JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O futebol perdeu o rumo e deixou de ser o esporte
das multidões para ser o das poltronas. Vários são
os culpados, numa linha que vai do governo e atinge até os jogadores, passando
por jornalistas, treinadores e dirigentes.
Na verdade, aquilo que era uma festa, como nos velhos tempos, quando os torcedores adversários iam aos jogos como amigos, brincavam, apostavam, bebiam juntos, sem nenhum sentimento de batalha, ou de inimigos a serem batidos, como acontece nos dias de hoje.
Mortes nos estádios só quando o coração pifava, por conta das emoções.
O futebol perdeu a civilidade, muito embora outros esportes tenham assumido essa tocha, e entre esses o voleibol, que vem nos dando excelentes exemplos.
Na última sexta-feira ficamos por três horas com os olhos na televisão assistindo a um grande jogo desse esporte, envolvendo as duas maiores equipes femininas do Brasil, a Unilever e Sollys/Nestlê, realizado na cidade de Osasco em um ginásio lotado com 4 mil torcedores, e do lado de fora com um telão para mais 6 mil.
Nenhum sinalizador, nenhum incidente, a torcida do clube local era a maioria, mas respeitou a minoria, em um duelo que valia a liderança da competição, em um jogo nervorso e da mais alta qualidade técnica, com a vitória do Sollys pelo placar de 3 sets a 2.
O fato nos despertou para que fizéssemos essa postagem, quando um outro segmento tão importante passa por momentos de amargura por conta de parte dos seus seguidores, no caso o futebol.
O voleibol brasileiro tem o que o futebol não tem: ORGANIZAÃÃO. O romantismo de outras épocas cedeu o lugar para o profissionalismo.
Esse esporte tem um calendário bem estruturado, campeonatos bem formatados, tanto no masculino como no feminino e, fundamentalmente, com um excelente trabalho de renovação, que nos foi apresentado nesse jogo, com atletas jovens e atuando no mais alto nÃvel.
O paÃs tornou-se ganhador e lÃder do ranking mundial nas duas categorias, enquanto o futebol decaia, e isso vai passando de geração para geração. O voleibol tornou-se uma máquina de produzir craques e bons treinadores.
A Confederação Brasileira de Voleibol tem Certificado ISO-9001.2000, como excelência esportiva, enquanto a CBF tem o de esculhambação.
No voleibol brasileiro existe o planejamento, que para o futebol é um sonante palavrão. Não existem os pop-stars, onde o trabalho coletivo supera o individual aplicado em nossos gramados.
Não existe nesse esporte o cai-cai, e as reclamações dos atletas nas quadras são bem contidas, e quando passam do limite, o cartão amarelo é apresentado, e o time perde um ponto.
O voleibol nos dá um belo exemplo de que existe ainda civilidade entre os consumidores dos esportes, desde que nesse não temos organizadas e sim expontâneas, que estão nas arquibanacas pelo esporte.
O futebol brasieiro faliu por conta de péssimos dirigentes, que não entenderam o seu calendário irracional, com clubes falidos e vivendo do passado e, principalmente, uma concentração criminosa de renda, nas mãos de poucos em detrimento da maioria.
Não é vergonha copiar o que é bom, e o voleibol é um bom exemplo a ser seguido, mas os vaidosos e arrogantes assim não entendem.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








