JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A euforia da Copa das Confederações acabou,
quando as lotadas arquibancadas dos estádios brasileiros voltaram a realidade
anterior, com os assentos entregues às moscas.
No dia de ontem verificamos alguns públicos, inclusive o do Internacional x Vasco da Gama, que tinha sido divulgado de forma equivocada, quando na realidade só contemplou 2.868 pagantes. No sábado, a Portuguesa jogando em casa contra o Cruzeiro, já tinha recebido a presença de 2.769 testemunhas.
O debate reacendeu, e vários fatos são citados como causadores dos problemas, poucos vão ao encontro a realidade que está bem aos seus olhos, e que infelizmente muitas vezes não lhes são permitidos enxergá-los.
Lemos um artigo do advogado Milton Jordão, Mestre em Direito Desportivo, que aborda uma parte desse problema, e que tece algumas análises sobre o assunto, entre essas o problema do inÃcio precoce das competições no Brasil.
Mas, pecou por não falar no culpado maior que é representado pelo Calendário do Futebol Nacional, que continua na contramão da história.
Jordão referenciou que o começo das competições em janeiro já influencia no desastre futuro, por se tratar de um perÃodo bem próximo do encerramento das competições anteriores, logo após os custos que os torcedores têm com as festas de fim de ano, e bate com os perÃodos de férias.
Na realidade, são componentes bem claros e definidos, fazendo com que a análise tenha algum sentido, já que mexer no calendário é crime no Brasil e dá pena de morte para quem pensa sobre o assunto, concordamos que janeiro é um mês atÃpico e que deveria ser apenas para a pré-temporada.
Na verdade, os dirigentes do futebol brasileiro são os responsáveis pela ausência do público nos estádios, submetendo-se a várias exigências quando vendem os direitos de transmissão dos eventos.
Como podem concordar com horários estapafúrdios de 22h00 ou de 19h00 e 21h00 horas, e em dias que não fazem parte da cultura futebolÃstica?
Como podem concordar com fórmulas totalmente desprovidas de bom senso, para os estaduais, que são alongados e cujo conteúdo é de baixa qualidade?
Precisamos de competições mais curtas e que contemplem a possibilidade dos menores disputarem com mais competência.
Como podem concordar com a ausência de um planejamento para a mobilidade e acessibilidade dos torcedores, que estão previstos no Estatuto do Torcedor, e que poucos importam-se em atender?
Na verdade, a televisão tomou conta do futebol e para esse veÃculo só existe uma mão, a dos seus interesses, desde que os clubes ao receberem a sua cota já foram atendidos em suas necessidades.
Um erro de análise grotesco, pois o futebol viaja numa via de duas mãos, e não na única, onde a parte mais interessada, no caso o torcedor não é ouvida.
Não necessitamos de overdose de jogos, e sim de eventos com qualidade, mais equilibrados, e que motivem a ida do torcedor ao estádio, sabendo que terá tudo isso ao seu alcance.
Não adianta as Arenas modernas, confortáveis, se não mudarmos essa cultura nefasta de tratar o consumidor como um imbecil, que atende a todos os desejos dos cartolas, e se encantam apenas com a vitória dos seus clubes.
Para que isso aconteça precisamos de bons gestores, que tenham a independência de discutirem abertamente com todos os segmentos, inclusive com a televisão, para que as lamúrias dos finais das rodadas possam desaparecer.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







