JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Quando os
estaduais chegam à sua segunda etapa, a apreensão de 10.308 atletas vai ao
limite, visto que os seus contratos de quatro meses irão findar, e poucos terão
as condições de vestirem as camisas dos clubes que disputarão as competições
nacionais.
Trata-se da realidade nacional, e que já focamos em uma postagem ao analisarmos os dados de um trabalho elaborado por Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria.
O futebol moderno, que muitos pregam como uma ¨mina de ouro¨, para atletas que querem se tornar famosos, na verdade é pequeno com relação ao reverso da medalha, representado por times modestos e a vida simples dos anônimos do interior.
Poucos alcançam a fama e a fortuna que sonharam ao ingressarem na carreira. Para a grande maioria, o futebol é coisa do momento, e o atleta que não estiver em uma boa fase e se destacando, no término do contrato sempre fica sem clube.
Há pouco lemos uma entrevista do jogador Erivelto, do América de Teófilo Otoni, e que achamos bem interessante, ao abandonar o clube para assumir um cargo na Prefeitura de Guarulhos, São Paulo, conquistado graças a um concurso público.
O que mais nos chamou a atenção é que o jogador irá ganhar menos do que ganhava em seu clube, mas deu preferência por conta da estabilidade e das dificuldades do calendário do futebol brasileiro, sendo, os clubes, na maioria, sazonais.
No trabalho do consultor, e que nós referenciamos, existem 654 clubes registrados no paÃs, com 12.888 atletas, e apenas 100 continuam nas competições, com 2.579 profissionais em atividade. Os que sobram formam o contigente dos ''desempregados''.
Recebemos da mesma consultoria outras informações sobre o assunto, com um detalhamento por Estado do número de jogadores inscritos, e o que restará após os 4 meses de estaduais.
No Rio Grande do Sul, são 852 jogadores e no resto do ano apenas 124. Paraná, a relação é de 675/136 e Santa Catarina, 467/190.
Em São Paulo, os números mostram 2.780 disputando os estaduais de todas as divisões, contra 440 que permanecerão. Um desemprego bem alto. No Rio de Janeiro, o mesmo problema, com 1.139 contra 246, e, em Minas Gerais, 946 contra 214.
No EspÃrito Santo, a relação é de 491/24; Goiás, 446/158; Distrito Federal, 398/50; Mato Grosso do Sul, 358/24 e Mato Grosso, 236/76.
Na Bahia, o confronto será de 564/108; Pernambuco, 507/156; Ceará, 501/130; Alagoas, 344/78; Sergipe, 319/24; ParaÃba, 306/30; Rio Grande do Norte, 292/106; Maranhão, 259/50; PiauÃ, 189/24.
No Pará, 280/70; Amazonas 259/24; Acre, 177/24; Tocantins, 42/24; Rondônia 8/8; RoraÃma, 2/2; e, Amapá 1/1. Com relação aos três últimos, os seus campeonatos não começaram, daà não existir a previsão para o futuro.
Vamos nos reportar à nossa região nordestina, que possui, nos quatro primeiros meses de atividades, 3.281 atletas e, no restante do ano, 706. Isso corresponde apenas a 21% do total, sendo que a média nacional é de 25%.
Trata-se de um fato que merece um bom debate, e mostra claramente que temos algo de errado na formatação do nosso futebol, pois não se pode admitir que 75% dos atletas brasileiros sejam sazonais.
Sabemos que existem clubes sem condições de serem profissionais mas, a maioria, deveria estar em campo por 10 meses, oferecendo emprego a profissionais que ficam vagando pelo perÃodo na espera do próximo ano.
O sistema tem que ser mudado, pois a quantidade, sem dúvida, dará uma melhor qualidade na seleção de atletas, e o futebol do Brasil poderia voltar a ser o que sempre foi um dos melhores do mundo.
Na contramão da história, lemos no dia de ontem um artigo do jornalista Humberto Perron, no jornal Estado de São Paulo, em que esse também prega a diminuição dos participantes da Série A, de 20 para 16 clubes.
São os destruidores do futebol.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







