JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Uma excelente matéria publicada no jornal
paranaense Gazeta do Povo, de autoria da jornalista Adriana Barros, sobre a
violência no futebol, trouxe-nos alguns dados interessantes, e que motivou a
procedermos com uma análise justamente em um perÃodo que as nossas organizadas
receberam um alvará de soltura.
Na realidade o paÃs está cuidando de suas grandes arenas, alguns pontos da infra-estrutura e vem esquecendo da sociabilidade das arquibancadas, que deveria ser o maior legado para o futuro de nosso futebol.
Em nenhum momento de nossa história tivemos tantos casos de intolerância nesse esporte, e as agressões, ferimentos, vandalismo e as mortes evoluÃram nas estatÃsticas, e hoje se apresentam como fatores da ausência de torcedores dos estádios brasileiros.
No ano de 2012 tivemos 23 mortes relacionadas ao futebol. O paÃs é recordista mundial de mortes ligadas ao futebol, com uma contabilidade de 160 mortes.
Somente entre 2011 e 2012 foram 43 óbitos registrados.
A impunidade, as drogas e a falta de educação formam um triângulo motivador desses acontecimentos. 95% dos processos no paÃs não são finalizados, e isso impulsiona a garantia da impunidade entre os torcedores, que ficam cientes de que não haverá nenhuma penalidade.
Aliado a tais fatores temos um agente que contribui para a violência no futebol que são as instituições que o dirigem, vivendo sempre sendo denunciadas por corrupção. Quando o poder maior não tem credibilidade, os torcedores entendem que esses órgãos não têm as condições éticas necessárias para combater os seus procedimentos e, desta forma, são estimulados ao crime.
Os números são bem claros, principalmente pelo avanço que estão demonstrando, numa clara percepção que o estado perdeu a luta contra a violência.
O interessante é a existência de um dado nas diversas pesquisas realizadas que a violência é praticada por uma minoria que está situada entre 5% a 7% dos torcedores organizados, mas, apesar disso, as brigas nascidas nas arquibancadas evoluÃram de forma geométrica.
Os dados demonstraram alguns números que são bem importantes para o estudo sobre o assunto.
A média de idade desses torcedores/criminosos está situada entre 15 e 24 anos, O grau de escolaridade varia entre a 5ª série do Ensino fundamental ao 2º ano do Ensino Médio, sendo que 75% estão desempregados.
Quanto ao gênero, 86% a 90% são homens, e estão relacionados com o crime através do cambismo, consumo de drogas, tráfico de armas e drogas. Preparam-se para os combates, utilizando as redes sociais para marcar os confrontos, e treinam lutas marciais e táticas militares.
Um verdadeiro crime organizado para ser combatido, e que tem conquistado pela ineficiência do estado um pedaço bem grande do futebol nacional.
Os que fazem a Copa do Mundo estão pensando muito em aparências e perfumarias, esquecendo o seu maior problema que é a sociabilidade das arquibancadas, que seria sem a menor dúvidas o maior legado.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








