JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Alguns torcedores do Náutico não assumiram a
contratação de Vagner Mancini como substituto de Alexandre Gallo, que recebeu
umas férias remuneradas dos bondosos e ilibados cartolas da CBF.
Trata-se de um assunto que deve ser analisado de forma mais abrangente, principalmente por conta do mercado restrito que o futebol nacional é detentor neste segmento.
Quando se fala em centenas de times no Brasil, o lado dos treinadores de futebol, não acompanha essa quantidade. Na verdade, existe uma reserva de mercado e quase uma proibição da revelação de novos profissionais da área.
As caras são as mesmas há anos, os grandes só fazem opção pelas habituais figuras, que ficam pulando de galho em galho. Nada de novo acontece e, por conta disso, os salários foram inflacionados. Temos valores em nosso paÃs que se equivalem aos do futebol do Velho Continente.
Apesar da paridade em salários, nenhum treinador brasileiro atua em clubes de ponta no futebol mundial. Só tem mercado no Japão e PaÃses Arábes, que no contexto nada representam. Criaram um cartel interno, mas são rejeitados na maiores ligas do mundo.
São treinadores caseiros, sem aplicação e os devidos estudos, mas, no Brasil, tornam-se os reis e mandam em seus clubes.
Os estados não promovem seus treinadores. Não existem bons cursos para tal, a não ser alguns fornecedores de diplomas e que de nada servem para a profissão.
Quando se procura no mercado, mesmo os desempregados, esses solicitam altos valores para dirigirem um clube principalmente no Nordeste. Tirar Renato Gaúcho das areias das praias cariocas, só por muito dinheiro.
Com isso, os nossos clubes têm que partir para outras soluções, já que não acreditam no que tem, por suas culpas, desde que nunca houve interesse em promover jovens treinadores, que começam no trabalho de base, inclusive levando-os para locais mais adiantados para estágios e aprendizados.
Esses são criados apenas na alfabetização, e quando assumem um time profissional perdem-se no caminho, sendo reprovados, pois não sabem ler.
No setor secundário, as caras também são as mesmas e as opções do mercado se afunilam, daà a contratação de Mancini que, na realidade, não é um bom treinador, e no currÃculo apresenta como maior feito a conquista da Copa do Brasil, em 2005, com o Paulista de Jundiai.
Depois disso, muito pouca coisa, somente dois tÃtulos regionais, um com o Vitória da Bahia e outro com o Ceará, daà em diante só fracasso, inclusive com o Sport na temporada anterior, que deu o encaminhamento do clube para o rebaixamento.
O Santa Cruz tentou com Dado Cavalcanti, mas não teve paciência com o treinador, e terminou demitindo-o, e o interessante é que temos ouvido e lido elogios sobre o seu trabalho no Mogi-Mirim. Sem dúvidas esse seria o local mais preparado para dirigir equipes do seu estado.
Roberto Fernandes, no Náutico, sofreu com os mesmos problemas.
Trazer treinadores de fora é crime, muito embora Pernambuco tenha tido grandes experiências com alguns estrangeiros e, o próprio Náutico, com o uruguaio Humberto Cabelli, que era um profissional adepto dos fundamentos e que preparou uma boa geração de jogadores.
Como não se tem cão, vamos de gato, e esse foi o caso de Vagner Mancini, pois o clube procurou no mercado alguém dentro dos seus parâmetros financeiros, tentou Sergio Guedes, que é o seis da meia-dúzia, e terminou com essa contratação.
Ninguém resiste ao mercado, principalmente o de treinadores do futebol.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










