JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
No próximo dia 26, o Clube Náutico estará
iniciando a sua segunda participação seguida no Brasileirão. Surge então uma
pergunta sobre o assunto: Qual o planejamento que foi realizado no inÃcio da
temporada, que possa contemplar pelo menos a continuidade no grupo maior do
futebol nacional?
Pelo que estamos observando o alvirrubro perdeu cinco meses do ano em um estadual, sem pelo menos formatar um elenco para a disputa da competição maior. Partiu agora na busca do tempo perdido.
O Campeonato Brasileiro da Série A não difere dos demais realizados nas Ligas principais do planeta. São divididos em grupos, com aspirações diferenciadas.
São diversos ¨brasis¨ dentro de um só Brasil. São poucos com chances ao tÃtulo, alguns lutando pela Libertadores, outros para a manutenção na competição e batalhando contra o rebaixamento.
As desigualdades financeiras são gigantescas, e produzem um desequilÃbrio que dá um formato antecipado do que irá acontecer.
Clubes como o Náutico, Vitória, Bahia, Goiás, Criciúma, Ponte Preta, Atlético-PR e Portuguesa, formam o conjunto daqueles que participarão com maiores dificuldades, lutando inclusive contra o rebaixamentoo.
Por conta disso, é fundamental o planejamento, que visa inicialmente a alcançar o número de pontos necessários para fugirem do carrasco da degola. Depois do teto alcançado, outras metas deverão ser programadas.
Nas estatÃsticas dos últimos cinco anos, o ponto de corte foi de 44 pontos, com um aproveitamento de 38% dos 114 disputados.
Em uma estimativa, esses representam 13 vitórias e 5 empates, que deverão ser contempladas no projeto preparado para a competição.
Nos últimos 11 anos, dos 38 clubes rebaixados, apenas 5 saÃram da chamada elite do futebol (13,4%): Grêmio (2004), Atlético-MG (2005), Corinthians (2007), Vasco (2008) e Palmeiras, 2012, mas com as condições financeiras diferenciadas dos componentes da segunda divisão retornaram no ano posterior; os 33 restantes foram clubes intermediários, sendo que alguns no dia de hoje encontram-se em séries bem abaixo, inclusive sem nenhuma divisão.
O planejamento estratégico tem como foco os clubes intermediários, desde que esses são os inimigos potenciais nessa luta programada. Conquistas contra os de maior porte influenciam em muito a soma final da pontuação. O mando de campo deve ser bem analisado e programado para um maior rendimento, que será o fator principal para uma boa participação na competição.
Vivemos uma realidade mundial com a concentração de renda entre poucos contra os interesses da maioria, e isso motiva menores debacles entre os grandes clubes, impulsionando a queda de outros que vivem no sistema gangorra, no sobe e desce, quando não conseguem saborear a competição por mais de três anos seguidos.
O sistema mercantilista implantado no futebol brasileiro tornou os clubes intermediários, sobretudo os do Nordeste, como figurantes da divisão principal, numa luta incessante contra a queda e nunca por maiores objetivos.
Como acontece na sociedade, os pobres se contentam com um pequeno mimo e os grandes com um grande banquete, com direito a caviar.
Planejar certamente não pode ser considerado um pecado.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









