JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Um gênio não morre, vive para a eternidade. Esse
é o caso de Oscar Niemeyer que faleceu na madrugada de ontem, e que marcou o seu
nome numa época de transformação da arquitetura mundial.
O arquiteto fez parte da vida do Sport Club do Recife, como projetista de um estádio a ser implantado em 1972, atendendo a um sonho do ex-presidente do clube, Ivan Ruy de Oliveira Andrade.
Vivenciamos de perto a tentativa de implantação desse empreendimento, visto que, em 1972, em uma crise sem precedentes, assumimos o futebol profissional do clube, muito embora estivéssemos participando da diretoria do futebol amador muito antes.
Foi adquirido um terreno com 28 hectares na Ilha Joana Bezerra, perto da atual estação do metrô, que pertencia ao grupo Brennand, e as promissórias para a garantia do pagamento foram assinadas por vários rubro-negros que participavam do clube, na ocasião.
O lançamento do projeto foi em agosto de 1971.
Niemayer chegou ao clube através de um contato do também arquiteto na época Jarbas Guimarães, que fazia parte do seu setor de futebol. Foi contratado e aprontou o projeto e sua maquete, passando a ser exibida na sua sede social e, na ocasião, despertou a atenção de todo o paÃs.
O estádio por autorização do presidente do paÃs, Emilio Garrastazu Medici, foi batizado com o seu nome, e tinha a grandiosidade do momento ufanista que o paÃs vivia. A sua capacidade era para 140 mil torcedores, sendo 90 mil lugares nas arquibancadas, 25 mil nas gerais, 24 mil cadeiras e 1 mil camarotes.
Era de uma beleza arquitetônica, de acordo com os risco do seu criador, e tinha uma cobertura total.
Uma revolução. Para que se tenha uma ideia, em 3 dias do seu lançamento, foram vendidas 3 mil cadeiras, sendo que nós fomos um dos seus compradores, registrando o nosso nome na história do que seria o maior estádio particular do Brasil.
Infelizmente a situação financeira do clube, motivada pela má gestão do seu futebol, prejudicou o andamento de tal obra, que ficou apenas no papel, tendo os compradores das cadeiras ou recebido o dinheiro de volta, ou na gestão que sucedeu o presidente Ivan Ruy, que tinha no comando Silvio Pessoa, através de acordos, foram entregues cadeiras do atual estádio Adelmar da Costa Carvalho.
Como o clube estava atrasado no pagamento das promissórias, e com o aval de mais de dez rubro-negros que estavam receosos de uma ação jidicial, muito embora o grupo Brennand tenha se portado com dignidade no trato do assunto, a nova diretoria resolveu repassar o terreno, livrando-se do débito e criando as condições para a recuperação do clube.
Não sabemos se a maquete ainda encontra-se no museu do Sport, pois quando de nossa saÃda essa estava intacta e servia de demonstração para os visitantes.
Niemeyer não consguiu implantar um estádio no Brasil com a sua cara, desde que concorreu na construção do Maracanã e perdeu por não aceitar a sua elevação, e a do Sport, que seria um marco para o estado de Pernambuco, não foi implantado.
De qualquer maneira, a presença do arquiteto no rubro-negro da Ilha do Retiro será sempre lembrada.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








