JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Vivemos em um paÃs onde o tomate é o responsável
pela inflação, que Ronaldo é considerado a salvação do futebol, onde um negócio
como Big Brother é atração e dá audiência.
Precisamente em 1962, ingressávamos numa luta para melhorar o paÃs e tirá-lo do subdesenvolvimento que se encontrava. Veio 1964 e todos os sonhos foram ceifados pelos fuzis, prisões e mortes acontecidas por mais de duas décadas.
O sonho não acabou, mas está demorando a chegar, com um atraso de 49 anos. Embora houvesse um crescimento na parte econômica, deveria ter se refletido melhor na sociedade, que não pode viver do engodo de uma classe média no papel, e com renda de R$ 250. Uma grande peça publicitária.
Dentro desse contexto, o cupim da corrupção tomou conta do processo, e construiu sua casa em diversos segmentos, e está ajudando a destruir os seus alicerces.
O futebol brasileiro que foi grandioso, embora com maiores recursos, apodreceu, com os clubes apresentando débitos vultosos, com gestões atabalhoadas que os levaram a isso, e principalmente sem nenhuma fiscalização, nem cobranças.
Todos os segmentos têm as suas agências reguladoras, mas o futebol, como em tudo, é isento de tais órgãos, e continua dando péssimos exemplos.
Quem fiscaliza os esportes no Brasil? Respondemos: Conselhos Fiscais, indicados pelos dirigentes, que assinam sem a análise dos documentos apresentados. Por outro lado, uma auditoria externa paga pelas próprias entidades, e que se torna incapaz de criticar a realidade do que lhes é apresentado.
O Flamengo nos deu recentemente a melhor mostra da falta de fiscalização, quando uma auditoria independente, contratada para tal, apresentou um débito acumulado de R$ 750 milhões, que já vinha se avolumando por várias gestões.
Ninguém viu. Nenhuma providência foi tomada, um descontrole total, demonstrado em um item do seu balanço, adiantamentos, no valor de R$ 9 milhões, sem especificações e comprovantes.
No mandato de Patricia Amorim, foram tomados empréstimos de R$ 84 milhões, com as garantias dos direitos de televisão, e tais recursos voaram em contratações mirabolantes, sem o retorno necessário.
Ninguém sabia nem via o que estava acontecendo. Os clubes ganharam mais dinheiro, porém de nada adiantou, os cinco mais endividados somam acima de R$ 2 bilhões, e entre esses, o Flamengo e os seus rivais cariocas.
Não entendemos que não exista procedimentos de fiscalização nessas entidades. Pintam, bordam e nada acontece. Temos um exemplo especial em que o dinheiro público é o maior patrocinador do futebol, que é o estado de Pernambuco, e o Tribunal de Contas do Estado deveria proceder com uma auditoria permanente entre aqueles que recebem os incentivos públicos, mas não o faz.
Como o clube da Gávea existem dezenas e dezenas em nosso paÃs, que vivem acima da lei e da ordem, sem ninguém para acompanhá-los, continuam a cometer os desatinos, que um dia certamente terá que parar, e aà será muito tarde.
Quando se fala em Agência Reguladora, o Ministro Aldo Rebelo pula da cadeira, porque não deseja algo que possa diminuir as luzes dos seus holofotes e, por conta disso, continuamos a viver com Tatoo na Ilha da Fantasia.
Na verdade, o futebol é um grande produto, e que por problemas de estocagem, tornou-se bichado.
Enquanto isso, Marin, o homem mais puro do Brasil, segundo Evandro Carvalho, presidente de nossa Federação, continua serelepe, comprando uma sede de R$ 39 milhões, por R$ 70 milhões.
São coisas de um Brasil Tupiniquim, onde o tomate é o grade vilão.
Estão sim, pisando nos tomates do futebol nacional.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








