JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Quando lemos as notÃcias sobre os orçamentos para
2013 dos clubes do Nordeste, e às vezes manifestações de otimismo exagerado,
motivadas por uma falta de análise do assunto, nos deparamos com alguns valores
que serão recebidos pelos chamados grandes clubes brasileiros, chegamos Ã
conclusão que somos apenas uma pequena gota d''água no oceano.
Na última quinta-feira, o Vitória, que ascendeu à primeira divisão, aprovou a sua previsão orçamentária, no valor de R$ 60 milhões, ressaltando que será o maior de sua história.
Enquanto isso, o Flamengo assinou um contrato com a Adidas por 10 anos no valor de R$ 380 milhões, e por conta desse, receberá de luvas R$ 38 milhões, sendo R$ 6 milhões já pagos, e R$ 32 milhões que serão quitados no inÃcio do próximo ano e anualmente R$ 38 milhões.
Tais valores representam mais de 50% do que o total previsto para o clube baiano, e é oriundo apenas de uma fonte, desde que as receitas gerais a serem recebidas pelo rubro-negro da Gávea em 2013, irão superar em quatro vezes as previstas para o time nordestino.
Mesmo com maiores receitas, os clubes que desejarem permanecer na primeira divisão terão que realizar mais investimentos no futebol, e por conta disso terão um incremento na sua folha salarial, que terminará consumindo uma boa parte dos recursos.
Esses contratos pontuais são feitos pela demanda dos clubes, mas os direitos de televisão deveriam ser mais equitativos, para que a distância diminuisse entre esses, e o campeonato pudesse assim tornar-se mais competitivo no seu final.
Como um clube que terá R$ 5 milhões por mês, o que seria bom no mundo real, poderá concorrer com outro que terá à sua disposição R$ 20 milhões?
Os economistas e financistas do futebol deveriam nos responder tal pergunta, desde que não conseguimos vislumbrar algo de concreto que possa diminuir mais o abismo que cada dia se aprofunda.
Quanto anteciparam uma renovação de contrato dos direitos televisivos com um aumento linear, os clubes intermediários deram um tiro não no pé, e sim no próprio coração, pois por essa metodologia quem recebia mais terá um aumento totalmente desproporcional daqueles que tinham menores valores.
Um exemplo: Um aumento linear de 60%. No último contrato um clube tinha direito a R$ 25 milhões, terá a partir de 2015, R$ 40 milhões, enquanto os que tinham R$ 110 milhões, terão no seu caixa, R$ 176 milhões.
Se a diferença anterior era de R$ 78 milhões, nesse ano futuro será de R$ 136 milhões, quase o dobro.
São coisas do futebol brasileiro, cujos cartolas não entenderam que aumento linear não pode ser aplicado quando existem diferenças de receitas, quando o rico fica mais rico e os pobres se afundam.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








