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Contra a perpetuação no poder
postado em 13 de novembro de 2012

CLAUDEMIR GOMES


O poder seduz, embriaga e leva os homens a pensar que são eternos. Isto parece regra no desporto brasileiro, onde presidentes de Confederações e Federações fazem de tudo para se perpetuar no comando das entidades. Uma prática danosa que através de ciclos viciosos tem deixado um legado de escândalos no desporto nacional.

O deputado pernambucano, Augusto Coutinho, através do Projeto de Lei 4464/2012, espera dar início da uma cruzada para combater a perpetuação de cartolas no poder. O primeiro aliado a "guerra" contra os podres poderes é o deputado Romário. O ex-jogador, tetracampeão mundial, já agendou encontro com Augusto Coutinho para discutirem a matéria.

O projeto de Coutinho prevê um prazo de três anos para o mandato de um presidente, com direito a uma reeleição. Não existe uma obrigatoriedade a regra de limitação de mandatos. As entidades que julgam necessária a perpetuidade nos cargos não poderão receber contrapartida do Governo Federal, no que tange ao repasse de recursos federais.

Trocando em miúdo, com tal projeto o deputado Augusto Coutinho puxará o tapete da maioria das confederações e federações que têm como patrocinadoras empresas estatais. A matéria deverá provocar boas discussões na Comissão de Desporto, pois os "eternos cartolas" também têm seus defensores.

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O intermediário
postado em 13 de novembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O INTERMEDIÁRIO


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Excelente a continuidade da matéria sobre os empresários do futebol, que está sendo publicada no jornal gaúcho Zero Hora.

Trata-se certamente de uma grande contribuição ao futebol nacional, por desvendar uma caixa preta que é uma das coisas mais obscuras que acontecem no dia a dia desse esporte.

A matéria mostra que na engrenagem do futebol, o empresário representa o jogador na ponta do negócio; no outro extremo, está o clube. Mas no meio dessa rede, há uma figura do intermediário que tem pouca visibilidade, mas uma grande atuação.

Se o clube precisa de um atacante, por exemplo, ele pode recorrer a empresários conhecidos que, por sua vez, acionam a sua malha de outros agentes, até no exterior. - Quem traz o jogador para o clube é o intermediário, e cada um desses personagens ganha a sua parte, inclusive em alguns casos os cartolas participam do fatiamento desse bolo.

O jornal cita o empresário gaúcho Tadeu de Oliveira, que tem cerca de 400 olheiros não somente no Brasil, como na Argentina, Uruguai e Paraguai, que assistem aos jogos de suas diversas competições, inclusive das categorias de base, formando um cadastro de todos os escolhidos.

Tadeu tem um banco de dados de mais de 1,5 mil atletas, sendo que esses na maioria das vezes não sabem que são catalogados.

O trabalho do intermediador é o de vasculhar o mercado para oferecê-lo ao comprador. Se o clube necessita de um volante brucutu o procura e esse faz a busca em seu catálogo.

Tadeu também administra algumas carreiras de jogadores, mas não são muitos, desde que o seu forte é a intermediação.

Por conta disso, tornou-se um milionário, morando em uma mansão com um Posche Cayenne e um BMW X5 na garagem, além de uma lancha Phanton de 26 pés atracada em um píer particular à beira do rio Guaiba.

O interessante que tudo que o intermediário faz o clube poderia fazê-lo, com uma rede de olheiros elaborando o seu cadastro, mas foi criado um mecanismo que envolve o empresário, o intermediário e o cartola, onde o dinheiro das comissões corre a solta, quando tudo poderia ser da agremiação.

Tadeu, respondendo a uma pergunta, deixou bem claro o sentido de sua profissão, quando afirmou ¨que seu trabalho é um negócio um pouco obscuro mesmo. Não somos santos, nem também somos o diabo¨.

Falou e retratou tudo.

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O Brasil no Mundial de Clubes
postado em 13 de novembro de 2012

LÚCIO RIBEIRO - FOLHA DE SÃO PAULO


Agora que o Brasileirão 2012 já era em cima e embaixo, salvo alguns "ajustes" dramáticos a ocorrer, vamos botar todos os olhos no Corinthians. O Timão, que depois de papar a Libertadores só flanou no Nacional, estreia daqui a um mês certinho, descontadas umas horas aqui, um fuso acolá, no Mundial de Clubes. O Corinthians vai ser "o Brasil no Mundial", a conferir nas chamadas do jogo que a TV vai massacrar.

