JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O que faz alguns atletas esticarem o encerramento
de suas carreiras?
Saber parar em uma atividade profissional, não é muito fácil para as pessoas que enfrentam esse dia que cedo ou tarde terá que chegar.
Para um atleta essa realidade é muito mais dura, e às vezes a insistência em lutar contra o inevitável o leva a jogar por fora muito daquilo que acumulou em suas perfomances anteriores.
Lemos uma frase do ex-atleta Paulo Roberto Falcão, respondendo a uma pergunta do jornal Diário de Minas, e que retrata muito bem esse assunto.
¨O jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar¨, declarou Falcão.
Nada mais correto para que possa situar a realidade dos jogadores que passam dos 30 anos e começam a perceber que estão se aproximando do dia de pendurar as chuteiras.
O ex-jogador da verdadeira Seleção Brasileira, que já foi comentarista de TV e hoje tenta a sorte como treinador, nos deu uma avaliação importante para que possamos entender alguns atletas que mesmo sem a resposta do corpo ainda insistem nas suas permanências nos esportes.
Segundo Falcão, os jogadores vivem um personagem- e como tal crêem que a vida dos holofotes vai ser eterna. ¨O futebol tem muita gente envolvida. Amigos, mÃdia, assédio, exposição...à preciso saber que isso não é para sempre. Para evitar o impacto, ele precisa ter convivência com pessoas de fora desse mundo, se preocupar com a postura longe dos gramados, fazer sempre uma autoanálise¨, destaca o ex-jogador.
São palavras bem colocadas e que oferecem subsÃdios para todos que enfrentam ou irão enfrentar tais problemas.
Quando abordamos esse assunto, estávamos pensando em Rivaldo, que sem dúvidas foi um dos melhores jogadores do futebol brasileiro e mundial, atuando por grandes equipes, inclusive o Barcelona, onde foi escolhido o melhor jogador do mundo pela FIFA, além de ter sido campeão do mundo pela seleção da CBF.
Certamente um currÃculo invejável e que não deve ter entendido que o momento é o de parar, antes que sua história possa apequenar-se.
Jogando hoje em um time de Série B, o São Caetano, que vem lutando contra o rebaixamento em um estadual sem grandes emoções, Rivaldo não terá nenhum ponto alto a acrescentar em sua excelente biografia, que poderá ficar arranhada se o seu time for rebaixado.
Trata-se de um caso bem latente da falta de um preparo para a aposentadoria, desde que financeiramente o atleta está muito bem, mas a cabeça ainda o leva a insistir na sua manutenção como atleta, embora o seu corpo não mais corresponda.
Na verdade alguns atletas que insistem em continuar jogam por amor, mas a maioria é por necessidade, principalmente aqueles que sempre estiveram longe dos grandes salários, que passaram as suas vidas em time do interior, e que não se prepararam financeiramente para esse dia, e não sabem como proceder.
Um dia a situação não mais permite, e a hora de parar tornar-se-á inevitável, e para tal todos precisam de uma boa preparação, para que possam superar uma morte em plena vida.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









