JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Escrevemos um artigo há um bom tempo sobre uma
matéria que foi escrita pelo jornalista Juan Arias, correspondente no Brasil do
jornal espanhol, Marca.
Nela, ele perguntava onde estavam os indignados do Brasil. Por que não ocupavam as praças para protestar contra a corrupção e os desmandos?
Uma pergunta bem fácil de responder, visto que a sociedade brasileira foi privatizada, arrastando, com isso, o torcedor de futebol, que aceita tudo o que acontece com o seu esporte e não provoca um único sentimento de reação.
Como podemos ficar satisfeitos com o que acontece na Casa da Barra da Tijuca, que é a responsável pela direção do futebol nacional, quando todos os dias temos uma má novidade que demonstra o quanto de errado vem existindo no futebol brasileiro?
A operação Porto Seguro que de forma estranha já foi concluÃda, e como sempre os peixões deverão ficar de fora, com a sua ramificação em uma outra chamada Durkheim, nos mostrou o vice-presidente dessa entidade, Marco Polo Del Nero, envolvido em uma operação de escuta telefônica ilegal.
No dia de ontem tomamos conhecimento de que o seu acesso aos poderes em que hoje está investido, são oriundos do material que recebeu dos seus investigadores clandestinos a respeito da CBF e de Ricardo Teixeira. Com as cartas nas mãos, apostou alto e faturou os cargos e os investigados tiveram de abanar apenas os seus rabos, entregando-lhes o bastão.
O mais grave é que os computadores da Federação do qual Del Nero preside foi utilizado para troca de correspondência entre o cartola e os investigadores particulares.
Apesar disso sentimos uma distância fria do torcedor, que assiste a tudo como tivesse tomado uma grande anestesia, e sem um único sentimento de indignação.
Era a hora de pressionar os deputados e o presidente da Câmara pela instalação da CPI do deputado Romário, que certamente irá dar muitos subsÃdios para que todos possam conhecer os bastidores desse futebol empodrecido, sobretudo pelas atuações desses cartolas.
Das federações nunca esperávamos uma reação, pois todas entregaram-se ao poder, mas faltou a iniciativa dos clubes, que também foram privatizados e sequer tomaram a iniciativa de pedir esclarecimentos com o que vem acontecendo.
O caso dos planos de saúde pagos pela CBF e a assessoria de Ricardo Teixeira é algo que nos envergonha, mas infelizmente isso é uma coisa que há muito desapareceu do futebol brasileiro.
Enquanto as providências não são tomadas, a "paulistanização" da CBF continua, e mais duas caras ligadas a Federação de Futebol de São Paulo passaram a fazer parte dos seus quadros diretivos: Carlos Caboclo, que foi indicado para o Comitê Organizador Local da Copa, e Dino Gentile, que irá assumir o cargo de diretor de inclusão social, e terá em suas mãos, a reforma da Granja Comary e o novo CT da seleção. Um bom filé.
A privatização do torcedor vem fazendo um grande mal para o paÃs, que perdeu os seus segmentos de indignação, pois todos foram acomodados ao sistema.
Que a nossa sociedade se espelhe nos indignados do Egito, que no dia de ontem conseguiram mais uma vitória com os seus protestos, quando obrigaram ao presidente do paÃs recuar e anular o ato que lhe dava plenos podêres.
Nesse paÃs o seu povo ainda não foi privatizado.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








