Histórico
Futebol Brasileiro
Números contraditórios
postado em 05 de dezembro de 2012

CLAUDEMIR GOMES


No futebol brasileiro os números são contraditórios e nos indicam várias realidades. Sempre fiquei intrigado com a quantidade de votantes nos pleitos dos grandes clubes pernambucanos - Santa Cruz, Sport e Náutico - por considerar que ela não condiz com o tamanho das torcidas.

Mas Pernambuco não é um caso atípico no País do Futebol. Consultei alguns mestres em busca de uma explicação para números tão dispares, mas o fato carece de um estudo mais aprofundado.

As pesquisas mais recentes apontam o Flamengo como o clube com mais de 30 milhões de torcedores no Brasil. Embora seja um fenômeno de popularidade, o Clube da Gávea teve apenas 2675 sócios participando de suas eleições presidenciais na segunda-feira passada, marca histórica na vida política do clube. No seu quadro associado pouco mais de 5 mil contribuintes estavam aptos a votar.

Não é fácil mensurar o tamanho das torcidas, mas tenho absoluta certeza de que a do Grêmio de Porto Alegre é infinitamente menor que a do Flamengo. Na recente eleição para presidente do Tricolor Gaúcho foram registrados mais de 15 mil votos. O Internacional tem mais de 100 registros de sócios, dos quais 50% estão aptos a votarem.

Certa vez, em conversa com o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, ele revelou que reconhecida o Flamengo como o clube mais popular do Brasil, porém, o faturamento do Timão era maior.

As contradições numéricas mostram que, os destinos dos clubes de massa são decididos por uma minoria.   

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Náutico
Desafios e responsabilidade
postado em 04 de dezembro de 2012
Por Gustavo Krause

No futebol, a alegria é um sentimento fugaz e, por isso, deve ser intenso.


Para uns, dura o tempo do próximo jogo ou do início da próxima competição.


Para outros que têm a missão de gerir o clube, pode até durar, mas é mitigada pela urgência dos desafios e responsabilidades, provocada pelo choque de realidade.


Entendo, pois, que, com a alma leve por causa do dever cumprido, os dirigentes do Náutico devem estar (e estão) com os olhos bem abertos para o que vem pela frente.


O primeiro e maior desafio foge ao controle e à influência dos gestores: é o gritante e afrontoso abismo que separa os clubes na mesma competição e, no fundo, reflete a histórica desigualdade regional, transformando o Brasil no país dos contrastes.


Alfredo Bertini, desportista e rubro-negro da melhor cepa, ilustrou a palestra proferida sobre a economia do futebol, assunto em que é mestre, no dia da inauguração do Centro de Estudos do Futebol e Biblioteca Nelson Rodrigues da FPF, com dados reveladores do apartheid futebolístico em nosso país (a propósito, com o mesmo padrão de excelência, as palestras de Roberto Vieira, Silvio Ferreira e Inaldo Freire, o Tacão, sobre a o futebol na obra de Nelson Rodrigues, o negro no futebol brasileiro, e a evolução de preparação física no futebol, respectivamente).


Vamos aos dados: em 2011, a receita total dos clubes foi de R$ 2,7 bilhões, 23% a mais do que a receita de 2010; 40% da mencionada receita ficou nas mãos de 5 clubes; 65%, abocanhada por 10 clubes e 83% foi  para 20 clubes; nove clubes faturam mais de R$ 100 milhões; sete entre R$ 40 e R$ 100 milhões e todos os demais menos de R$ 40 milhões. Os dados de 2012, por motivos óbvios, não estão fechados, porém há indícios de aprofundamento da desigualdade em razão dos valores decorrentes dos contratos individuais celebrados com a Rede Globo.


De outra parte, o impacto no resultado final da competição reflete o provável aprofundamento da concentração de renda: as quatro melhores equipes somaram 286 pontos; as quatro equipes rebaixadas, 135 pontos; a diferença entre a %u201Celite%u201D e os %u201Crebaixados%u201D atingiu 151 pontos, a maior diferença desde o início da competição em pontos corridos (a maior foi de 137 pontos, em 2006).


Do ponto de vista regional, o cenário revela que a disputa, até o décimo segundo lugar, tem 11 clubes sediados no Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, ou seja, um Brasil cujo tamanho não chega a um milhão de quilômetros quadrados.


Ora, os clubes do %u201Cresto%u201D do Brasil participam da competição como meros figurantes, com exceção aqui e acolá, para confirmar a regra.


Desta forma, o Náutico, que em 2011 não figurou, sequer, entre os 20 clubes com maiores receitas e que, em 2012, teve a menor das receitas, não deve ter ilusões com acréscimo semelhante aos clubes que integram o seleto grupo dos privilegiados.


Nada de pessimismo. Realismo puro.


Portanto, aumentam responsabilidades desproporcionalmente ao tamanho dos desafios, fato que, em vez de desanimar deve ser um estímulo a redobrar a nossa capacidade de lutar.


