JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O jornalista Claudemir Gomes, colunista do jornal
Folha de Pernambuco, chamou-nos a atenção para o que estava publicado no dia de
ontem na coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, com relação aos novos
contratos firmados pela CBF.
Realmente são duas notas pequenas e que poderão dar sem dúvidas uma boa postagem para mostrarmos mais uma vez a maneira como o futebol brasileiro é dirigido, sem a menor transparência.
Segundo a coluna, os direitos comerciais dos amistosos da seleção da CBF até 2022 tem novo dono. A Full Play, empresa argentina, comprou-os da CBF por oito anos, contados a partir de 2015.
Essa empresa pertence ao dois empresários de futebol, que trabalham com jovens valores, Hugo Jinkins e Ricardo Consertino, e possuem em suas mãos quase todas as competições da Conmebol, inclusive a Copa América.
A companhia de Leoz já não agrada, mas o sistema implantado é esse e todos concordam e ficam com a cabeça enfiada na terra. São os avestruzes humanos.
O que estranhamos é ausência de transparência para uma operação que repercute altos valores, principalmente pela ausência de uma licitação internacional, para que se pudesse definir quais as propostas se encaixariam de maneira mais positiva para a entidade.
Também não entendemos o açodamento as escondidas, quando o contrato só irá vigorar a partir de 2015, e nessa ocasião, o comando da entidade estará em outras mãos. Temos a certeza que serão mais saneadas, e o bom senso deveria imperar, para que o novo presidente tivesse condições de discutir um contrato tão longo como esse.
Por outro lado, o que nos incomoda é que a entidade já recebeu receitas antecipadas por conta desse contrato no valor de R$ 680 mil, que certamente pouco somou à s aplicações financeiras que tem nos bancos brasileiros. O mesmo vÃcio dos cartolas, quando antecipam receitas futuras, e no final essas poderão fazer falta no momento necessário.
Outra antecipação estranha de receitas, também foi procedida pela CBF, quando a Kleffer, do Kleber Leite, amigo do fugitivo Teixeira, antecipou recursos no valor de R$ 5,86 milhões dos direitos comerciais da eliminatória do Mundial de 2018 e da Copa do Brasil de 2015 (masculina e feminina).
Certamente o futebol brasileiro vem sendo mal gerido, e dando cobertura a outros interesses não institucionais. Uma entidade, embora privada, não pode negociar em nome de uma seleção que para todos leva o nome do Brasil, com as cores de nossa bandeira, valores sem receberem propostas de concorrentes do segmento.
Quantos recursos poderiam ser ganhos e aplicados no futebol nacional, se houvesse uma disputa salutar, séria, e com propostas que apresentassem uma maior viabilidade financeira? Não podemos aceitar que um pequeno número de ungidos sejam os donos das negociações, que soam bem de forma estranha, principalmente por conta dos currÃculos daqueles que estão no poder.
O que pesa mais é que as manifestações sobre o assunto são apenas pontuais, como as do jornal Folha de São Paulo, e os clubes, os mais interessados, calam-se, submissos a um poder corroÃdo pelo cupim, e assistem passivamente aos acontecimentos.
Falta à nossa sociedade o conhecimento de fatos como esses, para que pudesse haver um maior debate e possivelmente uma reação, mas infelizmente vivemos em um mundo, que se encaixa com o pensamento do filósofo espanhol Ortega Y Gasset, quando ele dizia que o homem do seu tempo (século XX), quando queria saber de algo, perguntava para a pessoa de seu lado, e tendo a resposta ele assumia.
Isso acontece também em nosso século, quando alguns pensam e reagem, mas os demais seguem em comboio como gado para abate, acomodados com relação ao seu destino final.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








