Histórico
Denúncia
Investigado, Leoz renuncia à Conmebol
postado em 24 de abril de 2013
FOLHA DE SÃO PAULO


O paraguaio Nicolás Leoz, 84, informou que deixará no dia 30 deste mês a presidência da Conmebol, entidade que comanda o futebol na América do Sul. Ele também renunciou, de maneira imediata, ao cargo que ocupa no Comitê-Executivo da Fifa. Os motivos alegados foram problemas de "saúde e pessoal".

Além da saúde -- Leoz passou por cirurgia no coração em São Paulo, em novembro de 2012--, a Folha apurou que a decisão estaria ligada à menção do seu nome no relatório final do caso ISL, a ser divulgado pelo comitê de ética da Fifa nos próximos dias.

A conclusão do processo foi entregue há poucas semanas pelo americano Michael J. Garcia, chefe de investigação do comitê criado pela Fifa no ano passado. O documento está com Hans-Joachim Eckert, juiz do mesmo comitê. A Fifa informou que Eckert teria que anunciar sua decisão até 15 de abril, mas pediu mais alguns dias.

A falida ISL, empresa de marketing esportivo parceira da Fifa nos anos 90, foi investigada pela Justiça suíça por ter pago propina a dirigentes em troca de facilidades na obtenção de contratos.

Em julho do ano passado, foi divulgado que os brasileiros João Havelange, presidente honorário da Fifa, e Ricardo Teixeira, ex-mandatário da CBF, receberam R$ 45 milhões em subornos. Eles nunca comentaram o caso.

Teixeira havia renunciado a seus cargos na CBF e na Fifa quatro meses antes, em movimentação parecida com a que faz agora Leoz.

A análise interna na Fifa é que o comitê não tem poder de banir ninguém neste caso, porque os pagamentos ocorreram antes de existir as normas para essas condutas.

O juiz então faria recomendações ao Comitê-Executivo, este sim com poder de expulsar membros, algumas envolvendo o próprio Leoz. Ciente de que isso pode ocorrer nos próximos dias, ele, já abalado pelos problemas de saúde, decidiu deixar tudo.

Na documentação levantada pela Justiça suíça, segundo a "BBC", Leoz é acusado de receber US$ 730 mil da ISL em negociações referentes a contratos de televisão.

Leoz dirigia a Conmebol desde 86 e será sucedido pelo uruguaio Eugenio Figueredo, vice. Será indicado nesta semana o novo representante sul-americano na Fifa --são três vagas para o continente, as outras preenchidas por Marco Polo Del Nero, da CBF, e Julio Grondona, presidente da Associação Argentina.

Ontem, durante o anúncio da decisão, na sede da Conembol, em Assunção, Del Nero e o presidente da CBF, José Maria Marin, estavam ao lado de Leoz. A dupla brasileira busca espaço na entidade, que tem como homem- -forte o argentino Grondona.

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Campeonato Pernambucano
Aprendendo com o erro
postado em 23 de abril de 2013


Árbitro dá recado ao atacante Rogério sobre faltas duras "Acabou" Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem


CLAUDEMIR GOMES


Adotar o número de cartões como critério de desempate nas semifinais do Pernambucano foi um erro. Isto é fato. Porém, disputados os jogos de ida, em que pese à notória intimidação dos árbitros em aplicar o que determina a regra, vimos que é possível aprender com os erros.

No segundo turno a média foi de seis cartões por partida. Domingo, no clássico - Santa Cruz 1x0 Náutico - o árbitro, Gleydson Leite, fez duas advertências com cartão amarelo. Em Caruaru, na goleada - 5x1 - do Sport sobre o Ypiranga, Nielson Nogueira, aplicou três cartões.

É certo que os apitadores se sentiram pressionados com a sobrecarga de responsabilidade posta em seus ombros, mas é importante ressaltar que os jogadores evitaram o antijogo. Nos dois confrontos não se viu jogador exagerando nas comemorações, tirando camisa e outras pantomimas; goleiro demorando mais que o necessário para colocar a bola em jogo.

Enfim, vícios tão comuns, e que travam a partida, fazendo com que o tempo de bola parada durante os 90 minutos seja tão expressivo, foram coibidos pelo medo dos atletas em prejudicar os clubes. O tempo de bola correndo em relação aos clássicos disputados anteriormente aumentou em 30%.

O espetáculo ganha com menos cartões, menos catinga, menos falta. Quem sabe, um dia, isto venha a ser produto da consciência dos jogadores. Por enquanto foi uma imposição pela ameaça da punição existente no regulamento.

É feito o cinto de segurança, o motorista brasileiro só passou a usá-lo por medo da multa.

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Artigos
Falta de transparência
postado em 23 de abril de 2013
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, FALTA DE TRANSPARÊNCIA


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O jornalista Claudemir Gomes, colunista do jornal Folha de Pernambuco, chamou-nos a atenção para o que estava publicado no dia de ontem na coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, com relação aos novos contratos firmados pela CBF.

