Estávamos assistindo no último fim de semana ao
jogo Cruzeiro x Internacional, e ouvimos comentários elogiosos ao jogador Otávio
do colorado gáucho, de apenas 18 anos de idade.
Lembramos que tempos atrás fizemos uma postagem sobre esse mesmo atleta, após lermos uma entrevista, quando detectamos que ele pertencera ao Santa Cruz, nas suas categorias de base.
Em 2011, na Copa Carpina, o atleta já estava no Internacional, e tornou-se a grande sensação do torneio, sendo o seu artilheiro e conquistado o tÃtulo de campeão.
Quando abrimos as páginas dos jornais de Porto Alegre, Correio do Povo e Zero Hora, os destaques eram para Otávio por sua excelente participação no jogo contra o time mineiro pelo Campeonato Brasileiro.
O ex-goleiro Clemer, seu treinador no Juvenil do Inter, declarou que foi o responsável pela formação do jogador, quando modificou a sua posição original de lateral direito, para a de meia-atacante.
O interessante é que nenhum dos comentários que ouvimos no pós-jogo, citavam as origens desse novo talento, que, na verdade, é oriundo da ParaÃba e treinava no Santa Cruz.
Na ocasião do jogo e vendo a habilidade de Otávio, inclusive marcando um gol, ligamos para o jornalista Claudemir Gomes, e chamamos a sua atenção para esse atleta, por fazer parte de um contigente que passa junto dos olhos dos dirigentes e treinadores dos clubes, que não os enxergam e só vão descobri-los quando se destacam em outras agremiações.
Trata-se na realidade da falta de um planejamento para as categorias de base, principalmente pela ausência de apoio, o que é retratado no caso de Otávio, que só pedia a gasolina do veÃculo do seu pai para treinar no tricolor do Arruda.
O jogador morava em João Pessoa e vinha treinar de carro três vezes por semana, recebendo apenas o dinheiro da gasolina que depois foi cortado. Treinava futsal e nas categorias de base do futebol do Santa Cruz e, por incrÃvel que pareça, não foi visto por ninguém como uma promessa para o futuro.
Outro atleta saÃdo desse clube nas mesmas condições é Douglas Baggio, que se tornou no Flamengo uma de suas grandes promessas, jogando várias vezes pela equipe titular.
Quantos Otávios, Douglas, temos pelo Brasil afora que saÃram dos clubes de nosso estado pela fragilidade e apoio ao trabalho de formação, e que estão pelo mundo afora conquistando os seus espaços.
No Goiás temos Walter, um jogador um pouco complicado, mas que tem demonstrado um futebol de bom nÃvel, revelado no campeonato pernambucano sub-17. Seus direitos pertencem ao Cruzeiro de Minas Gerais.
O Santa Cruz tem um excelente trabalho em seu futsal, que deveria harmonizar-se com o futebol para a promoção de novos jogadores. Este modelo é adotado em vários clubes europeus, principalmente no Barcelona.
Infelizmente o modelo adotado em Pernambuco é quando deixamos de lado a formação para contratarmos um avião de jogadores.
Uma triste realidade, e os responsáveis por esse setor nos clubes de nosso estado vivem em uma total letargia, enquanto os observadores vão levando os talentos para outras plagas.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








