JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Existe uma convulsão nacional no tocante Ã
ausência de público em nossos estádios. Os dirigentes, que são os responsáveis
pelo que vem acontecendo, não se aglutinam para
que um amplo debate seja procedido, e as causas possam ser
detectadas.
São uns avestruzes que enfiam a cabeça na terra, para que possam se esconder do predador humano.
No domingo ouvimos um debate sobre a ausência do torcedor nos jogos de Pernambuco e na verdade vários motivos foram postos na discussão, mas o verdadeiro não foi cogitado, e o que sempre estivemos vivendo nesses últimos três anos, momentos de engodo com públicos inflados, para que midiaticamente pudéssemos ser declarados os maiores do Brasil.
Desde 2011 vÃnhamos denunciado que a demanda apresentada nos movimentos financeiros das partidas do estadual era enganosa e totalmente superdimensionada.
Durante o inÃcio do nosso Workshop, mostramos que estava havendo uma manipulação exacerbada, fato esse que comprovamos por várias vezes, através de fotos e testemunhas presentes aos locais.
O governo despertou para o assunto, e exigiu a transparência, inclusive a diminuição das capacidades dos estádios, que em um ato da federação local tinham sofrido acréscimos. Com isso, embora ainda continuem sofrendo algumas interferências extra-campo, mesmo menores, os públicos voltaram à realidade.
Nesses anos citados nunca passamos de 6 mil pessoas por jogo, que é uma média histórica de nosso futebol, onde somente jogos que interessam e produzem resultados futuros conseguem colocar uma demanda maior nas arquibancadas.
Se tirarmos o Todos com a Nota, que ainda ajuda, a média seria igual a da maioria dos estados brasileiros, com mais ou menos 3 mil pessoas por jogo, fato esse que já acontecia em épocas anteriores.
O que nos falta para que o torcedor volte aos estádios está fundamentalmente ligada a falta de credibilidade que tomou conta do esporte nacional, e que também chegou ao estado de Pernambuco.
O torcedor, por maior que seja a anestesia que tomou nesses últimos anos, certamente entendeu que competições como a que estamos realizando não lhes interessam, principalmente pela sua formatação, que deixou de lado a competitividade, e optou por uma qualidade duvidosa.
Torna-se bem difÃcil que a demanda possa entender que uma entidade maior do seu futebol seja dirigida por pessoas sem credibilidade. Isso levanta suspeitas e a retira dos campos de jogos.
Torna-se ainda mais difÃcil que um torcedor assimile as declarações de alguns dirigentes, quando põem em dúvida a competição que estão participando. Na verdade um simples raciocÃnio levaria a qualquer um pensar, que: ¨Se eles duvidam, qual o sentido de estarmos presentes aos jogos¨?
As mudanças deverão ser procedidas, inclusive na infraestrutura. A melhora das condições dos estádios é um ponto fundamental. Quando vimos a marcação da ¨meia lua¨ de uma das áreas do Otávio Limeira, campo de jogo do Ypiranga, verificamos o quanto falta ao nosso futebol.
O torcedor quer conforto. O torcedor não quer a presença de organizadas. O torcedor quer horários dignos dos jogos realizados. O torcedor deseja que o esporte que gosta não seja componente de uma grade de programação televisiva, e por conta disso estuprado em seus princÃpios.
São detalhes que existem, e todos esses dependem de quem comanda e de sua credibilidade, que é o fundamental para que o esporte volte a ter visibilidade e sobretudo que seja acompanhado por sua demanda nos estádios.
O resto é malhar em ferro frio, e certamente não projetar algo que possa enfim acabar com esser desespero.
Temos que entender que se tivermos competições sérias, organizadas e, sobretudo, de qualidade, certamente o retorno acontecerá, mas enquanto isso não acontecer, vamos continuar ouvindo as lamentações nos muros dos estádios.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








