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O mapa da vergonha
postado em 26 de maio de 2013

PAULO VINÍCIUS COELHO - FOLHA DE SÃO PAULO


O presidente da CBF pede para fazerem o trabalho da entidade: difundir o futebol

O presidente da CBF, José Maria Marin, pediu criatividade aos administradores de estádios para evitar que se tornem elefantes brancos depois da Copa de 2014.

Marin se referia a soluções como a adotada por Santos e Flamengo, na primeira rodada do Brasileirão. Em vez de jogarem a estreia em seus campos, santistas e rubro-negros aceitaram o convite para atuar em Brasília.

Não é criatividade. É remendo.

Em outras palavras, o presidente da CBF pede aos administradores dos novos estádios para fazerem o trabalho da entidade: difundir o futebol. Espalhar a modalidade pelos quatro cantos do país é a missão de qualquer federação ou confederação.

A Série A começou ontem com 20 clubes de nove Estados diferentes. Significa que 18 partes da federação não são capazes de formar equipes para a disputar a elite do futebol brasileiro.

O mapa da primeira divisão do Brasileiro só tem o Goiás no interior do país e lembra a linha que separava a América espanhola da portuguesa, no Tratado de Tordesihas, assinado em 1492.

No século 15, Cabral ainda não havia descoberto o Brasil. No século 21, a CBF não descobriu o futebol brasileiro.

De todos os campeonatos de primeira divisão do mundo, o Brasileiro é o que menos ocupa seu território nacional.

A Espanha tem times de norte a sul, de leste a oeste, da Andaluzia à Galícia. O mesmo vale para os campeonatos de Portugal, França, Holanda, Itália, Inglaterra.

O futebol argentino sai pouco da região de Buenos Aires, não alcança o sul. O alemão tem clubes da parte ocidental, mas ainda sofre para incluir os orientais.

O Brasil joga em toda a faixa litorânea, chega a Goiás, mas não avança. Há milhões de quilômetros quadrados onde a bola não habita.

Não é absurdo levar a Copa do Mundo para Manaus só porque lá não existe um time de futebol de alto nível.

Absurdo é conformar-se que lá não há nem haverá equipes de primeira divisão. Não tentar mudar esse quadro.

É possível atrair o empresariado da Amazônia e colocar dinheiro no São Raimundo, no Rio Negro e no Nacional, que eliminou o Coritiba da Copa do Brasil.

Ou fazer o mesmo em Brasília, Cuiabá, Campo Grande, Vitória, no Espírito Santo.

Há três anos, quando se discutia a possibilidade de unificar os títulos nacionais, como a CBF fez, um argumento mentiroso informava que, como nos anos 60, o campeonato não tinha todos os Estados representados.

Não é verdade, porque há clubes de todos os pontos do país nas quatro Séries: A, B, C e D.

Mas não existe a perspectiva de ver clubes de todas as regiões na principal divisão do futebol brasileiro.

O certo não é levar paulistas e cariocas para jogarem nos estádios esquecidos, mas dar aos Estados abandonados a chance de sonharem em ter um clube na Série A nacional.

Pede-se criatividade para acabar com o Brasileirão exclusivo do litoral. Mas deve-se pedir a quem tem essa obrigação: o presidente da CBF.

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Artigos
Farsa ou tragédia?
postado em 26 de maio de 2013

Juca Kfouri - FOLHA DE SÃO PAULO


Mais um Brasileiro começa escondido. A cartolagem só pode agir assim de propósito

"O CAMPEONATO Brasileiro começou ontem. E às 18h10. Sem nenhuma pompa ou circunstância, como sempre, porque a CBF o trata como mera obrigação, nada que mereça promoção."

"Era para ter banda, esquadrilha da fumaça, fogos de artifício e luzes estroboscópicas. Mas começou às 18h30 do sábado, sem pompa nem circunstância (...)."

"Há quem ache que este começo chocho tem a ver com a proximidade da Copa do Mundo, a menos de um mês."

Não, rara leitora, raro leitor. Não pense que este colunista enlouqueceu de vez e está confundindo as bolas, ora dizendo que o campeonato começou numa hora, ora em outra e misturando alhos com bugalhos e frangalhos a tal ponto que trocou a Copa das Confederações pela Copa do Mundo.

Note que os três parágrafos que abrem estas mal-traçadas estão entre aspas. Explico.

O primeiro se refere à coluna sobre a primeira rodada do Campeonato Brasileiro em maio de 2007. O segundo, pelo mesmo motivo, na mesma época, em 2009. E o terceiro, idem ibidem, em 2010.

"E poderia ir buscar outras colunas na semana de abertura do Campeonato Brasileiro para comprovar que nada mudou e nada muda."

Sim, as aspas desta frase indicam nova repetição, copiada também de 2010. Acusará você, cheia ou cheio de razão que o jornalista precisa se reciclar, ser mais criativo, menos repetitivo.

