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Sandro Meira Ricci estava sorteado para Central e Náutico. Foto: Acervo JC Imagem
CLAUDEMIR GOMES
"Infeliz do poder que não
pode". A frase é conhecida como sendo de autoria do lendário coronel Chico
Heráclito de Limoeiro. Não existe definição mais apropriada para a Comissão
Estadual de Ãrbitros. O poder que não pode. Foi isto que o presidente da
Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, fez ao retirar o árbitro,
Sandro Meira Ricci da escala do jogo do Central com o Náutico, amanhã à noite,
em Caruaru, após anúncio feito e publicado pelos membros da Ceaf-pe.
No final
do clássico de domingo, onde o Náutico perdeu para o Sport por 2x1, o
presidente do clube alvirrubro, Paulo Wanderley, desafiou a Federação, chegou a
ser insolente ao afirmar que a entidade não escalaria mais o referido árbitro
para dirigir partidas do clube dos Aflitos.
A Comissão de Arbitragem topou o
desafio e escalou Ricci, que hoje é o maior cotado para ser o representante
brasileiro no quadro de apitadores a ser selecionado pela FIFA para o Mundial
de 2014.
Mas, por razões que até mesmo a escuridão dos bastidores do futebol
desconhece, no inÃcio da noite, surge uma mudança que surpreendeu a todos: o
nome de Sandro Meira Ricci foi trocado pelo de Gilberto Freire.
Detalhe: quando
a primeira escala foi divulgada com o nome de Ricci, o presidente alvirrubro
reagiu assegurando que o árbitro era "frouxo".
Não sei se doravante os membros
da Ceaf-pe serão chamados de trapalhões, mas de uma coisa todos têm certeza: a
Comissão é o poder que não pode. Um episódio cômico, mas que pode ser trágico
para o futebol.
LÃCIO RIBEIRO - FOLHA DE SÃO PAULO
Esta coluna é cheia das ideias. Lá atrás, pedimos Guardiola na seleção,
"aconselhamos" Neymar a ir embora para a Europa, essas coisas. Agora,
temos outros planos para a Libertadores: o fim dela. Ou, melhor, o seu
alargamento. Geográfico e de possibilidades. Curto e grosso: a inclusão
do soccer, da Liga Americana, no torneio sul-americano que há muito não é
só sul-americano.
Vou explicar, mas antes uma pergunta: você está animadão com a Libertadores 2013?
Times fracos, estádios modestos, minúsculos, e muitas vezes vazios, batalhas campais entre torcidas, sinalizadores assassinos, altitude "desumana", gramados lamentáveis, viagens estapafúrdias. Tudo comandado por uma entidade de sigla mal ajambrada que consegue ser mais bombardeada de crÃticas que a CBF. E que paga menos a certos clubes que o Paulistão.
A primeira tentação é comparar com a Champions League, seus gramados, estádios lotados, organização, trilha sonora linda, todo o show e o dinheiro que gera. No Brasil, a gente cobre ao vivo com TV e internet até o sorteio da Champions.
Mas, voltando à ideia de uma Libertadores daS AméricaS, com o plural destacado e a América do Norte incluÃda. O futebol nos EUA, que historicamente era uma piada, já bate com sua liga, em público, o Brasileirão. Segundo reportagem do UOL, empresa comandada pelo Grupo Folha, a Major League Soccer prevê superar os europeus em dez anos. Com bons estádios e organização, eles têm por lá astros em times bem estruturados, como Henry, Robbie Keane, Juninho ex-Vasco.
à longe? Ã, mas veja. Suponha um jogo do Inter de Porto Alegre, no extremo sul brasileiro, contra o Seattle Sounders, do extremo oeste americano. Numa pesquisa rápida de voos em um site de viagens, essa distância pode ser percorrida em 18,5 horas. Duas horas a mais levaria o Boca Juniors para pegar o time de Vancouver, no Canadá, que disputa a MLS. à muito? O Corinthians, recentemente, levou 17 horas para chegar a Tijuana. Ok, é o México, mas isso já é fronteira com os EUA.
Os perrengues latinos desgastam muito mais que troca de avião. O Cruzeiro em 2008 foi jogar "aqui na BolÃvia", em PotosÃ, cidade a 4.100 m de altitude. Como preparação para o jogo, chegou CINCO DIAS antes em Sucre, 2.800 m de altitude. No dia do jogo, "subiu" a Potosà com jogadores e comissão técnica distribuÃdos em 13 carros, percorrendo 150 km de uma estrada estreita e sinuosa. Um voo para pegar o New York Red Bulls não doeria tanto.
