JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Os clubes brasileiros acostumaram-se com a
subserviência aos poderosos cartolas. Todos conhecem o que acontece em seu
entorno, e calam-se por medo de represálias, que é a palavra mais usada entre
eles.
Por outro lado, os torcedores os acompanham, e se contentam quando os seus clubes contratam um jogador, ou ganham um titulozinho aqui e acolá.
A sociedade esportiva sabe muito bem o comportamento dos dirigentes das entidades que comandam o futebol nacional, que se perpetuaram no poder e nunca mais largaram. Quando morre alguém, ou bate um cansaço, passam para os herdeiros do feudo. Ninguém reclama. Todos ficam calados.
Assim, tivemos a ideia de publicarmos uma petição pública para despertar a consciência do segmento, mas estamos encontrando dificuldades para a coleta de assinaturas, muito embora tenhamos o apoio de amigos dedicados, que estão lutando para tal objetivo.
A própria imprensa local desconheceu o fato e, por incrÃvel que pareça, fomos procurados por um jornal do estado do Paraná para falarmos sobre o tema.
Tudo isso reflete o sentimento de alienação do setor esportivo brasileiro, que se contenta com muito pouco do varejo e esquece a importância do atacado.
No dia de ontem, mais um ataque da Confederação Brasileira de Futebol contra os times da Série C, ao cortarem a verba de R$ 400 mil (antes era R$ 500 mil), que caberia a cada representante na competição, por conta do contrato com a televisão.
Sob a alegação de que estariam gastando muito com passagens e hospedagens, resolveram segurar tais recursos para que cobrissem as despesas da competição.
O mais vergonhoso está na reação dos cartolas. Submissos feitos cordeirinhos a serem imolados, poucas crÃticas foram ouvidas.
Na verdade, eles merecem, como todos os outros que dirigem clubes brasileiros, que sabem o que acontece e nada fazem para conter as mazelas e os desmandos.
Ricardo Teixeira foi o Deus do OlÃmpo do futebol muitos anos, com os cartolas aos seus pés, muito embora todos sabendo dos seus procedimentos e do acúmulo de riquezas, cuja origem eram as tetas das vacas de sua fazenda. Ele foi o primeiro produtor de ouro leiteiro do mundo.
Só foi derrubado por conta de um jornalista estrangeiro, uma vez que os nativos o amavam, e entre eles um que se apresentava na televisão com um babador, que foi transferido para o atual, que há pouco se apossou de um terreno público, cuja denúncia saiu e teve pouca repercussão.
A CBF nada em ouro, os salários pagos aos seus cartolas, e as benesses para os presidentes das Federações dariam para compor todas as despesas da Série C, inclusive com a entrega aos participantes dos recursos da TV, já que o dinheiro do futebol não pertence a essa entidade, e sim a todos que fazem os seus eventos.
Os cartolas merecem o que está acontecendo.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








