JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O jornalista Erich Beting nos chamou atenção
através de um artigo publicado em seu blog, dias atrás, sobre os patrocÃnios dos
clubes brasileiros, que na sua maioria estão estampando uma única marca, que é a
da Caixa Econômica.
Na verdade, quando assistimos aos jogos da Divisão Principal, e até na Segunda, nos deparamos algumas vezes com encontros da Caixa contra a Caixa, com os dois times estampando a sua marca nas camisas.
Nenhuma surpresa para nós que acompanhamos o futebol brasileiro, e a falta de bom senso daqueles que o dirigem, e esse não iria separar-se da sociedade do qual faz parte, que entusiasmada por um crescimento econômico sem uma base profunda, resolveram superdimensionar os valores de negociações de suas marcas.
Em 2011 conseguiram, mas criaram uma bolha inflacionária que cedo ou tarde iria estourar, quando afastaram os maiores patrocinadores por uma falta de retorno aos seus investimentos.
Todos queriam estampar as suas marcas nas camisas dos grandes clubes, e pagavam por isso quantias acima do mercado, e pouco a pouco foram entendendo que o futebol não era um mercado confiável para que pudessem divulgar as suas empresas. Fugiram.
No ano de 2012 vivemos o futebol do BMG, que estampava o seu nome em mais de uma dezena de clubes, e já com valores menores. Essa instituição financeira resolveu sair do ramo, patrocinando poucos clubes no momento e no próximo do ano continuará apenas com os negócios de jogadores.
No Brasil vivemos a história daquele que nunca come mel, e quando o faz se lambuza. Foram com muita sede ao pote, e a água secou, e ficaram na busca de outras alternativas na demanda de seus patrocinadores.
Com o estouro da bolha dos patrocÃnios, apareceu a Caixa Econômica Federal, que passou a ser a nova mecenas, patrocinando dez clubes , e entre esses o Flamengo e Corinthians, com aportes ainda fora dos padrões mercadológicos.
A situação de dependência do futebol brasileiro é perigosa, uma vez que depende hoje apenas de duas empresas. A Rede Globo, no setor de transmissão, e a Caixa, no setor de patrocÃnios.
A primeira não largará o osso, pois é um filão inesgotável, mas a segunda depende exclusivamente da situação polÃtica, e do retorno dos seus investimentos, que até agora não tem sido marcantes, por conta sobretudo da pobreza técnica de nosso futebol.
Na realidade, vai acontecer com os patrocÃnios o mesmo que vem acontecendo com os treinadores, com seus salários sendo adequados ao mercado, e as empresas voltarão a participar do segmento futebolÃstico com suas marcas, quando os valores a serem pagos estarão dentro da realidade.
Erich, em seu artigo, diz que a bolha vai estourar em 2015, o que discordamos, desde que essa já estorou, os seus pedaços continuam voando no futebol nacional, e a Caixa sendo a última a acreditar nesse esporte.
Enquanto isso, a CBF, que não tem jogadores e apenas a seleção, vai amontoando patrocÃnios, e enchendo as suas burras, para alegria de Marin e seus seguidores. à sem dúvidas uma inversão de valores.
Viver dentro da realidade de um pibinho brasileiro é o mais correto para todos os clubes, para que não possam bater nas quintos do inferno.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







