão jogos de menor porte, e a utilização dos novos estádios para grandes eventos.
O maior desafio brasileiro será o de todos os segmentos entenderem que os nossos padrões deverão ser do Brasil e não europeus, cujo poder de compra, apesar da crise, é muito maior do que o brasileiro, por conta da renda per-capita, e do PIB de cada um.
Para os consórcios apenas uma lembrança: Quem vai com sede ao pote, vê a água secar com rapidez, e para os clubes, que tenham cuidado com contratos longos, pois esses poderão levá-los à ruÃna.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









