JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Como assistimos a eventos esportivos realizados
em todo o mundo, começamos a detectar a ausência de treinadores e dirigentes
negros no futebol mundial, com exceção obviamente dos paÃses africanos.
O Brasil que tem uma das maiores diversidades raciais do planeta é um exemplo latente. Excluindo o Gaúcho do Vasco da Gama, que não é negro, e sim mulato, mas dentro das cotas raciais do governo ele estaria enquadrado, não conseguimos encontrar um único treinador negro.
Com relação aos jogadores, esses talvez sejam maioria, mas não se transforma numa realidade quando encerram suas carreiras, e não sabemos as causas reais, não continuam como treinadores. Um fato que os nossos sociólogos e antropólogos deveriam estudar.
Há muitos anos lemos uma entrevista com o treinador Walmir Loruz, e que ele afirmava que a cor atrapalhou a sua carreira.
Andrade, Lula Pereira, Cristovão Borges, os três com maiores atuações em nosso futebol, estão no limbo, sem clubes, nesse universo gigantesco do esporte nacional.
Mas o problema não fica concentrado apenas no caso dos treinadores, pois tivemos a oportunidade de pesquisarmos 80 clubes que disputam as divisões do Brasileiro, e não encontramos nenhum negro como Presidente.
Algo estranho, quando hoje temos um presidente da mais alta corte de Justiça do paÃs, como membro da raça negra, que sem dúvida é um orgulho para todos nós, por demonstrar que as oportunidades se apresentam para todos, independente de cor.
Não vamos falar que o fato seja de racismo, mas sim de uma falta de confiança que o futebol apresenta em ter em seus clubes treinadores que não sejam da raça branca, assim como seus cartolas.
Na verdade não somos os únicos do mundo, pois na Europa só conta com um único negro entre 98 treinadores de todas as ligas: o irlandês Chris Hugton, do Norwich, e assim mesmo poderia ser considerado no Brasil como mulato.
O assunto é importante e merece uma boa reflexão para que possam ser detectados os motivos da não participação de negros em nosso futebol, porque tivemos, e temos, em nossos campos atletas do maior nÃvel, e que mesmo tentando quando penduram as suas chuteiras, não conseguem um espaço para que possam sentar nos bancos de treinadores.
Não queremos cotas para o futebol, pois somos inimigos desse processo, porém gostarÃamos que alguém nos pudesse fornecer a razão dessa ausência, tanto no campo, como na direção.
Isso é algo que causa preocupação.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013












