JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O fugitivo Ricardo Teixeira sempre foi idolatrado
em nosso paÃs. Por conta disso, achava-se mais importante do que o Papa, e
muitos ajoelhavam-se perante ele.
Todos sabiam o que acontecia na sua gestão e no seu entorno, mas fingiam que não viam ou ouviam, e continuavam a cortejá-lo como um prÃncipe dos contos infantis. Deu no que deu, mas caracterizou que esse mandatário era a cara do Brasil.
José Maria Marin o substituiu em um golpe bem articulado, onde alguns ganharam, menos o futebol brasileiro, e isso faz parte realmente de um dos maiores equÃvocos já acontecidos na história desse esporte, desde que o cartola é uma aberração administrativa.
Marin é a cara do Brasil de hoje, com uma sociedade destruÃda em todos os seus segmentos, onde os corruptos se confraternizam com os corruptores, e aparecem nas páginas dos jornais em grandes solenidades.
à a cara do Brasil, onde existe o ¨Transitado em Julgado¨, onde rico não vai para da cadeia, por conta dos inúmeros recursos, e que condenados pela justiça continuam ditando regras e inclusive no Congresso Nacional aprovando projetos.
à a cara do Brasil, onde quase 300 pessoas morreram em um incêndio numa boate em Santa Maria do Rio Grande do Sul, por conta de um serviço público omisso e inconsequente, que deixou a Casa funcionar com tantos problemas.
à a cara do Brasil, quando todos os anos na região serrana do Rio de Janeiro, as chuvas enchem os cemitérios de novos mortes, por conta também de um serviço público mais preocupado com o Maracanã do que com a vida do seu povo.
à a cara do Brasil quando alguns entes do poder público se corrompem, e passam a fazer parte das folhas salariais das empresas, aprovando os projetos dos seus interesses.
à a cara do Brasil com a sua educação esquartejada, com uma escola pública de péssima qualidade, onde o aluno a frequenta não pelo saber, e sim pela comida que é servida.
Marin é a cara do Brasil, onde os hospitais deixam os seus pacientes morrerem nas filas de espera, como se aquilo fosse um a menos a pertubá-los.
Somente agora uma parte da sociedade brasileira acordou e se movimenta para alijar o cartola do processo, o que para nós é muito pouco, desde que as transformações deveriam ser maiores, inclusive com o afastamento de todo o sistema existente, não somente na CBF, como nas Federações, e isso poderia ser feito nos próximos processos eleitorais, com mudanças na legislação esportiva.
Vivemos uma fase surrealista no futebol brasileiro, onde os dois maiores cartolas estão sempre colecionando denúncias de improbidades, e continuam com toda a tranquilidade ditando as cartas nesse pobre esporte, que já foi rico há tempo atrás, e que contemplava dirigentes que tinham dignidade.
O maior surrealismo será o de vermos a presidente da República, Dilma Rousseff, ao lado de José Maria Marin na abertura da Copa, o mesmo que fez um discurso emocionado na Assembleia Legislativa de São Paulo, enaltecendo o delegado Sergio Paranhos Fleury, que foi denunciado por Carlos Araújo, ex-marido de nossa mandatária, pai de sua filha, como um dos seus torturadores, quando foi ouvido pela Comissão Nacional da Verdade.
Pior do que isso só o fim do mundo, mas esse é o nosso Brasil brasileiro atual, e onde Marin e companhia fazem parte com boa representatividade.
Eles são as caras desse paÃs. Chegou a hora da sociedade séria e honesta, que é a maioria, mas anestesiou-se, de tirar a cabeça da terra e lutar pela volta de um Brasil melhor, principalmente no campo da ética.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







