JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Chico Buarque de Holanda, em seus bons tempos,
antes de transformar-se em chapa branca, fazia boas canções, e entre essas está
¨Carolina¨, aquela que ficava na janela e não via o tempo passar.
Nada melhor transportar essa personagem para o futebol brasileiro, onde diversas Carolinas estão nas janelas, vendo os problemas dos seus clubes, e nada fazem para contê-los.
Temos duas referência siamesas, o São Paulo e o Sport, ambos com o mesmo modelo de gestão, com grupos dominantes que mandam e desmandam, e não permitem as vozes da oposição, por casuÃsmos estatutários.
O tricolor paulista já foi referência no futebol nacional. Era o clube a ser copiado. De repente, transformou-se na ditadura de Juvenal Juvêncio, e por conta disso a sua queda latente no segmento esportivo.
Quando se analisa o seu balanço, verifica-se o tamanho do atoleiro em que se encontra. à dono da segunda maior dÃvida bancária do futebol brasileiro, ficando atrás apenas do Atlético-MG, que é outro que recebe também as influências despóticas, com o seu presidente Alexandre Kalil.
O mais grave e que não é repercutido, e como a personagem da canção os associados não conseguem ver que o clube já usou 60% dos R$ 115 milhões que recebeu neste ano pela venda de Lucas ao PSG, só para amortizar pagamentos ao BMG.
Fechou 2012 com um endividamento bancário de 156,1 milhões, 53% maior do que em 2011, ou seja, está sobrevivendo graças aos empréstimos e adiantamentos feitos a instituições financeiras e a terceiros.
No campo esportivo vai mal, e pouco tem a comemorar.
O seu irmão Sport Recife, também vive um longo perÃodo de seca em suas conquistas. Embora o endividamento esteja controlado, a partir de 2000 a situação complicou-se, quando o time passou a ser de segunda divisão em tempo muito mais longo do que da primeira.
Uma boa conquista, mas pontual em 2008 da Copa do Brasil, e alguns campeonatos locais, sendo que esses pouco representam, não tem muito a comemorar. São anos de pão e água, e de pouca representatividade.
Foi também como o São Paulo, uma referência entre os clubes brasileiros. Na verdade dava orgulho, mas tudo isso caiu, tornando-se mais um entre as dezenas de times do futebol desse paÃs.
O seu quadro social estagnou e até hoje não conseguiu voltar ao patamar da década de 90, representando que algo de errado existe no seu modelo de gestão.
Com o patrimônio totalmente abandonado, na espera do sonho da destruição, que vem sendo alimentado pelos seus dirigentes.
Enquanto isso, os sócios de ambos clubes, copiando o modelo das Carolinas de Chico, assistem em suas janelas passivamente, sem contestações ou mesmo resistências, dando sinais que tomaram a anestesia geral que foi dada ao povo brasileiro, não sabendo que alguns segmentos nos últimos dias foram à s ruas, quando acordaram e verificaram o quanto andava a realidade do paÃs.
Para que os clubes brasileiros e, em especial, esses que citamos possam voltar aos seus bons tempos, é necessário a formação de um quadro de oposição atuante, que fomente projetos, ideias e que agreguem valores em torno dessas, e não ficarem nas janelas, vendo o tempo passar.
O futebol não necessita de Carolinas, e sim de vários Leonidas para as suas defesas.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









