JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Embora o ufanismo tenha sido grandioso através de
alguns segmentos com a vitória da seleção da CBF contra a Espanha, que na
realidade serviu para trazer de volta a auto-estima do futebol brasileiro, um
fato bem importante aconteceu e que passou despercebido pelos que fazem a mÃdia
esportiva nacional, isto é, o paÃs deixou de ser a pátria de chuteiras.
Os torcedores compareceram aos jogos, cantaram o Hino Nacional, gozaram dos prazeres das novas arenas, o time correspondeu e fez uma excelente final contra uma forte equipe, considerada a melhor do mundo, mas com todo esse contexto, isso tudo está passando como um bom resultado de que temos uma equipe já se formatando, e que na Copa de 2014 poderá fazer uma boa apresentação.
Por outro lado, as manifestações ocorridas nas ruas do paÃs, por conta dos gastos efetuados para a realização dos eventos esportivos de 2014 e 2016 no Brasil, deram-nos um recado que aquele falso patriotismo que alguns se apossam durante essas ocasiões estão ingressando no passado, visto que os comportamentos impulsionados pelos protestos estão dando um ponto final a tais momentos.
Comemoraram a conquista sem o ¨slogan¨, ¨Brasil a Pátria de Chuteiras¨, e a própria Presidente da República, Dilma Rousseff, não compareceu à final do evento, mandando um simples telegrama de parabéns pela conquista.
Normalmente a presidente estaria recebendo os jogadores no Palácio, como uma forma de identificação do governo com o futebol, mas os recados dados pelos cartazes que afirmavam que ¨desejavam hospitais no lugar da Copa do Mundo¨, ou que os ¨professores eram melhores que Neymar¨, entre tantos outros vindos das ruas, acenderam o sinal de alerta de que o futebol é uma coisa cultural e que não deve ser tratado como uma solução para os problemas nacionais.
Já passou a época de mandatários tirando as fotos tradicionais com os campeões, ou um presidente da República, no caso, Fernando Henrique Cardoso, compactuar com gestos como o de Vampeta, fazendo cambalhotas na rampa do Planalto, e segundo aqueles que assitiram, o jogador não estava em seu estado normal.
A sociedade amadureceu nesses últimos dias, e se alguns pensavam que a conquista da Copa das Confederações iria jogar um balde de água fria nas manifestações, ainda não entenderam que o futebol é o futebol e continua sendo o futebol, e que o Brasil de hoje começa a ser um novo Brasil, e que abdicou totalmente de ser a ¨Pátria de Chuteiras¨.
No dia de ontem, as Rodovias Dutra e Anchieta, em São Paulo, estavam fechadas, por conta dos protestos dos caminhoneiros, que certamente torceram pela seleção da CBF, mas não deixaram de lado as suas reivindicações. Em Recife os Rodoviários paralisaram as suas atividades, transformando a cidade em um caos.
Quando nos perguntam qual foi o legado desse torneio, não temos o menor receio em dizer que foi o da mudança da mentalidade de nossa sociedade, que rasgou definitivamente a ideia de que o futebol é o ópio do povo.
Futebol é alegria, é cultura, mas não pode ser misturado com os problemas nacionais.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









