JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Fomos alertados por um amigo empresário e
desportista da melhor safra, sobre o conteúdo de uma entrevista de Eike Batista
sobre os problemas de suas empresas e a relação com as gestões dos clubes
brasileiros.
Lemos a matéria e certamente a simbiose entre o que falou o empresário e os nossos dirigentes clubÃsticos tem uma similaridade espantosa, o que não se trata de nenhuma novidade, porque o futebol de hoje é um negócio como outro qualquer.
O primeiro pecado cometido por Batista, segundo o próprio, foi o de ¨NÃO PROTEGER A EMPRESA DE SEUS PRÃPRIOS DEFEITOS¨. Os gestores do futebol têm este mesmo sentimento, pois acreditam que são uns gênios no setor, começam a investir de forma errônea, e não protegem os seus clubes dos seus defeitos, que são transportados para o dia a dia.
O segundo pecado capital está relacionado à ¨DIVERSIFICAÃÃO, COM CONCENTRAÃÃO DE RISCO¨. O mesmo se dá no futebol, quando os clubes começam a diversificar-se em setores que vão além do futebol, sem contarem com bons profissionais e sobretudo recursos para tais fins. Criam setores olÃmpicos sem receitas disponÃveis, com gastos fora dos padrões, formando, assim, um fator de risco, que influencia na sua vida normal.
O terceiro pecado capital delineado pelo empresário foi a de ¨GUIAR-SE PELO MERCADO ACIONÃRIO, E NÃO PELA DINÃMICA DE CADA SETOR¨. No futebol, os dirigentes apostam em contratações equivocadas, esquecem da sua produção, que é formada pelas bases, e preferem agir sozinhos sem a contratação de pessoas preparadas.
O quarto pecado é bem similar com as gestões esportivas, com o ¨DESENHO DE UMA ESTRATÃGIA DO TUDO OU NADA¨. O futebol de hoje vive no sistema ou tudo ou nada. Os cartolas vão com muita sede ao pote, gastam recursos em contratações, como se fossem resolver os seus problemas, e no final, sem retorno, observam os prejuÃzos dos seus balanços. A ausência de um planejamento a médio e longo prazo, motiva todos os seus problemas.
O quinto pecado foi o de ¨ENRIQUECER EXECUTIVOS SEM ENRIQUECER A EMPRESA¨. Também muito parecido com o futebol e seus salários fora da realidade. Os profissionais enriquecem e os clubes ficam pobres por conta dessa filosofia totalmente desordenada, sendo que em alguns casos os dirigentes também embalam nessa rotina.
O sexto pecado foi o de ¨CONFUNDIR AMBIÃÃO COM PRESSA¨. Poucos clubes usam a paciência em suas gestões. A pressa por resultados faz parte do seu dia a dia. Não existe um trabalho de médio a longo prazo, e as ambições pessoais dos dirigentes falam mais alto, desde que desejam conquistas para mostrarem serviços.
O sétimo e o último pecado elencado por Eike, foi a da "PROMOÃÃO APENAS DOS OTIMISTAS¨. Esta é a maior coincidência com o futebol brasileiro, onde são ouvidos aqueles que sempre dão amém ao poder e que acompanham o chefe em tudo, mesmo nos erros. Os realistas são deixados de fora e considerados como inimigos, e os submissos ganham status.
Sem dúvidas os sete pecados capitais de Eike Batista podem colaborar pelo menos para que os cartolas do futebol brasileiro possam fazer uma reflexão dos seus erros, que fazem parte de um mesmo conjunto que afetou as empresas criadas pelo milionário.
Uma boa matéria e de ótima serventia para os ilusionistas e para os iludidos de nossos esportes.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







