JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Existe um ditado que representa tudo que
aconteceu com o futebol pernambucano: ¨Pau que nasce torto, cresce torto¨ . Nada
mais real para demonstrar os desmantelos que aconteceram antes e durante o
Workshop do Litoral Norte.
Começamos com um regulamento que não foi aprovado, portanto sendo ilegal. Apenas 19 artigos foram discutidos no Conselho Técnico, e os complementos vieram a posteriori, sem a reunião desse órgão, assinada por todos os representantes dos clubes.
Em seguida, o site da Federação de Futebol publicou a Resolução 073/2012, que o completava, disciplinando os critérios do desempate da fase semifinal, sendo citado que isso tinha sido aprovado pelos clubes disputantes.
Depois desapareceu, e no seu lugar foi publicado integralmente as Normas do Workshop, assinadas pelos filiados.
Como a Resolução 073/2012 estava aprovada pelos disputantes, se depois acordaram com algo contrário?
Odorico Paraguaçu na sua Sucupira iria dizer que ¨isso foi obra da esquerda comunista, marronzista e borderneto¨.
A publicação foi no final de novembro, eivada de erros, e sem que os filiados fizessem nenhuma retificação, assim como o gabinete da própria entidade.
Começou o Workshop, com um turno fictÃcio, do nada para o nada. Os clubes jogaram 720 minutos cada um, sem objetivos. Brincaram de fazer futebol.
Odorico Paraguaçu, em sua Sucupira, poderia traduzir o problema da seguinte maneira: ¨Como diria o rei dos persas, Dario Peito de Aço, para cada problemática tem uma solucionática. Se não disse, perdeu a oportunidade de ser citado por mim¨.
Começaram então inflar o público, e o nosso blog denunciou. Voltaram a realidade e o número de torcedores sumiu, depois de uma reunião com representantes do programa Todos com a Nota.
Depois desse brilhante turno, começou o returno, com uma tabela dando uma pequena ajudinha ao Santa Cruz. Foi correndo devagar, e quando os finalistas foram conhecidos começaram os problemas.
A decisão para que se pudesse conhecer o finalista poderia ser pelo número de cartões, ou sorteio após o jogo. A melhor campanha não valia nada.
Finalmente, mais um erro grave e que a entidade continuava persistindo ao desejar aplicar o que está escrito no regulamento, no tocante à possibilidade de um terceiro jogo para o conhecimento do campeão do Workshop, desconhecendo que maior do que esse, é o Estatuto do Torcedor, em seus artigos 14 e 15, que deixam bem claro de quem tem mando de campo são os clubes e mais ninguém.
Houve um recuo, e o fato tornou-se mais grave. Numa reunião a entidade modificou o artigo que dava-lhe poder do mando de campo no último jogo, para os critérios de saldo de gols, gols marcados na casa do adversário e sorteio. Mais uma vez o Estatuto do Torcedor foi rasgado, pois esse só permite qualquer modificação após o perÃodo de dois anos do regulamento.
Por fim, como estamos vivendo na época de Odorico Paraguassu e sua famosa Sucupira, o texto final é uma parte de um seu discurso, que encaixa totalmente com a realidade que estamos vivendo:
¨Meu caro jornalista, isso me deixa bastantemente entristecido, com o coração afogado na decrepitude e no desgosto. Numa hora em que eu procuro arrancar o azeite do dendê do estágio retaguardista do manufaturamento (...), me vem com esse acusatório destabocado, sometemente porque meia dúzia de baiacus apareceram mortos na praia¨.
No dia de ontem recebemos um telefonema de um dirigente de um clube de nosso estado, que nos perguntou: "Até quando vamos aguentar Evandro¨? A nossa resposta foi simples: por muito tempo, desde que nunca vimos tanto amofinamento dos filiados de nosso estado, que assistem a tudo passivamente, e vão morrer afogados em um único abraço.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








