JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Um fato que passou despercebido por nossos
analistas foi o da derrota do mando de campo nos jogos decisivos da Copa do
Nordeste.
Foram quatro partidas em que os visitantes levaram a melhor, derrubando o paradigma que o fator campo é ponto que pode decicidir uma partida de futebol.
Em Pernambuco, os estádios receberam bons públicos, que também é um dos segmentos que influenciam a conduta dos clubes, já que o apoio do torcedor é bem importante e pode levantar a auto-estima dos jogadores. Nada funcionou.
Em nenhum dos dois jogos isso influenciou. O Sport empatou com o Campinense e foi eliminado da competição, e vendo o adversário visitante jogar melhor e merecer a vitória.
O Santa Cruz teve idêntica sorte, ao receber o Fortaleza e ser derrotado de virada, também sendo retirado das semifinais da Copa do Nordeste.
No Rio Grande do Norte, o ABC manteve um placar positivo em seu estádio, contando com um bom público, e em dois minutos foi derrotado pelo visitante ASA de Arapiraca.
Na Bahia, o fato foi marcante por conta da desvantagem do Ceará, que tinha perdido do Vitória no seu jogo de ida como mandante, pelo placar de 2x0, e conseguiu numa missão quase impossÃvel derrotar o rubro-negro baiano com uma goleada de 4x1.
Um outro jogo, pelo estadual pernambucano, o Náutico como mandante, foi derrotado pelo Central.
Há pouco vimos na Arena do Grêmio o mesmo fenômeno, quando o visitante Huachipato derrotou o milionário e favorito tricolor gaúcho.
As estatÃsticas no Brasil apontam o ¨fator casa¨ com maior percentual nas vitórias, e isso foi retratado pelo alvirrubro de Pernambuco nos jogos do Brasileiro, onde o seu estádio teve papel preponderante em sua continuidade na divisão pricipal.
Lemos um artigo do jornalista Carlos Mion, em seu blog, que analisou o mesmo problema, refletindo algumas causas plausÃveis para que isso possa estar acontecendo.
Uma delas é a da falta de identidade dos jogadores com os seus clubes, pois a maioria não permanece por mais de dois anos, e a outra, é que esses utilizam pouco os seus estádios para treinamentos, por conta dos seus CTs.
São boas análises, sendo que a empatia dos profissionais com os clubes é a mais real, quando, na verdade, as identidades foram desaparecendo por conta das caras sempre novas que chegam ano a ano, e que não conseguem assimilar o peso de suas camisas.
Temos uma outra impressão sobre o assunto, relacionado ao equilÃbrio do futebol em competições maiores.
Nos casos dos estaduais não contamos, desde que derrotas dos mandantes, principalmente os maiores são fatos pontuais, mas nos eventos nacionais e internacionais isso já começa a aflorar, por conta do equilÃbrio técnico, posto que, embora existam clubes com maior poderio econômico, no campo de jogo a economia não vem sendo refletida.
Se compararmos uma folha salarial do Sport com a do Campinense, certamente terÃamos uma distância oceânica entre essas. Mas, apesar disso, o fato não foi sentido, como anteriormente também não foi com Sampaio Correia e Payssandu em outras competições.
O mesmo se deu com o Vitória e Ceará.
Não somos ingênuos em não reconhecermos que existe o desequilibro técnico por conta do dinheiro, mas até esse fator vem diminuindo, pois as grandes somas não estão fazendo um futebol de qualidade. Quem assistiu a Ponte Preta x Santos, no último domingo, verificou a realidade.
Um jogo é decidido hoje não somente por ser o clube mandante do jogo, e sim por uma série da fatores que são agregados nos planejamentos efetuados.
Muito dinheiro sem um planejamento não repercute e, no final, é jogado pelo ralo.
Claro que o fator campo irá continuar a colaborar, mas com menos intensidade, principalmente por conta do tipo de profissionalismo que tomou conta do nosso futebol, onde o jogador entra em campo para jogar o que pode, e poucas vezes vão além do limite de suas capacidades, o que faz a diferença e a empatia com os torcedores.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










