JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Na série em que a Pluri Consultoria aborda a
crise de público nos estádios brasileiros, mais uma análise nos foi apresentada.
Dessa vez relacionada aos preços dos ingressos no Brasil e seu patamar atual em
confronto com o mercado internacional.
Estudamos o trabalho, e conforme se constatou o preço dos ingressos mais baratos subiu 300% nos últimos 10 anos, perÃodo em que a inflação medida pelo IPCA-IBGE foi de 73%, a Cesta Básica, 84% e o Salário MÃnimo aumentou 133%.
Sem dúvidas uma superinflação, e de maneira grotesca, desde que essa alta ocorreu em um ambiente de jogos de baixa qualidade, muitos disputados em estádios em situação precária e sem conforto para os torcedores.
Alguns ¨sábios¨ do futebol tentam justificar esse incremento irreal. Um deles é a de que preços baixos ¨desvalorizam¨ o produto¨. Existe uma resposta pronta para tal afirmação, ou seja, ¨Não existe nada pior para o futebol do que um jogo ruim disputado em estádio vazio¨.
Outras alegações para os preços altos estão relacionadas aos custos do futebol, ou então para estimular os torcedores a se tornarem sócios dos clubes, através do programa sócio-torcedor, que em algumas equipes têm dado bons resultados.
Na verdade, existem ¨jogos e jogos¨. Um estadual não pode ter os mesmos preços de uma Copa do Brasil, do Brasileiro e de uma Libertadores, e a diversificação deveria ser aplicada em todas as competições, com divisões nos estádios, contemplando vários tipos de ingressos.
Isso é chamado de polÃtica de flexibilização de preços, que os cartolas certamente não entendem.
Quando se uniformiza e cobra caro, o consumidor escolhe aqueles eventos a que irão assistir, e os jogos mais importantes são os definidos.
Nas análises procedidas pela Pluri, foi ressaltado que encher os estádios deveria ser prioridade total do clube, mesmo que para isso seja necessário praticar preços de ingressos mais baixos inicialmente.
Entendemos que se utilizando desse procedimento, o aumento da demanda seria maior do que a oferta, e daà a permissão para aumentar os valores dos ingressos para dar o contrabalanço. à a lei mais antiga do mundo, da Oferta e da Procura, que o futebol conseguiu desmoralizar.
Alguns dados foram apresentados para ilustrar o trabalho e entre esses destacamos a relação do aumento dos preços em real/dólar/euro. Em 2003, o ingresso era de 9,50, correspondendo a 2,44 euros e US$ 2,76. Já em 2013 temos a seguinte relação, R$ 38,00 (ingresso médio), 14,77 (euros) e 19,12 (dólares).
Outros dados comparativos também são interessantes, tais como: Ingressos (300% de aumento), Renda-Per-Capita (167%), BIG MAC (128%), Renda Média do Trabalhador (37%) e a Gasolina (30%).
Os números são bem claros e que representam uma realidade, a de que os ingressos do futebol tiveram uma superinflação, bem acima dos demais itens da economia nacional, e que os nossos dirigentes conseguiram derrotar a mais antiga lei econômica do mundo: a da Oferta e Procura.
São uns ¨gênios¨, candidatos ao Prêmio Nobel da Economia.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










