JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O nosso visitante Gustavo Costa nos chamou a
atenção em uma mensagem no Chat, sobre as declarações do treinador Alexandre
Gallo, pregando o extermÃnio do jogador clássico no futebol brasileiro.
Na verdade, a nota saiu no blog do Paulinho, e pela sua importância, resolvemos pesquisar e sobretudo ler a entrevista do novo treinador da seleção Sub-20 da CBF, para que pudéssemos, enfim, levá-la ao debate entre os nossos visitantes.
A entrevista foi dada ao jornalista José Ricardo Leite, do UOL-SP, em que Alexandre Gallo deixou bem patenteado os seus pensamentos a respeito do trabalho de formação do nosso futebol.
Aliás, os comentários em São Paulo sobre a ida do treinador para o comando da base maior da Casa da Barra da Tijuca é muito discutida, inclusive com insinuações de arranjos entre Bebeto, empresários e o próprio interessado.
Não sabemos se existe verdade nisso, mas somos daqueles que sempre acreditam, que em todo lugar que existe fumaça, o fogo certamente aparecerá.
O treinador deixou bem claro nessa entrevista alguns pontos de vista bem corretos e, entre esses, o profissionalismo que a seleção Sub-20 deverá ter como nas demais que compõem as bases do futebol, e a principal dessas, a aproximação com os clubes formadores, que sempre foi uma solicitação formulada em nossos artigos sobre o tema.
De repente, o treinador voltou aos seus tempos de brucutu, como um volante duro e muitas vezes violento, e disse que o futebol se aproximou na parte fÃsica e tática, não existindo espaço para o jogador ficar só com a bola no pé. A força tem sido geral em todo o mundo.
Um equÃvoco total e irracional, desde que os treinadores criaram um sistema de não perder e ganhar se puder, e isso já começa nas bases. Se aprimorarem os talentos, a posse de bola, os passes, certamente quando os atletas atingirem o profissionalismo trariam uma formação correta, com muita técnica, no lugar da força comentada pelo técnico de Bebeto.
Mas, o ápice de sua entrevista foi com relação ao fim do jogador clássico, quando textualizou o seguinte: ¨O futebol moderno não tem mais espaço para jogador clássico. Depende do jogador que tem participação na marcação¨.
Certamente trata-se de um pensamento totalmente irracional, onde o verdadeiro futebol sempre dependeu do jogador clássico, que conversa e trata bem a bola, e vem agora um técnico de Sub-20, com uma responsabilidade na formação do futuro, transformar nossas categorias de base em produtoras de brucutus, todos jogando de maneira semelhante, como bem ressaltou Paulinho- ¨semelhantes a peças de fabricação em série".
Infelizmente, o futebol brasileiro está nas mãos dessa gente, demonstrando que o futuro continuará incerto.
Temos uma certeza de uma coisa: o jogador clássico só desapareceu no Brasil graças ao trabalho de treinadores como Alexandre Gallo, que deveriam ser alijados do sistema, por estarem afundando o futebol brasileiro.
Se a CBF tivesse homens sérios em seu comando, o seu técnico SUB-20 já estaria demitido.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








