JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Tudo correu dentro do previsÃvel no velório do
futebol pernambucano. As carpideiras funcionaram bem, receberam o seu pagamento,
enquanto os cartolas compareceram devidamente e lamentaram o ocorrido, todos
afirmando que perderam um jogo e que irão recuperar-se no próximo.
Como todo morto que se preza, o nosso defunto deixou um testamento para a sociedade esportiva de Pernambuco, com alguns fatos que, sem dúvidas, foram os responsáveis pelo seu falecimento.
Segundo o documento, a Federação de Futebol local era a 6ª no Ranking da CBF e, desde o ano de 2012, passou para o 8º lugar. Levou uma lambreta de Goiás e Santa Catarina. Isso abalou a sua saúde.
Não existiam torcidas organizadas nos bons tempos, e essas com sua violência e as benesses dos cartolas conseguiram tirar o bom torcedor dos estádios, levando o doente à UTI.
Os clubes foram descendo a ladeira e se apequenaram. O Sport, que foi grandioso na década de 90, mas, a partir de 2003, com o inÃcio da era dos pontos corridos, tornou-se um clube apenas local, com poucas participações na principal divisão nacional e apenas uma conquista pontual importante, que foi a Copa do Brasil de 2008.
Entre 2003 a 2013, o antigo e forte Leão participou 7 vezes da Série B e apenas 4 na Série A. Na Copa do Brasil, excetuando-se 2008, teve uma boa apresentação em 2003 onde chegou à s semifinais, e nas demais essas foram pÃfias. No estadual conquistou 6 tÃtulos, que o tornaram um clube local.
O Náutico, que também foi grande, teve um caminho parecido com o seu rival rubro-negro. De 2003 a 2013, teve 5 participações na Divisão principal, e 6 na Segunda Divisão. Na Copa do Brasil o máximo que o clube conseguiu foram as oitavas de final, e no estadual amealhou no perÃodo 1 tÃtulo. Uma campanha realmente aquém do antigo Náutico, e que escancara os seus problemas.
Com relação ao Santa Cruz, o testamento mostra um clube com uma curva descendente tão acentuada que ocasionou um grande desastre, quando, em 11 anos, só participou por uma vez da Série A Nacional e 3 na Série B. Frequentou a Série C em 2008, sendo rebaixado para a D nesse mesmo ano, onde ficou por três anos, voltando para a anterior onde encontra-se na segunda temporada.
Na Copa do Brasil, o tricolor nunca passou das oitavas de final, e no perÃodo conquistou 4 estaduais, tornando-se também um clube local, e com pouca visibilidade nacional.
O documento ainda cita o programa Todos Com a Nota que emparedrou o desenvolvimento do futebol local, desde que os clubes tornaram-se reféns do sistema, e abandonaram a busca pelos torcedores. Isso foi um fator que prejudicou muito a sua doença.
O falecido mostrou no testamento uma tristeza com os clubes do interior, por conta da decadência que esses enfrentam, e tinha o Salgueiro como esperança, mas esse em dois anos saiu da Série B, para a D, onde encontra-se atualmente.
No seu texto final, o finado futebol pernambucano lamentou tais acontecimentos e deixou bem claro que a culpa por sua morte é totalmente dos cartolas, que o deixaram morrer por inanição, e não procuraram remédios corretos para salvarem a sua vida, afirmando que morria de forma melancólica, por ter sido um dia respeitado no Brasil e, de repente, foi jogado na rua da amargura e finalmente numa UTI.
Um testamento lúcido, registrado no Cartório de TÃtulos e Documentos, para que possa ser lido pelas novas gerações, como uma peça importante da história do esporte da chuteira de nosso estado.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