Quando falo em capacidade de lutar, não me refiro a um dado subjetivo, mas à adoção de uma ação planejada que observe um conjunto de diretrizes básicas, tais como: (1) definição de objetivos estratégicos para o ano de 2013, compatíveis com os recursos efetivamente disponíveis; (2) manutenção do equilíbrio orçamentário como regra inflexível de modo a cumprir as obrigações assumidas; (3) consolidação do processo de profissionalização, em especial, na gestão administrativo-financeira; (4) aperfeiçoamento da gestão comercial da marca Náutico em parceria com a Arena Pernambuco; (5) definição do aproveitamento do patrimônio imobiliário dos Aflitos; (6) ampliação dos investimentos e aperfeiçoamento da formação de atletas cujo retorno é indiscutível.


Sei que o Presidente Paulo Vanderley e sua equipe de colaboradores têm plena consciência dos desafios e das responsabilidades. Afinal, os avanços e as conquistas remontam biênio 2010\11 e que prosseguem de forma muito positiva. Têm, pois, a experiência do saber feito.


No entanto, a continuidade deste processo depende dos primeiros e decisivos passos que serão dados este mês: a manutenção da comissão técnica e formação do elenco. É fundamental que as partes envolvidas mantenham os pés no chão, sempre em busca de um denominador comum de modo que sejam repartidos, de forma justa e equilibrada, o significado e os ganhos reais da valorização Náutico em permanecer na Série A.


Importante que todos cresçam juntos, considerando os limites e as possibilidades do mundo real.

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Brasileiro Série A
O dia seguinte
postado em 04 de dezembro de 2012

CLAUDEMIR GOMES


O Day After no futebol não é o momento mais apropriado para se fazer um balanço. Ontem, por exemplo, um dia após a rodada final da Série A, onde ficou concretizado o rebaixamento do Sport para a Série B, o achismo proliferou. Todos estavam achando alguma coisa para tentar justificar o insucesso da campanha do rubro-negro pernambucano.

Nessas ocasiões se elegem culpados, e isentam de culpa pseúdos heróis. As derrotas nos deixam lições da mesma forma que as vitórias nos apontam falhas. Naturalmente que, o componente emoção leva as pessoas a dar opiniões e formatar conceitos sem ter acesso às informações necessárias. Açodamento não combina com sucesso.

Portanto, o momento exige calma e pragmatismo. O projeto do Náutico é a consolidação do clube na Primeira Divisão nacional, meta que somente será alcançada após uma sequência de cinco anos. Caso não haja uma sustentação o clube seguirá sendo visto como um nômade, que ora está na Série A, ora está na Série B.

Os estágios da manutenção somente serão vencidos com o fortalecimento da musculatura, ou seja, com a melhora da qualidade. Quando se fala em reformulação de grupo são inevitáveis os comentários cuja dose de pieguice extrapola o limite da tolerância.

Para o Náutico é condição sine qua non  melhorar a qualidade do elenco para entrar no segundo estágio da manutenção. Por outro lado, o Sport  precisa recriar o seu departamento de futebol, que disputou a Série A sem deixar de ser Série B.

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Copa 2010
Os assistentes de torcedores
postado em 04 de dezembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, STEWARDS: OS ASSISTENTES DE TORCEDORES


* Gustavo Lopes  - Universidade do Futebol


Com a proximidade da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, algumas mudanças de paradigma e novidades começam a entrar em cena. Dentre elas, merecem destaque os assistentes de torcedores, conhecidos como stewards.

Tratam-se de profissionais que trabalham na segurança interna dos estádios nos grandes eventos internacionais que estarão presentes também na Copa das Confederações da Fifa, em 2013, e na Copa do Mundo do ano seguinte. Steward é um modelo antigo, que é muito usado na Europa.

Para a formação desses profissionais, com padrão internacional, o Comitê Organizador da Copa do Mundo da Fifa e a Polícia Federal criarão uma grade curricular específica.

Estes agentes de segurança interna, que já foram utilizados nos grandes eventos esportivos internacionais, são peças fundamentais no novo conceito de segurança, de não confrontação, que o Comitê Organizador do Mundial no Brasil quer implantar nos estádios brasileiros.

São esses profissionais que cuidarão do conforto e da resolução pacífica de conflitos nos seis estádios que abrigarão os jogos do torneio. Eles trabalharão em conjunto com as forças públicas, que são as responsáveis pelos casos de polícia.

Os assistentes de torcedores ou stewards atuam como organizadores dentro dos estádios, fazendo com que o local seja um ambiente familiar, no qual o torcedor seja tratado como consumidor.

Atualmente, no Brasil há cerca de dois milhões de vigilantes formados em cursos que são fiscalizados pela Polícia Federal. Para se tornarem stewards e trabalharem na Copa do Mundo, os novos vigilantes terão de assistir aulas específicas desta nova grade curricular que será criada.

