JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Muitas vezes reclamamos da baixa qualidade
técnica do futebol pernambucano, o que realmente acontece, mas na realidade o
Brasil futebolÃstico está contaminando por esse vÃrus, podendo se constatar em
alguns jogos no final de semana.
Quem assistiu ao jogo Santa Cruz x Pesqueira verificou o sofrimento do torcedor para aguentá-lo até o final. Na verdade, a vontade de abandonar o estádio, ou mudar o canal da TV, deve ter aflorado na cabeça do mais entusiasmado consumidor.
Salgueiro x Sport repetiu o nÃvel do futebol apresentado no Arruda, no último sábado. Com o time do sertão central melhor, muito mais pela boa vontade dos seus jogadores do que um bom nÃvel técnico, e com justiça foi o ganhador do jogo, enquanto o Sport repetia as suas últimas atuações, mostrando uma equipe em fim de festa.
SaÃmos de Pernambuco, e fomos para o Rio de Janeiro, onde assistimos a um jogo tão ruim entre Flamengo x Olaria, que deveria ter devolvido por obrigação o dinheiro dos ingressos pagos pelos torcedores.
Um futebol horrÃvel, com os mesmos defeitos de sempre e sem nenhuma emoção para os torcedores que estiveram assistindo ao jogo no estádio de Volta Redonda, já que o Olária é um daqueles clubes ¨sem-estádios¨.
Do Rio de Janeiro fomos a São Paulo e, mais uma vez, uma pancada na cabeça ao vermos um jogo de qualidade totalmente descartada, e que deveria ser notificado pela Vigilância Sanitária.
Santos x XV de Piracicaba não mostraram nada de positivo. Um confronto mais para o bumba-meu-boi do que de futebol. Chutões, faltas, passes errados, dominaram os 93 minutos de tristeza e dor, principalmente para os santistas, que já viveram momentos de alegrias com bons times e que lotavam os seus estádios. Nem Pelé de bengala aguentou.
Assistimos a um jogo internacional, também de uma monotonia latente e de péssima qualidade técnica, e com o agravante, estava em campo o melhor time do mundo, o Barcelona, jogando contra um clube de mediano para baixo, o Servilla.
Messi, mesmo atuando mais uma vez muito mal, longe do verdadeiro craque, salvou a sua equipe marcando o gol do desempate, e fazendo o placar de 2x1. Ainda assim, o Camp Nou colocou 52 mil pagantes nesse jogo, para assistir a uma equipe que nos seus últimos encontros tem apresentado uma queda vertiginosa na qualidade do seu futebol.
Paralelo a tais fatos, o público brasileiro continua desaparecendo dos estádios, inclusive em Pernambuco. As arquibancadas mostraram o contrário do público divulgado pela Casa da Rua Dom Bosco. São vendedores de ilusões.
Tivemos uma exceção pela Copa do Nordeste, onde o Fortaleza levou para o Castelão um pouco mais de 30 mil pagantes. Nos demais, os espaços vazios demonstravam a ausência dos consumidores, que cada dia ficam mais exigentes.
Estamos comemorando uma média de público da Copa do Nordeste acima de 7 mil pessoas, o que para o Brasil é digno de louvações, mas para o mundo é menor do que a maioria dos campeonatos das segundas divisões das principais Ligas Europeias.
Nunca em sua história o nosso futebol necessitou tanto de uma grande reformulação, para que possa ser visualizado um novo caminho. O consumidor entende e quando se ausenta dos estádios, está dando um recado de que algo está fora dos eixos e precisa de reparos.
Hoje já não se discute futebol como antigamente, quando a rodada do fim de semana eram motivo de debates, e a próxima já começava a ser discutida, e isso se dá por conta dos inúmeros jogos que já começam a ser realizados no mundo, e a televisão divulgando e promovendo-os.
Esse fenômeno faz com que o jogo acontecido no domingo fique apenas no passado, pois o torcedor já começa a discutir a Libertadores, a Championns League, e até o Campeonato Turco.
O fenômeno da globalização é real e, por conta disso, necessitamos de mudanças nos procedimentos, para que tenhamos de volta o espÃrito que sempre norteou o torcedor de futebol, e que motivava a sua ida aos estádios, que era a paixão pelo jogo.
A melhora da qualidade técnica é fundamental, e isso se faz em um trabalho de médio a longo prazo, e que necessita de cabeças pensantes, fato que está se tornando raro em nosso paÃs da bola.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