Realmente são duas notas pequenas e que poderão dar sem dúvidas uma boa postagem para mostrarmos mais uma vez a maneira como o futebol brasileiro é dirigido, sem a menor transparência.

Segundo a coluna, os direitos comerciais dos amistosos da seleção da CBF até 2022 tem novo dono. A Full Play, empresa argentina, comprou-os da CBF por oito anos, contados a partir de 2015.

Essa empresa pertence ao dois empresários de futebol, que trabalham com jovens valores, Hugo Jinkins e Ricardo Consertino, e possuem em suas mãos quase todas as competições da Conmebol, inclusive a Copa América.

A companhia de Leoz já não agrada, mas o sistema implantado é esse e todos concordam e ficam com a cabeça enfiada na terra. São os avestruzes humanos.

O que estranhamos é ausência de transparência para uma operação que repercute altos valores, principalmente pela ausência de uma licitação internacional, para que se pudesse definir quais as propostas se encaixariam de maneira mais positiva para a entidade.

Também não entendemos o açodamento as escondidas, quando o contrato só irá vigorar a partir de 2015, e nessa ocasião, o comando da entidade estará em outras mãos.  Temos a certeza que serão mais saneadas, e o bom senso deveria imperar, para que o novo presidente tivesse condições de discutir um contrato tão longo como esse.

Por outro lado, o que nos incomoda é que a entidade já recebeu receitas antecipadas por conta desse contrato no valor de R$ 680 mil, que certamente pouco somou às aplicações financeiras que tem nos bancos brasileiros. O mesmo vício dos cartolas, quando antecipam receitas futuras, e no final essas poderão fazer falta no momento necessário.

Outra antecipação estranha de receitas, também foi procedida pela CBF, quando a Kleffer, do Kleber Leite, amigo do fugitivo Teixeira, antecipou recursos no valor de R$ 5,86 milhões dos direitos comerciais da eliminatória do Mundial de 2018 e da Copa do Brasil de 2015 (masculina e feminina).

Certamente o futebol brasileiro vem sendo mal gerido, e dando cobertura a outros interesses não institucionais. Uma entidade, embora privada, não pode negociar em nome de uma seleção que para todos leva o nome do Brasil, com as cores de nossa bandeira, valores sem receberem propostas de concorrentes do segmento.

Quantos recursos poderiam ser ganhos e aplicados no futebol nacional, se houvesse uma disputa salutar, séria, e com propostas que apresentassem uma maior viabilidade financeira? Não podemos aceitar que um pequeno número de ungidos sejam os donos das negociações, que soam bem de forma estranha, principalmente por conta dos currículos daqueles que estão no poder.

O que pesa mais é que as manifestações sobre o assunto são apenas pontuais, como as do jornal Folha de São Paulo, e os clubes, os mais interessados, calam-se, submissos a um poder corroído pelo cupim, e assistem passivamente aos acontecimentos.

Falta à nossa sociedade o conhecimento de fatos como esses, para que pudesse haver um maior debate e  possivelmente uma reação, mas infelizmente vivemos em um mundo, que se encaixa com o pensamento do filósofo espanhol Ortega Y Gasset, quando ele dizia que o homem do seu tempo (século XX), quando queria saber de algo, perguntava para a pessoa de seu lado, e tendo a resposta  ele assumia.

Isso acontece também em nosso século, quando alguns pensam e reagem, mas os demais seguem em comboio como gado para abate, acomodados com relação ao seu destino final.

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Artigos
A era dos beques
postado em 23 de abril de 2013

LÚCIO RIBEIRO - FOLHA DE SÃO PAULO


Incrível, mas o Brasil está invertendo a máxima "a melhor defesa é o ataque". Para uma escola de futebol que sempre se gabou de seus históricos camisas 10 ou de sua lista de atacantes "melhores do mundo", vivemos a hora dos defensores superstars. Beque is beautiful.

Thiago Silva, uma das contratações mais caras do novo-rico Paris Saint-Germain, é considerado o melhor zagueiro do mundo. Aliás, o PSG pode armar a defesa quase só com brasileiros, pois ainda tem Alex, ex-Chelsea, e Maxwell, ex-Barça.

Mais de 3.000 cruzeirenses não podem estar errados quando, em meio de semana, vão ao aeroporto receber o Dedé, no maior negócio de um defensor do futebol brasileiro. Recepção digna de um homem- -gol para um homem-não-gol.

O ex-Vasco vai atuar no Estado da melhor zaga do Brasil: os atleticanos Réver e Léo Silva, as "Torres Gêmeas" do Galo (ambos com 1,92 m), que seguram a bronca lá atrás quando o ótimo ataque do maestro Ronaldinho não garante na frente. E os dois não raro dão uma força para o R10. Réver, por exemplo, está a um gol de se tornar o maior zagueiro artilheiro da história do Atlético-MG, igualando-se a Luizinho com 21 gols. Pelo Mineiro, no clássico contra o América, marcou três!