Que, enfim, ele reproduz a cartolagem porque todo ano faz tudo sempre igual, mas é justo que se diga, a bem da verdade, que neste 2013 a CBF inovou: sua cúpula está em Londres. Preferiu o fecho da Liga dos Campeões da Europa à abertura do Brasileirão. Nada mais justo, não é não?

Quem ficou por aqui, no entanto, caprichou.

O jogo mais interessante da primeira rodada, entre o campeão paulistas e o carioca, acabou escondido no sábado à noite, só para TV fechada, embora com o Pacaembu tomado porque corintiano está indo ver seu time disputar até par ou ímpar.

Não há de ser nada. No ano que vem a história se repetirá, como farsa ou tragédia. Porque nem a história sabe mais se estamos mesmo diante de estúpidas repetições ou de algo tão absurdamente inédito, por afrontar o óbvio, que mereça destaque em homenagem ao desatino.

Enquanto isso, um obscuro político do PTB paulista propõe moção de apoio ao presidente da CBF.

Campos (de concentração?) Machado trata a verdade a porretadas, pois tenta desvincular a morte de Vladimir Herzog dos discursos de José Maria Marin, coisa que só fazem os ignorantes, os bajuladores, os de má-fé e/ou os fascistoides.

Pergunte aos jornalistas da TV Cultura de então, estamos falando de 1975, como repercutiam as falas desse tipo em suas casas e na Redação.

Pergunte aos carrascos da Oban como eles adoravam essas manifestações de apoio, como convites para agir.

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Brasileiro Série B
Para salvar a temporada
postado em 25 de maio de 2013

CLAUDEMIR GOMES


Sem o crédito e a confiança a torcida, o Sport estréia, hoje à tarde, no Brasileiro da Série B, enfrentando o Icasa, no estádio Romeirão, no Juazeiro do Norte. Teoricamente o rubro-negro pernambucano é um dos favoritos a conquistar uma das vagas de acesso à Série A.

Se alcançar a meta, a temporada estará salva para o clube da Ilha do Retiro. Afinal, os leoninos fracassaram na Copa do Nordeste, no Pernambucano e foram eliminados na segunda fase da Copa do Brasil.

O grande reforço do Leão neste início de disputa na Segunda Divisão nacional estará nas arquibancadas: o técnico Marcelo Martelotte, que foi campeão estadual com o Santa Cruz, e quinta-feira acertou sua transferência para o Sport. Esta se prenuncia como uma das edições da Série B com nível técnico mais baixo, fato que pode aumentar o grau de competitividade, uma vez que haverá um nivelamento das forças.

Palmeiras e Sport são os clubes cujos elencos têm maior valor de mercado, mas tal detalhe não garante vitórias num campeonato onde transpiração e doação são itens imprescindíveis para se lograr sucesso. O desafio inicial é assimilar o espírito da competição.

O Sport de Martelotte só será possível ver após a Copa das Confederações, uma vez que, antes da parada obrigatória por conta da competição internacional, o Leão só irá disputar seis partidas.

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Artigos
O testamento do falecido
postado em 25 de maio de 2013
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O TESTAMENTO DO FALECIDO


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Tudo correu dentro do previsível no velório do futebol pernambucano. As carpideiras funcionaram bem, receberam o seu pagamento, enquanto os cartolas compareceram devidamente e lamentaram o ocorrido, todos afirmando que perderam um jogo e que irão recuperar-se no próximo.

Como todo morto que se preza, o nosso defunto deixou um testamento para a sociedade esportiva de Pernambuco, com alguns fatos que, sem dúvidas, foram os responsáveis pelo seu falecimento.

Segundo o documento, a Federação de Futebol local era a 6ª no Ranking da CBF e, desde o ano de 2012, passou para o 8º lugar. Levou uma lambreta de Goiás e Santa Catarina. Isso abalou a sua saúde.

Não existiam torcidas organizadas nos bons tempos, e essas com sua violência e as benesses dos cartolas conseguiram tirar o bom torcedor dos estádios, levando o doente à UTI.

Os clubes foram descendo a ladeira e se apequenaram. O Sport, que foi grandioso na década de 90, mas, a partir de 2003, com o início da era dos pontos corridos, tornou-se um clube apenas local, com poucas participações na principal divisão nacional e apenas uma conquista pontual importante, que foi a Copa do Brasil de 2008.

Entre 2003 a 2013, o antigo e forte Leão participou 7 vezes da Série B e apenas 4 na Série A. Na Copa do Brasil, excetuando-se 2008, teve uma boa apresentação em 2003 onde chegou às semifinais, e nas demais essas foram  pífias. No estadual conquistou 6 títulos, que o tornaram um clube local.

