JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Por conta da repercussão de dois artigos postados
no dia de ontem sobre os técnicos de futebol e os clubes do Nordeste, recebemos
muitos comentários sobre o assunto, e um bom número de emails.
O mais importante é que o blog vem alcançando os seus objetivos, que é de fomentar o debate democrático e independente sobre o esporte nacional.
Anotamos alguns detalhes das mensagens recebidas, e essas vão ao encontro a nossa percepção sobre o assunto, quando destaca-se que o futebol evoluiu em termos técnicos e fÃsicos, e que não permite mais jogadores singulares com uma única função, o que aliás é um dos equÃvocos de nossos treinadores.
Não existe mais o que Scolari, bem atrasado, deseja, ou seja, um jogador na frente esperando a bola chegar para tentar o gol.
O futebol adotado em nosso paÃs não permite que o jogador pense. A valorização de um lateral ou um zagueiro é muito maior do que aqueles que atuam no meio, que são vistos como marcadores.
Os nossos amigos acham, e nós também, que o trabalho errado começa nas categorias de base, onde os futuros e promissores brucutus são preparados, sem a habilidade necessária. São lutadores de UFC.
Na realidade, o futebol brasileiro parou no tempo e no espaço, e ouvimos isso da parte de Paul Breitner, campeão mundial pela Alemanha, e de Paulo Autuori, técnico do Vasco da Gama.
Quem estuda a história do esporte nacional encontra gerações mais antigas que apresentavam um bom futebol. Na ocasião, éramos os melhores e mais respeitados no mundo da bola.
Quem poderá esquecer o Vasco da Gama na década de cinquenta; o Botafogo entre 56 e 64; o Santos nesse mesmo perÃodo; a Academia do Palmeiras; o Cruzeiro da década de 70; o Flamengo de 81/83; o melhor do São Paulo, com Cilinho e seus menudos, depois comandados por Telê Santana. Era um futebol de excelência, com grandes craques e que tratavam a bola com a devida reverência.
Se voltarmos no tempo em Pernambuco, lembramos de grandes times, como o do Sport na década de 50, do Náutico nos anos 60 e o Santa Cruz no perÃodo de 70. TÃnhamos grandes jogadores e excelentes jogos. Hoje morremos de inanição.
No Brasil moderno nos contentamos com Neymar e, em Pernambuco, nada se tem a destacar.
Essa é a realidade que temos, e que vamos continuar lutando para mudá-la, quando os treinadores passaram a odiar os craques, passes, dribles, optando por um jogo pragmático e preso que afugentou os torcedores dos estádios.
Chegamos a um ponto em que um atleta de um time adversário não aceita uma filigrana, uma lambreta, um drible da vaca, que embelezavam o futebol, e partem para a agressão quando essas jogadas são realizadas.
Trata-se sem dúvidas da vitória da mediocridade, que é a cara desse nosso Brasil.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








