JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A propaganda institucional do governo brasileiro
para a Copa do Mundo, terá como tema principal ¨A Pátria de Chuteiras¨, uma
frase do jornalista e escritor Nelson Rodrigues.
Trata-se de um ufanismo do tipo ¨Ame-o ou Deixe-o¨, e que não retrata a realidade brasileira. Hoje podemos ser a pátria de tudo, menos a das chuteiras, que a cada dia estão sendo mais desmoralizadas.
O mais contraditório é que um governo que se diz de esquerda (se é que isso exista no Brasil), adote uma frase de um dos maiores e conscientes direitistas que já existiu em nossa história. Nelson Rodrigues era um gênio nas letras, e defendia com honestidade as suas posições polÃticas da época, totalmente reacionárias.
As chuteiras já foram destruÃdas há muito pelo sistema implantado no futebol brasileiro, e a sua seleção reflete essa realidade, com a mediocridade no campo de jogo.
Não existe planejamento. Há três anos que procuram um time para a Copa do Mundo e ainda não o encontraram. Por uma ironia do destino e a insensatez dos cartolas, quando estava formatando-se a sua cara com o treinador anterior, Mano Menezes, esse foi demitido, dando lugar a um outro que tinha rebaixado o Palmeiras.
Não existe uma programação efetiva para que se possa chegar aos objetivos finais. Amistosos são realizados sem nenhum sentimento de retorno, pois servem apenas para encher as burras de alguns privilegiados que tomaram de assalto o esporte em nosso paÃs.
A grande mÃdia, alienada não por burrice e sim por necessidade, continua com os mesmos procedimentos ufanistas, e pensando que ainda somos os melhores do mundo. Tudo isso para não mostrar que venderam aos patrocinadores um gato magro no lugar de uma lebre gorda.
O torcedor começa a despertar da anestesia que envolveu a sociedade brasileira e reage com suas vaias, como aconteceu na última quarta-feira no Mineirão, no jogo CBF x Chile. Finalmente estão entendendo que a Ilha da Fantasia de Galvão Bueno não existe, e que estamos enterrados em um abismo maior do que o Grand Canyon americano.
O Chile, com um time B, igual ao nosso, deu uma aula de futebol, o que para nós não foi surpresa, por conta do seu treinador, Jorge Sampaoli, velho conhecido dos brasileiros, e que é um dos bons estrategistas do mundo futebolÃstico.
Usou os seus conhecimentos e emparedrou Scolari, que ainda pensa que está no ano de 2002. Estacionou.
Nada podemos esperar de uma seleção que sai de uma entidade carcomida e fétida, e cujos dirigentes lá estão com um único objetivo, o de viver a Dolce Vita, com os recursos do nosso futebol.
Quem estava esperando utilizar a Copa do Mundo como plataforma eleitoral pode cair do cavalo, desde que, da maneira que seguimos, dificilmente conseguiremos o tÃtulo, a não ser que seja convocado Marcos Valério e Delubio Soares para resolverem o problema.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