Uma nova Federação das Américas, calendário flexÃvel, times bem selecionados, americanos ajudando a vender o "produto", negociando patrocÃnios, cotas de TV/internet. E o Corinthians pegando o LA Galaxy no Itaquerão. Ou o São Paulo encarando o FC Dallas no estádio dos telões gigantes dos Cowboys, para 111 mil pessoas. Só sugestão
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Uma matéria do jornalista Andre Baibich,
publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, nos chamou a atenção, pelos
números apresentados com relação a participação de brasileiros nas Casas de
Apostas estrangeiras.
Sentimos que o futebol está vivendo como um trapezista, sempre com o risco de um futuro acidente. A arrecadação dos sites estrangeiros de apostas esportivas com usuários do Brasil quintiplicou entre 2009 e 2012- ou seja aumentou o contigente de interessados em acertar os resultados dos jogos de Campeonatos e Torneios.
Trata-se de um risco iminente, principalmente por conta de nossa legislação, que é obsoleta, e que dificulta a detecção de eventuais esquemas para possÃveis ¨acertos¨ da parte de alguns apostadores.
Para nós nenhuma novidade, pois já algum tempo fizemos uma postagem sobre o assunto, e mostramos o avanço dos tentáculos dessas apostas no futebol brasileiro, com apostadores que participavam ativamente no processo.
Trata-se de um virus que está se propagando em um paÃs totalmente desprotegido e sem condições de um competente acompanhamento.
Em 2012 o movimento das apostas realizadas pelos brasileiros, foi de R$ 4,2 bilhão, que se aproxima do arrecadado pela Mega Sena no mesmo perÃodo (R$ 4,5 bilhão).
A atividade é considerada como jogo de azar, que é proibido por uma lei de 1940, mas pelo tamanho do território nacional fica muito dificil de uma fiscalização.
Na verdade, trata-se de uma movimentação gigantesca, e mais complicado ainda é o acompanhamento dos diversos jogos realizados e que constam da progrmação desses sites.
No ano de 2005 tivemos o escândalo que envolveu o árbitro Edilson Pereira, com a anulação de diversos jogos do Brasileiro, que tiveram os seus resultados manipulados.
Um outro exemplo da influência negativa das apostas, foi a revelação de que jogos da segunda, terceira e quarta divisões da Italia, tiveram seus resultados acertados por uma máfia de apostadores, no perÃodo de 2011/2012.
O mais estarrecedor foi o divulgado no ano passado pela Europol, policia com sede na Holanda, que atua na Comunidade Europeia. A investigação apontou 680 jogos suspeitos entre 2010 e 2011, incluindo campeonatos na America do Sul, e que ocasionou a prisão de 50 pessoas entre os 425 envolvidos.
O crescimento no Brasil das apostas em sites estrangeiros, deveria acender uma luz vermelha, desde que por falta de uma legislação e sobretudo de um acompanhamento real, o futebol brasileiro corre um grande risco de se envolver no sistema de manipulação.
O valor que citamos é astronomico, e cresce de maneira geográfica, quando em 2009 a movimentação era de R$ 800 milhões em apostas, e pulou em 2012 para os R$ 4,2 bilhão referenciado, valor esse maior do que as receitas totais dos clubes brasileiros.
Nada melhor do que cuidar do assunto de imediato, e não esperar que o mal aconteça, e depois colocar o cadeado numa porta que foi arrombada, que é o nosso costume.

Felipe Azevedo foi um dos pincipais nomes do Sport no clássico. Foto: Alexandre Gondim/ JC imagem
CLAUDEMIR GOMES
O Náutico, embora siga lÃder
do segundo turno do Pernambucano, tremeu diante do Sport, ontem à tarde, na
Ilha do Retiro, e pagou com a derrota por 2x1. Mais ainda, o tabu que já dura
nove anos - de não vencer o Leão no seu estádio - pode completar uma década,
caso os dois clubes não voltem a medir forças nas semifinais ou na final.
O
Sport começou a vencer o clássico no banco, onde o técnico Sérgio Guedes
definiu um posicionamento tático para a equipe leonina que envolveu o adversário,
impossibilitando-o de explorar o que tinha de melhor que era suas peças
ofensivas.