A previsão é que a Polícia Federal, até 2014, invista cerca de R$ 9,8 milhões para regular, fiscalizar e controlar a atividade de segurança privada no país.

A Polícia Federal exigirá um curso de extensão de 50 horas a todos os agentes de segurança privados que trabalharão como stewards. O formato da capacitação já foi definido pela instituição, junto ao Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo e outros órgãos de governo.

O objetivo é transformar a conduta dos profissionais, com um foco de atuação voltado ao tratamento com o público, com disciplinas com enfoque em controle de acesso aos locais dos eventos, gerenciamento de público, gestão de multidões, direitos humanos e resolução de situações de emergência.

Os stewards também são capacitados a dar informações às pessoas, direcioná-las aos assentos, acionar serviços de emergência em saúde e a polícia.

Com os stewards, haverá divisão de tarefas e as forças de segurança pública não ficarão sobrecarregadas, tendo total liberdade para garantir a segurança nas cidades, evitando que outras áreas fiquem desprotegidas.

A estimativa do Comitê Organizador da Copa é de que 26 mil stewards serão utilizados durante a competição, podendo, este número, chegar a 50 mil.

Este modelo de segurança da Fifa ajudará a deixar um legado para o país, eis que atualmente a segurança nos estádios é realizada pelas polícias militares e, posteriormente, os promotores dos eventos, as entidades, confederações, poderão contratar empresas de segurança privada para atuar dentro dos estádios. Assim, ficará o legado no tratamento aos torcedores/consumidores.

* Gustavo Lopes é graduado em direito pela PUC/MG; pós-graduado em direito civil e processual cicil pela Unipac, mestre em direito esportivo pela Universidade de Leria (Espanha), e membro do Instituto Brasileiro de Direito Esportivo.

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Brasileiro Série A
O abismo entre a elite e os rebaixados
postado em 04 de dezembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O ABISMO ENTRE A ELITE E OS REBAIXADOS


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Felizmente não somos uma voz isolada contra o mal que vem tomando conta do futebol brasileiro, com respeito à distribuição dos recursos provenientes dos direitos de transmissão dos jogos dos diversos campeonatos.

No dia de ontem nos deparamos com uma excelente e competente matéria de jornalista Rodrigo Mattos para o Uol,  ajudando-nos com números na luta que empreendemos contra esse veneno que vem matando aos poucos os clubes brasileiros.

Na postagem de ontem já fizemos uma referência sobre o assunto e a matéria nos fornece maiores subsídios para o debate.

Nesse primeiro ano de contratos individuais com a TV Globo e os considerados (alguns de mentira), como os maiores clubes do Brasil, que inflaram os seus orçamentos, deram motivos para uma grande distância financeira e técnica entre os participantes da competição.

Para que se tenha ideia, nos dados fornecidos, os quatro primeiros colocados- Fluminense, Atlético-MG, Grêmio e São Paulo- somaram 286 pontos, maior número desde 2006, primeira edição com 20 equipes.

Se compararmos com os quatro rebaixados- Figueirense, Atlético-GO, Palmeiras e Sport- conseguiram juntos 135 pontos, a menor pontuação conjunta da zona de degola desde aquele ano. A diferença foi de 151 pontos, um recorde, desde que até o momento o maior abismo entre esses foi de 137 pontos em 2006.

Quando verificamos esse Grand Canyon na pontuação, voltamos ao problema da distribuição de receitas entre esses dois grupos, os quatro melhores e os quatro piores, desde que, com exceção do Palmeiras, os três restantes não tiveram contratos milionários na negociação individual.

Esses dados demonstram claramente que estamos certos em nossas pontuações. A cada ano que se passa teremos um abismo mais profundo por conta dessa desigualdade financeira, principalmente a partir de 2014, com a competição se afunilando e ficando cada vez mais restrita a um grupo do Rio e São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. 

A tabela de classificação da competição mostra que entre os 12 clubes de melhores pontuações, 11 são desse eixo, e o Náutico, como intruso, substituindo o Palmeiras. 

Cada vez mais estamos nos aproximando do futebol espanhol, com o seu duopólio Real Madrid e Barcelona, quando um campeão soma até 100 pontos e na última temporada o futebol desse país teve uma diferença dos quatro primeiros para os quatro Ãºltimos colocados de 163 pontos.

No Brasleirão que se findou, essa foi de 47 pontos entre o campeão Fluminense e o lanterna Figueirense.

Como já afirmamos anteriormente, teremos no futuro uma competição com diversas categorias, e com essas com alto índice de diferenças, numa contradição ao que vem se aplicando no próprio país com o crescimento econômico de algumas classes que estão em patamares mais próximos sem um grande hiato.

São fatos e números que chamam a atenção de todos, menos dos iluminados que dirigem o futebol nacional, que deveriam lutar para que os recursos fossem divididos de forma mais equitativa, e não da maneira imoral como é procedido.

Uma competição forte precisa de clubes com bons recursos para os investimentos, e não de meia duzia de donos da bola.

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