JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Estamos observando um sentimento que começa a
extravasar no seio da sociedade brasileira que a Copa servirá apenas para o
Copo, e não trará algo de positivo como legado para o paÃs, a não ser alguns
trombudos brancos que servirão para visitação pública.
Desde o momento em que o Brasil candidatou-se para sediar a Copa do Mundo e as OlimpÃadas, sempre mostramos que o paÃs ainda não estava pronto para esses mega-eventos, por conta de todos os problemas que ainda o afligiam.
Nos lembramos muito bem das palavras do fugitivo Ricardo Teixeira, presidente de então da CBF, e do ex-presidente Lula, que todas obras seriam feitas pela iniciativa privada, e com poucos recursos públicos.
Na verdade aconteceu o inverso. O público financiou os empreendimentos, e o privado, sem colocar um real, beneficiou-se como seus executores.
As redes sociais, juntamente com as ruas, têm demonstrado essa insatisfação, quando observam os gastos em estádios e as necessidades básicas da sociedade não são atendidas. Um vendaval de dinheiro, muitas vezes com obras superfaturadas, e com o agravante, o povo não participará das festas.
Cantaram e decantaram que os eventos seriam transformadores dos paradigmas dos dirigentes e das autoridades, e nada disso aconteceu.
Transparência zero. Não se sabe na realidade os custos reais das obras necessárias para os eventos. Em nome dessas, moradores antigos em determinados bairros foram expulsos, com indenizações bem abaixo da realidade.
Os aeroportos continuam os mesmos, e BrasÃlia deu um grande exemplo no último sábado. Na mobilidade urbana pouco foi realizado, e o Recife também deu uma grande demonstração, quando mesmo em um domingo sem a demanda da população trabalhadora, o seu metrô atestou a inoperância e a falta de qualidade no atendimento, inclusive na sua última estação, a Cosme e Damião totalmente inacabada e sem condições de utilização.
Lemos umas declarações que o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmando que todos os desafios para o ¨Copo das Confederações¨ tinham sido superados, e achamos que ele continua vivendo em um outro planeta ou, então, na Ilha da Fanatasia, com Tattoo, pois considerar que os desafios foram vencidos é o mesmo que declarar que o sistema de saúde no Brasil é de primeiro mundo.
O que se viu na volta para casa após o jogo do domingo no Estádio Pernambuco foi atestada por um dos nossos mais assÃduos visitantes, Guilardo Pedrosa, quando retratou o tratamento dado aos torcedores, que levou inclusive a um uruguaio entrevistado a afirmar que ¨eles não eram animais para serem transportados daquele jeito¨.
As filas enormes nas estações, empurrões, tapas e gritos, formaram o quadro apresentado para aqueles que ousaram assistir a uma partida de futebol.
Na realidade os governantes adotaram a máxima romana do pão e circo, mas não atentaram que na Roma antiga o povo frequentava as arenas, divertia-se deixava de lado os problemas de sua urbe, enquanto no Brasil aqueles que estão frequentando os novos estádios são os mais beneficiados com o sistema vigente, e que não estão enquadrados naquele adotado pelos romanos.
No final de tudo, teremos estádios, mas aquele legado em obras essenciais para a população não acontetecerá, pois foram sendo riscados no caminho, onde todos irão se contentar com os eventos esportivos.
O dinheiro público trabalhou para as receitas do privado.
Esse é o nosso Brasil bem brasileiro, e a sociedade está finalmente acordou, e o 17 de junho de 2013 deu o inÃcio a uma nova era, com as manifestações por conta desses acontecimentos.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








