JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Já postamos alguns artigos sobre as dificuldades
do jornalismo esportivo no Brasil, e a pouca repercussão que tem quando noticia
um fato.
Certa vez o jornalista Alberto Dines escreveu que os escândalos que envolvem o futebol em nosso paÃs, mesmo sendo destacados na primeira página, acabam sepultados nos cadernos esportivos.
Dizia Dines que esse sepultamento se processava porque o leitor desses cadernos prefere ler as análises dos jogos de ontem, ou as previsões da partida de amanhã.
Nada mais correto de que tal interpretação, desde que polÃticos e empresários raramente mergulham nos cadernos esportivos a não ser como torcedores, e com isso a notÃcia morre pois a sua repercussão vem desses segmentos.
Criou-se uma editoria nacional para o jornalismo esportivo, com uma linguagem que só atende aos torcedores apaixonados. No lugar do compromentimento esse passou a se preocupar mais com o varejo, deixando de lado o atacado, e que tem maior influência na televisão.
Nada melhor do que as notÃcias sobre Marin, e pouco vimos em nossas mÃdias, a não ser nas sociais, e no jornal Valor Econômico que é dirigido para o segmento polÃtico e empresarial, e que certamente repercutirá.
Ontem lemos no UOL Esportes declarações do jornalista Juarez Soares, tecendo crÃticas severas ao modelo adotado pela TV aberta para analisar o futebol, inclusive afirmando que hoje preferia a fechada para assistir aos debates sobre o assunto.
Segundo o jornalista, a TV aberta é ¨comprometida com os direitos de transmissão, ninguém tem opinião nenhuma pelo pouco que vejo. Na Globo não existe opinião, é só para defender interesses. Aqueles comentaristas sabem que não podem falar e não falam. Ninguém na Globo questiona se o cara está mal e tem que sair do time, se o Felipão e o Parreira estão ultrapassados para a seleção. A Globo era mais romântica. Hoje ela mudou o estilo pelos direitos¨, declarou.
Criticou a Band, afirmando que essa virou ¨um balaio de carangueijo¨, ao perguntar : ¨como alguém que faz humor grosseiro e palhaçada, de repente, vem querer falar sério da CBF?" Virou sua metralhadora para atacar ex-jogadores e hoje comentaristas, que fazem o jogo das emissoras com uma postura profissional cômoda.
Por uma coincidência, todos esses pontos foram abordados em uma nossa postagem bem antiga, em que mostramos o alheamento completo da área jornalÃstica esportiva do Brasil, principalmente na TV, para dar lugar a programas de humor, que imbecilizam o torcedor.
Preocupam-se mais com os gracejos, ou com a namorada de Neymar, ou o peso de Ronaldo, do que analisarem os áudios de Marin.
O torcedor brasileiro faz parte de um processo colonialista que aconteceu no Brasil com a sua população, onde os donos do poder nunca procuraram dar uma melhor educação, inclusive alfabetização, para que essa ficasse a mercê dos coroneis rurais e depois do asfalto, e com isso permanecerem no poder.
Não temos a menor dúvida de que tudo poderia ser modificado, se o jornalismo esportivo pudesse realizar um trabalho analÃtico, independente e buscando os fatos nas próprias fontes, dando assim a sua contribuição para que o esporte passe a ser transparente e do conhecimento de todos.
Temos bons e sérios jornalistas, e todos deveriam entender que ao esconderem a notÃcia, não é do interesse da democracia, e assim temos que aguentar os Marins da vida e outros personagens menores que poluem o esporte brasileiro.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









