JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A Ambev ocupou um espaço que foi aberto pelos
clubes gaúchos em seus projetos do sócio-torcedor e está lançando, em alguns
estados do Brasil, o ¨Movimento por um Futebol Melhor¨, que contempla a absorção
de novos sócios para diversos clubes brasileiros, ao mesmo tempo lhes garante
uma participação numa rede de descontos com mais de 600 marcas.
Embora tenhamos um sentimento que o álcool vem dominando os esportes, e certamente não é uma boa união, desde que o copo nada tem a ver com atletas, consideramos a iniciativa boa e que poderá dar uma consistência financeira aos clubes brasileiros.
Pernambuco também será contemplado com os seus três clubes, mas necessitam de um projeto bem elaborado, para que possa repassar para os associados uma reciprocidade nos serviços prestados pela troca das mensalidades pagas.
Os nossos clubes continuam capengando com relação aos seus quadros sociais, não conseguindo ultrapassar a barreira dos 10 mil, quando o potencial da demanda é muito superior a tai número.
Quando observamos a participação dos sócios-torcedores em alguns clubes do paÃs, verificamos o quanto esses estão incentivando as suas receitas. O Internacional é o lider há anos, com 82.924 sócios. A seguir, o Grêmio com 71.713, Corinthians, 52.647, Santos, 51.753, Coritiba, 33.300, Palmeiras, 23.200, Flamengo, 20.836, São Paulo, 19.772 e Fluminense, 16.106.
O Inter e o Grêmio, em 2012, tiveram uma arrecadação social acima de R$ 40 milhões, que são números bastante relevantes para um clube de futebol.
Temos uma previsão para o nosso estado de que o Sport possa ter entre 25 a 30 mil sócios, o Santa Cruz, entre 15 a 20 mil sócios e o Náutico entre 12 a 15 mil, levando-se em consideração o potencial de suas demandas.
O foco nas atividades dos sócios nos clubes modificou-se, e o crescimento do futebol na indústria de entretenimento motivou a necessidade do atendimento de uma demanda dos não sócios para integrá-los em seus quadros, mais precisamente para este esporte. Esse foi o mote para o sócio-torcedor, que os pernambucanos até hoje não entenderam.
Temos dito e repetido que o nosso estado tem dificuldades em solidificar um programa desse tipo, por conta da concorrência do programa Todos com a Nota, desde que a troca de bilhetes por ingressos reduz o potencial da absorção de sócios que terão que pagar a taxa de adesão, as mensalidades e os ingressos, e com esses subsidiados nada desembolsam.
Pelo menos entre os três clubes temos 30 mil torcedores que utilizam o ingresso governamental, e certamente, mesmo com a rede de descontos oferecidas a pré-venda exclusiva de bilhetes, os descontos que variam de 50% a 100%, dependendo do programa adotado, a economia é bem maior ficando fora do sócio torcedor.
O assunto requer uma análise bem acurada, que deverá juntar-se a um bom trabalho de marketing e um acompanhamento administrativo de profissionais competentes para que o processo possa atingir bons objetivos.
Os nossos dirigentes precisam entender a necessidade da criação de tais mecanismos, e sobretudo a de analisar o custo benefÃcio do programa Todos com a Nota e a influência desse na inscrição de novos sócios, que é sem dúvidas o caminho mais importante para a consolidação de suas receitas.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