Mais ou menos isso, eu diria. Se não houver nenhum "efeito Tolima" (pré-Libertadores 2011) ou o "fator Mazembe" (Inter, Mundial de 2010), o Timão vai encarar na finalíssima o inglês Chelsea, o campeão europeu, cuja espinha dorsal está sendo formada por três brasileiros, que Neymar à parte podem bem ser também a "cara" da seleção na Copa-14.

David Luiz atrás, Oscar à frente e Ramires por todos os lugares são uma espécie de "Três Mosqueteiros" de Roberto di Matteo, o técnico do Chelsea, que mesmo tendo conquistado o improvável título da Champions League na temporada passada, ainda não convence parte da torcida com seu trabalho.

Oscar, de jogador-problema no começo do ano em Porto Alegre, virou estrela internacional em Londres e titular da camisa 10 de Mano Menezes em poucos meses. Disparou a fazer golaços na Champions League atual, o que fez ganhar elogios rasgados do ex-treinador da seleção inglesa e ex-jogador do Chelsea Terry Venables do tipo "o mais intrigante e o mais excitante candidato a ser ''o Rei de Stamford Bridge''".

O trilionário russo Roman Abramovich, dono no clube, que queria ver seu time campeão da Europa e jogando com estilo, deve estar satisfeitíssimo com a rápida adaptação de Oscar ao time e o time a ele.

Oscar pode ser a sensação, mas o onipresente volante Ramires é o que tem mais moral junto a Di Matteo, com seu pulmão sobrehumano, sua capacidade de marcar e, às vezes, ser mais incisivo na frente que o atacante, o espanhol Fernando Torres.

Foi numa fase incrível do ex-Cruzeiro na Champions ganha no ano passado, com direito a golaço decisivo contra o então imbatível Barcelona, que o então interino Di Matteo foi efetivado. Ramires é jogador de mudar coisas.

David Luiz, o zagueiro cabeludo, está virando, na base da personalidade forte, o dono do Chelsea em campo. Uma espécie de "novo Junior Baiano", por sua irregularidade extrema, é capaz de desarmes espetaculares num momento e entregar bolas de um modo estabanado na jogada seguinte.

Mas está pegando essa brecha que o veterano John Terry está oferecendo com escândalos e contusões e assumindo o time para ele. A ponto de tomar a bola para si em cobranças de falta e pênalti, além de arroubos ao ataque quando menos se espera. O marketing de malucão, por enquanto, está a seu favor.

Mas, e aí? Quem é "O Brasil no Mundial de Clubes"?

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A TIMBUNEIRA
postado em 12 de novembro de 2012

Por Gustavo Krause

Sábado foi descrito poeticamente por Vinicius de Moraes como O dia da criação. A licença poética permitiu que a véspera do domingo fosse um dia diferente de todos os outros e único em profanações.

Sábado, 10 de novembro de 2012, pode ter sido igual para muita gente. Foi, porém, diferente e inesquedível, para os Conselheiros e dirigentes do Clube Náutico Capibaribe que participaram da reunião mensal, desta vez, itinerante, parte realizada no Centro de treinamento da Guabiraba, parte realizada no canteiro de obras da Arena Pernambuco, sob a presidência de Berilo Júnior e com a presença do presidente Paulo Vanderley.


Partimos do CT. Uma plataforma verde em que reluzia o dourado do sol a pino. O ronco das máquinas e o quique da bola, jogada pelos jovens atletas, redesenhava o retrato da memória: um deserto de esperança cuja travessia começou com Salomão e Ivan, mais parecidos com os velhos profetas que apontavam em direção ao futuro. Hoje, o CT é uma obra coletiva e, portanto, inominada. Pertence de fato e de direito à comunidade alvirrubra.


