JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A dupla Bruno e Marrone gravou uma música com o
tÃtulo ¨RecaÃda¨. Na linguagem médica, essa palavra explica a volta de uma
doença, quando parecia ter desaparecido.
Ao assistirmos na última segunda-feira ao programa ¨Linha de Passe¨, produzido pela ESPN-Brasil, que conta com a participação de experientes jornalistas esportivos do paÃs, verificamos que um dos participantes teve uma grave recaÃda, de um virus que andou solto na década anterior, relacionado à formatação do Campeonato Brasileiro.
Quem sentiu o problema foi o jornalista Juca Kfoury, que retornou ao tempo da brilhantina, quando haviam os defensores de um Brasileiro com menor número de clubes.
No mesmo programa esse enalteceu a Copa do Nordeste, e na verdade não fez nenhum favor, mas isso certamente serviria para colocar um cenário diferente no palco, por conta das declarações que estamos analisando.
Equivocadamente Kfoury citou a NBA como um exemplo, com os mesmos participantes, não havendo o sistema de acesso na competição. Trata-se de algo como misturar alhos com bugalhos, desde que o processo do basquete profissional norte-americano é através de franquias, que podem ser negociadas e até mudar de locais, totalmente diferenciadas do que acontece no futebol, que é um esporte que movimenta o mundo.
O jornalista defendeu um Brasileiro com apenas 14 clubes ou no máximo 16, e com um adendo, sem o descenso.
Nos lembramos de Marcio Braga e seus seguidores, que na década de 90 pregavam tal coisa, e tinha Kfoury como um dos seus defensores. Com o passar do tempo ele não falou mais sobre o tema, mas infelizmente neste programa, que é excelente para quem gosta do futebol, teve uma grave recaÃda ao levantar um tema obsoleto, e sobretudo que atenta contra a democracia.
O Brasil é paÃs continental, com 27 unidades federativas. Nessas o futebol é praticado, sendo que em algumas com maior intensidade e em outras com menor qualidade.
Não se pode apequenar uma competição nacional e restringi-la a 14 ou 16 ungidos, e deixar de lado uma gama de clubes, que se organizam e batalham para que suas equipes possam participar dos maiores eventos.
O acesso é a forma mais democrática e justa para que um clube possa chegar a uma divisão maior. Trabalha anos para isso, e quando chega não deseja mais voltar para o estado anterior.
Nessa linha o futebol evolui, posto que, os participantes se preparam com mais qualidade para que possam participar com maior dignidade nas competições.
O mundo futebolÃstico deve estar errado, desde que todos os campeonatos realizados têm acesso e descenso, e pela pregação efetuada o Brasil será uma exceção para atender aos interesses de meia dúzia.
O problema do futebol brasileiro não está no número de clubes participantes de suas competições, nem no acesso e descenso desses, e sim da falta de um planejamento sério e eficaz, da necessidade da mudança radical dos cartolas jurássicos que se apossaram do seu comando, de bons estádios, de horários dignos (que Kfoury não contesta), e sobretudo na transparência.
Ao privar dezenas de clubes de lutarem pelo seus crescimentos, é o mesmo que injetar um produto letal em seus organismos e matá-los.
O Brasileiro não é apenas de um grupo e sim de 27 estados, que até hoje, apesar de pensamentos retrógrados como esse, e das mazelas que o aflige, continua vivo e balançando a cabeça de todos, com suas paixões e aflições.
Lamentamos tais declarações, mas respeitamos, pois na democracia todos tem o direito de expressar as suas opiniões, mesmo que sejam estrambelhadas.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