Apesar do amplo domÃnio leonino foi o Náutico quem abriu o placar
numa jogada pontual do artilheiro Rogério. A vantagem não causou um grande
impacto e os rubro-negros chegaram ao empate ainda no primeiro tempo,
estabelecendo um placar mais condizente com a história do jogo.
A dinâmica
melhorou no segundo tempo, mas em nada alterou a superioridade da equipe
rubro-negra que assustou com uma bola na trave, através de um chute de Felipe
Azevedo. E foi justamente ele que marcou o gol de empate após uma boa jogada de
Lucas Lima que levou a melhor numa disputa de bola com Elicarlos. Favoritismo
sempre existiu e existirá no futebol, mas não passa de um crédito, e não chega
a ser uma garantia de sucesso.
O Sport foi mais determinado, mais aplicado
taticamente e o técnico Sérgio Guedes apostou na qualidade ao definir o time
com Hugo, Felipe Azevedo e Cicinho. Rithely como elemento surpresa foi
brilhante.
Não é justo atribuir a
derrota do Náutico a um erro individual de Elicarlos, assim como não é correto
atribuir à queda do lÃder a erros de arbitragem. A falta de sintonia entre os
setores foi a grande causa da pouca produtividade da equipe alvirrubra. Não
chegou à hora de malhar o "Judas".
PAULO VINÃCIUS COELHO - FOLHA DE SÃO PAULO
Felipão foi convidado a assumir a seleção da Itália em agosto de 2002,
logo depois de conquistar o tÃtulo mundial pelo Brasil. A afirmação é do
próprio treinador, em entrevista ao jornal italiano "La Gazzetta dello
Sport" na última terça-feira. Um dos motivos para não ter aceitado foi a
proposta de Portugal, logo em seguida. Outro, o fato de os italianos,
como os brasileiros, serem reticentes com técnicos estrangeiros.
Somos mesmo. Mas com treinadores brasileiros também. Ai, se Felipão perder da Itália na quinta...
Para vencer, a lógica do treinador da seleção é montar um time mais italiano. Uma equipe mais recheada por volantes marcadores, daqueles que recuperam a posse de bola e nem sempre sabem para onde dar o passe. Nas últimas décadas, esse estilo é bem brasileiro.
Mas Felipão escolheu volantes marcadores que sabem tratar a bola. Luiz Gustavo, do Bayern, é bom. à o reserva da dupla Javi MartÃnez e Schweinsteiger na equipe. Mas na terça-feira, contra o Arsenal, jogou melhor do que o volante espanhol, contratado a peso de ouro.
Felipão não quer brucutus como cabeças de área. Quer protetores da defesa. à parte de sua limitação não saber jogar com armadores como volantes. Paulinho e Ramires, acostumados a construir jogadas, precisam de adaptação para ficarem mais recuados. E Felipão necessita dessa segurança. Logo, quinta-feira é dia dos cabeças de área.
O BRASIL DE PRANDELLI
Eis a diferença para a Itália de hoje. Cesare Prandelli monta um time à maneira como os italianos gostam de jogar. A Azzurra não tem fantasia. Mas o projeto de reconstrução do futebol italiano -sim, existe um projeto- olha o que há de mais moderno no planeta.
Arrigo Sacchi é o diretor das divisões de base, observa o que se faz na escola do Barcelona e na do Ajax -berço de Cruyff e Rinus Michels, mestres da escola de formação do Barça. Prandelli jogou contra a Holanda, em fevereiro, com Candreva na ponta direita. Avança e recua mudando o sistema de acordo com sua movimentação. Os volantes, Pirlo, Marchisio, Montolivo, ou Verratti, contra a Holanda, todos têm bom passe e visão de jogo.
O Brasil de Felipão não pode ser só dos volantes. Precisa ser de Neymar e Kaká. Contra a Itália, provavelmente Kaká por dentro, Neymar na ponta esquerda -com Mano Menezes, era o contrário.
A Itália será adversária do Brasil pelo menos duas vezes neste ano. Na quinta-feira, em Genebra, e em 22 de junho, em Salvador.
Entre os dois duelos, Felipão tentará construir uma equipe com cabeça, corpo e membros. Ela não precisa ter volantes de bom passe, como Prandelli deseja na Itália. Precisa ter rosto. Se conseguir isso, Felipão provavelmente será tratado na Itália com alguém que poderia ter mesmo dirigido a Azzurra.
E terá tranquilidade para trabalhar no Brasil.