O Náutico, que também foi grande, teve um caminho parecido com o seu rival rubro-negro. De 2003 a 2013, teve 5 participações na Divisão principal, e 6 na Segunda Divisão. Na Copa do Brasil o máximo que o clube conseguiu foram as oitavas de final, e no estadual amealhou no período 1 título. Uma campanha realmente aquém do antigo Náutico, e que escancara os seus problemas.

Com relação ao Santa Cruz, o testamento mostra um clube com uma curva descendente tão acentuada que ocasionou um grande desastre, quando, em 11 anos, só participou por uma vez da Série A Nacional e 3 na Série B. Frequentou a Série C em 2008, sendo rebaixado para a D nesse mesmo ano, onde ficou por três anos, voltando para a anterior onde encontra-se na segunda temporada.

Na Copa do Brasil, o tricolor nunca passou das oitavas de final, e no período conquistou 4 estaduais, tornando-se  também um clube local, e com pouca visibilidade nacional.

O documento ainda cita o programa Todos Com a Nota que emparedrou o desenvolvimento do futebol local, desde que os clubes tornaram-se reféns do sistema, e abandonaram a busca pelos torcedores. Isso foi um fator que prejudicou muito a sua doença.

O falecido mostrou no testamento uma tristeza com os clubes do interior, por conta da decadência que esses enfrentam, e tinha o Salgueiro como esperança, mas esse em dois anos saiu da Série B, para a D, onde encontra-se atualmente.

No seu texto final, o finado futebol pernambucano lamentou tais acontecimentos e deixou bem claro que a culpa por sua morte é totalmente dos cartolas, que o deixaram morrer por inanição, e não procuraram remédios corretos para salvarem a sua vida, afirmando que morria de forma melancólica, por ter sido um dia respeitado no Brasil e, de repente, foi jogado na rua da amargura e finalmente numa UTI.

Um testamento lúcido, registrado no Cartório de Títulos e Documentos, para que possa ser lido pelas novas gerações, como uma peça importante da história do esporte da chuteira de nosso estado.

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Acontece
A força do futebol alemão
postado em 25 de maio de 2013

RAFAEL REIS - FOLHA DE SÃO PAULO


Borussia Dortmund e Bayern de Munique fazem hoje, às 15h45, no estádio de Wembley, em Londres, uma decisão de Copa dos Campeões que já tem um vencedor definido: a Alemanha.

A primeira final germânica da história da maior competição interclubes do mundo transformou a seleção tricampeã mundial na maior candidata a desbancar a Espanha na Copa de 2014.

Afinal, os jogadores que estão na briga pelo título europeu formam a base do time dirigido por Jürgen Klopp.

Oito dos 11 titulares da Alemanha em sua última apresentação, a goleada 4 a 1 sobre o Cazaquistão, pelas eliminatórias do Mundial do próximo ano, em março, defendem Dortmund ou Bayern.

Seriam nove se o zagueiro Hummels, titular absoluto da equipe amarela e da seleção, não estivesse lesionado.

E mais quatro finalistas do torneio europeu ficaram no banco ou foram convocados.

HEGEMONIA

Em uma possível passagem de bastão, os times alemães tiveram de desbancar nas semifinais da Copa dos Campeões os clubes que formam a base da seleção hegemônica do últimos tempos, a Espanha, apenas atual campeã mundial e bi europeia.

O Bayern humilhou o Barcelona com um placar consolidado de 7 a 0 na soma dos dois jogos. E o Borussia deixou para trás o Real Madrid com uma goleada por 4 a 1 na ida e uma derrota por 2 a 0.

Esse será o primeiro título importante do futebol alemão, com clubes ou seleção, desde que o Bayern faturou a Copa dos Campeões de 2001.

Apesar do jejum de uma década sem troféus, o país já vinha fazendo muito barulho.

O próprio Bayern foi vice europeu em 2010 e 2012. A seleção, segunda colocada no ranking da Fifa, só perdeu na final da Eurocopa de 2008 e da Copa de 2002. Também terminou os dois últimos Mundiais na terceira posição.

Mais que isso: acabou com a imagem que sempre ostentou de praticar um futebol feio e pragmático para virar sinônimo de técnica e jogo ofensivo. Tudo isso graças a garotos como Thomas Müller, Götze e Reus, hoje atletas de Dortmund ou Bayern.

"Não é surpresa nenhuma para nós essa final. Será um clássico, sem favorito, com 50% de chance para cada", disse o zagueiro brasileiro Felipe Santana, do Dortmund.

A final tem cara de fim de era para o time, campeão europeu em 1997. Jürgen Klopp se tornou um dos técnicos mais desejados da Europa. Götze já foi negociado com o Bayern. Hummels, Reus e Lewandowski receberam propostas para trocar de clube e podem ampliar o desmanche.

Seu rival, em busca do quinto título, também passará por profundas alterações na próxima temporada. A principal, no banco.

Jupp Heynckes, 68, será trocado por Pep Guardiola, espanhol que marcou época no Barcelona e que desembarca a Munique com carta branca.

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