Réver e Léo Silva compõem a melhor zaga, mas o melhor time do país é o Corinthians, onde joga Gil. O zagueiro chegou ao campeão mundial agora, assumiu a titularidade e é mais elogiado que Pato (banco) e Renato Augusto (machucado).

Até o beque Henrique consegue ser selecionável e despertar interesses (como o do Cruzeiro, para jogar com Dedé) estando num time tão vulnerável como o atual Palmeiras.

Hoje, no jogo dos dois principais times do mundo pela Champions League, o principal jogador do mundo vai certamente esbarrar no brasileiro Dante, do Bayern. Dante estreou na seleção neste ano fazendo parceria de setor e de cabelos gozados com David Luiz, o zagueiro "maluco" do Chelsea, o atual beque campeão da Champions League.

Amanhã, provavelmente no banco do Borussia Dortmund, louco para entrar e encarar o incrível Cristiano Ronaldo, vai estar o zagueiro brasileiro Felipe Santana. O time alemão só pega o Real Madrid em semifinal de Champions graças ao gol aos 48 min do segundo tempo de seu "amuleto" brasileiro. Santana, que é apelidado de Telê no time por causa do sobrenome, foi chamado nos jornais alemães de "Santana Man", o super-herói pronto para salvar o Dortmund quando chamado.

O problema de Felipão (ele próprio um ex-beque) para 2014 não deverá ser a zaga. Conhecendo-o como a gente conhece e a partir da entrevista que saiu aqui na Folha ontem sobre como ele vê os "volantes ofensivos", não espantaria se o técnico jogasse com três zagueiros dessa safra, transformando o David Luiz num possível Edmilson-2002.

Só conjecturando.

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Os gestores da vergonha e do caos
postado em 22 de abril de 2013

POR JOSÉ CRUZ


O governo federal, o Comitê Olímpico Brasileiro e todos os órgãos gestores do esporte estão desmoralizados.

Os dois primeiros ministros, Agnelo Queiroz e Orlando Silva, também.

Eles fecharam os olhos à farta corrupção no Ministério do Esporte.

Mais de R$ 60 milhões foram roubados.

A história dessas fraudes está em processos na Controladoria Geral da União.

Em entrevista ao Esporte Espetacular, o ginasta de ouro Arthur Zanetti, declarou-se decepcionado com os rumos do nosso esporte olímpico.

Por isso, poderá competir por outro país.

"Aqui não há condições de treino. Falta tudo", afirmou.

Ele escancarou, mais uma vez, a falência de nosso sistema de alto rendimento, a três anos dos Jogos Rio 2016, os tais "Jogos da demolição".

Isso acontece apesar dos bilhões que o governo injeta no setor: R$ 6 bilhões no último ciclo olímpico.

Zanetti repete o desânimo de fenômenos mais recente, como Joaquim Cruz, Gustavo Kuerten, Cesar Cielo, Daiane dos Santos, Maurren Maggi e por aí vai.

O Brasil esportivo, por incompetência e omissão de seus gestores não aproveitou esses raros exemplos para lançar um plano de evolução aos novos talentos, a partir dos ídolos campeões.

O "fenômeno Guga", tricampeão no Aberto da França, é exemplar. Encerrou sua era no esporte profissional e não aproveitamos a influência de seus resultados para evoluir na modalidade.

Vergonha!

Agnelo e Orlando, os dois primeiros ministros do Esporte, envolveram-se em corrupção e não honraram a história do partido que representavam, o PCdoB. Há dezenas de processos com denúncias de falcatruas para as quais fecharam os olhos.

Aldo Rebelo é uma decepção. Não consegue sequer montar equipe confiável, capaz de usar adequadamente os bilhões de reais disponíveis para o alto rendimento.

Sobre Carlos Nuzman: equilibra-se no poder por logos anos, explorando os valores olímpicos, hoje transformados em bilionário comércio.

Foi incapaz de manter um diálogo aberto, sistemático e efetivo com todos os organismos beneficiados com verbas públicas, para tentar dar rumo à desordem institucionalizada.

O tempo passou, o dinheiro sumiu e os resultados no alto rendimento são pífios.

Agora, a pretexto de "modernidade", espaços esportivos estão à disposição dos predadores, disfarçados de investidores, para demolições históricas.

Atletas, técnicos, instituições esportivas, políticos, enfim, silenciam e se tornam cúmplices da desordem e do desperdício.

O esporte no Brasil está em profunda crise institucional e gestão financeira altamente suspeita de corrupção.

O protesto de Arthur Zanetti faz sentido e se ele se mandar, de fato, a responsabilidade será dos incompetentes gestores da vergonha e do caos.

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