Rumamos ao canteiro de obras. Não se trata de um estádio construído dentro de todos os padrões modernos. Trata-se de outra maneira de enxergar o futebol e a cadeia produtiva do entretenimento. Funcionalidade, conforto e respeito ao consumidor dos espetáculos tomou lugar do superado gigantismo, batizado por nomes que invariavelmente terminava com o tonitroante ditongo ão. O paradigma da qualidade, enfim, venceu os medidores da quantidade.


Peço perdão ao leitor por não ser mais descritivo. Tenho limitadíssima compreensão de tudo que diz respeito às obras de construção civil. No entanto, a concepção da Arena é de um verdadeiro caldeirão. Se no futebol praticado nos estádios atuais, o contágio horizontal entre as torcidas e o contágio vertical torcida\torcedor são fenômenos estudados pela psicologia social, na Arena Pernambuco, antecipo, a emoção vai ferver loucamente.


E aí ocorreu um fato que merece ser registrado. Entrei no ônibus ao lado de Américo Pereira. Ele carregava uma sacola com cara de menino treloso. Sentamos. Não me contive e perguntei o que ele levava na sacola e ele disse: %u201CUma bandeira do Náutico%u201D. %u201CPra quê?%u201D Perguntei. E ele com um risinho maroto: %u201CVou fincar o pavilhão no meio do campo, antes que tirem, bato a foto que vai ganhar o mundo%u201D. Me veio à cabeça a simbologia das bandeiras como elemento de identidade política e institucional de Estados e diversas organizações, a exemplo dos clubes de futebol; tocou-me também o simbolismo das conquistas em que as bandeiras tremulam no território conquistado, tendo-se como exemplo inapagável da memória universal os gesto dos astronautas americanos chegando ao inóspito território de lua: lá deixaram seis bandeiras.


Ele fez melhor. Lá tem um mastro onde tremula a bandeira de Pernambuco. Com irrecusável humildade franciscana, pediu que fossem consultados alguns executivos do consórcio que não viram impedimento. Um deles, que não lembro o nome, disse que a arena tem o DNA do Náutico, inclusive, porque a grama a ser plantada será cultivada no nosso CT.


A emoção foi grande. Está lá a bandeira do mandante pioneiro, como estará nos jogos em que o Náutico for mandante. Não resisti e batizei: está criada a Timbunera que será palco de vitória na bola com a força do grito da torcida a não ser que um juiz safado use o apito criminoso para derrotar a o jogo limpo.

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Brasileiro Série A
O CAMPEÃO
postado em 12 de novembro de 2012

CLAUDEMIR GOMES


Acredito até que o amigo(a) leitor estivesse esperando um comentário sobre a derrota do Náutico para o Flamengo, nos Aflitos - 1x0 - ou o amargo empate do Sport com o Figueirense, um clube já rebaixado: 1x1. Mas o futebol brasileiro a três rodadas do final do campeonato, já conhece o seu novo campeão. O fato se impõe. O Fluminense é o novo tetracampeão.

Um título irretocável, construído com uma campanha retilínea, uniforme. Uma conquista com a assinatura de Fred, o artilheiro, que no jogo %u201Cfinal%u201D, e talvez o mais emocionante em toda a trajetória, fez a diferença, foi o ponto de desequilíbrio numa partida que ganhou contorno de dramaticidade quando o desesperado Palmeiras ensaiou uma reação, e esteve por retardar a conquista.

O quarto título brasileiro do Flu deve, por justiça, ser creditado ao técnico Abel, que com sábia modéstia, soube manter o grupo focado na meta coletiva. A contagem de pontos continua, mas a vantagem - 10 - sobre o Grêmio, segundo colocado no momento, ressalta a força dos números construídos por um time que já contabilizou 22 vitórias, 10 empates e apenas 3 derrotas; marcou 59 gols e sofreu 28, o que lhe dar um saldo de 31.

A história deste título pode ser contada através dos números, o que habitualmente acontece, porque eles são incontestáveis, como também, pela forma como o treinador montou a equipe. O posicionamento tático deu consistência ao setor defensivo, liberou a criatividade dos homens de ligação e fez com que o time tivesse várias peças decisivas no fundamento essencial para chegar à vitória que é a finalização.

Foi com esta fórmula que o Brasil voltou a cantar: "Sou tricolor do coração, sou do time tantas vezes campeão, sou do clube tantas vezes campeão...".

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