JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Uma das coisas mais bizarras que temos no futebol
brasileiro está relacionada à aprovação de contas das entidades que o
administram, assim como dos clubes profissionais.
Não existe a menor transparência, sendo entregue um prato feito, na sua totalidade aprovado por unanimidade, para um colegio reunido que não representa 25% dos seus componentes.
Tivemos no dia 15 desse mês de março a aprovação de contas da Federação Pernambucana de Futebol, com uma Assembleia legalmente convocada, e com a participação de poucos filiados, sendo a maioria das Ligas e dos clubes amadores da capital.
Presidida por João Antonio Moreira, presidente do América, nenhum dos participantes solicitou explicações sobre o que estava sendo apresentado nas poucas folhas de papel que lhes foram mostradas.
O mais grave é que posteriormente à referida aprovação, durante a semana, os clubes que não participaram, assinaram a lista de presença e a Ata da Assembleia, que na verdade é uma rotina em todo o paÃs, e Pernambuco não é uma exceção.
Trata-se de uma total subserviência a um processo incorreto, desde que se não estava presente no momento da reunião nenhum dos filiados poderia dar um ''aprovo'' ao que não viram.
Ficam depois com comentários paralelos criticando alguns detalhes que viram no Balanço, o que de nada vale, pois os questionamentos deveriam ser feitos quando da sua apresentação para a devida discussão.
Aprovam o que não viram, não sabem da realidade, e dão um carimbo cartorial a algo que poderia estar errado, e que passa despercebido por todos.
Esse sistema acontece há um bom tempo, e nenhum clube filiado tem o discernimento de solicitar a documentação antes da Assembleia para verificar se essa está dentro dos padrões exigidos, e alguns cometem um crime, quando assinam a Ata sem estarem presentes a reunião.
Solicitar documentos é uma obrigação de cada um e não representa desconfiança de quem quer que seja, e sim uma medida cautelar de não se aprovar o que pode legalmente está errado.
Não há salvação para o nosso futebol, desde que os acúmulos de erros são gritantes, e entre eles esse tipo de aprovação de contas, procedido sem nenhum debate, sem pedido de informações, e sobretudo com uma submissão para não contrariar o poder dominante.
Nos governos temos o Tribunal de Contas da União e dos Estados para procederem com a análises dos seus gastos, mas nas Confederação, Federações e Clubes, os seus Conselhos Fiscais são formados por pessoas pertencentes ao poder, amigos e camaradas que nunca irão se contrapor ao que está sendo apresentado.
O retrato do atual futebol tem muita coisa por conta desses procedimentos não institucionais.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








