Histórico
Brasileiro Série A
Nada é tão certo e absoluto
postado em 16 de novembro de 2012

CLAUDEMIR GOMES

 

Os números nos dão o norte, e nos levam a um raciocínio lógico. Entretanto, eles não livram o futebol do imponderável. Faço esta observação porque se tornou comum às pessoas analisarem o futebol como se fosse uma ciência exata.

A maioria dos prognósticos aponta como certa a vitória do São Paulo sobre o Náutico, domingo, no Morumbi. Este é um raciocínio lógico, desde que se leve em conta à qualidade técnica do time são-paulino, e não apenas o retrospecto que mostra ampla vantagem do Tricolor nos confrontos em que atuou como mandante.

Com exceção da década de 60, em todas as outras o São Paulo formou um grupo melhor do que o do Náutico. E são muitos os fatores que contribuem para tal disparidade, sendo a diferença de receita entre os dois clubes, o principal item que provoca a distância técnica.

A superação dos alvirrubros pode levar o time de Alexandre Gallo a contrariar a lógica. A melhor qualidade credencia o São Paulo a conquista dos três pontos em jogo, mas não lhe assegura a vitória por antecipação.

Num esporte praticado com os pés, onde a lei da gravidade é desafiada a todo o momento, nada é tão certo nem absoluto. Os números devem ser respeitados sempre, mas não podemos esquecer que eles se referem a fatos que já ocorreram. O futuro é incerto.

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Futebol Brasileiro
Irracionalidade
postado em 15 de novembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, IRRACIONALIDADE


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


A competição maior do futebol brasileiro oficialmente ainda não finalizou, muito embora já tenha o seu campeão antecipado, mas a movimentação de contratações já começou, principalmente no campo de treinadores.

Certamente o nosso futebol dispõe de bons recursos, que se bem administrados dariam para que tivéssemos boas gestões nos clubes, mas infelizmente os pecados irão continuar acontecendo, principalmente no setor de salários, e na maioria relacionados aos treinadores.

Por mais importância que um técnico tenha na condução de uma equipe, dificilmente esse conquistará vitórias se não contar com um bom elenco e uma cobertura de uma infraestrutura para o seu planejamento.

Certamente apesar da crise econômica da Europa, não temos condições de pagar salários maiores e ou iguais aos que são distribuídos  aos treinadores no Velho Continente.

Tal fato é uma total insanidade, e sobretudo acima de todas as condições do mercado.

Poucos executivos brasileiros, portadores de cursos de pós-graduação, conseguem chegar perto dos valores recebidos por aqueles que comandam os times de futebol do nosso país.

Achamos que os técnicos são considerados com os Aladins, que saem de suas lâmpadas e resolvem todos os problemas, dai os valores que são disponibilizados.

Levantamos o assunto tendo em vista as propostas que estão sendo divulgadas pela mídia esportiva do sul e sudeste do nosso país, para a renovação do contrato de Vanderlei Luxemburgo no Grêmio, e a contratação de Abel Braga pelo Internacional.

O colorado gaúcho ofereceu o dobro do que Braga ganha no Flumimense, ou seja, R$ 700 mil mensais, além de premiações por conquistas.

Por sua vez, o treinador Luxemburgo em seus contatos com os novos diretores, apresentou uma proposta com números quase iguais aos pagos a José Mourinho pelo Real Madrid, sendo que esse Ãºltimo é considerado como o maior técnico do mundo.

Além de um salário estimado em R$ 1 milhão/ano, o Mourinho tupiniquim deseja uma premiação que se aproxima dos R$ 9 milhões. Seria um pouco mais de R$ 4 milhões pela conquista da Libertadores e outros R$ 5 milhões pelo Nacional de clubes.

Se compararmos as receitas do time gaúcho com as do time espanhol, representam menos de 20%, o que logicamente nos levar a crer da impossibilidade da aceitação de uma proposta desse nível.

Apenas para um efeito de comparação, se o Grêmio tiver uma receita total de R$ 130 milhões /ano, os gastos com um só profissional corresponderão a 15,4% do total.

Um analista financeiro não aprovaria tal operação, visto que está acima de todos os setores de risco, e apresenta-se como um fator que poderá demandar sérios problemas com relação à saúde financeira do clube.

O treinador de futebol no Brasil teve um incremento em seus salários, muito acima dos índices de inflação, e o mais grave é que os cartolas sucumbem, como se esse fosse resolver todos os problemas de seu time, o que deveria acontecer, pois com salários desse nível teriam a obrigação de conquistar todos os títulos disputados.

Certamente isso não acontece e o maior exemplo é Luiz Felipe Scolari, com os seus R$ 700 mil mensais, levou o Palmeiras à Segunda Divisão Nacional.

Se salários altos ganhassem jogo sem jogadores medianos e com uma folha baixa, até que valeria a pena, mas nenhum desses marajás do futebol conseguiriam fazer o Íbis campeão brasileiro.

Trata-se de uma total irracionalidade e a falta de uma visão prática de equilíbrio finaneiro.

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Artigos
A não festa
postado em 15 de novembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, A NÃO FESTA

Guilherme Costa, para o site Universidade do Futebol.

A temporada 2008/2009 do Campeonato Alemão de futebol foi extremamente equilibrada. Na penúltima rodada, os quatro primeiros colocados estavam separados por apenas três pontos. Preocupada, a federação nacional (DFB, na sigla em alemão) enviou e-mail a todos os parceiros de transmissão do torneio, em âmbito global, para detalhar as possibilidades de definição da competição. E mais importante: como se daria a festa em cada um dos desfechos.

A mensagem tinha um rigor que soava engraçado. A DFB informava, por exemplo, quantos minutos os jogadores teriam para dar a volta olímpica, o tempo de montagem do palco e o período que as emissoras poderiam usar para intervalos comerciais antes da premiação oficial.

A programação considerava ainda as peculiaridades de cada um dos estádios em que o título podia ser definido. Admito ter caçoado da mensagem quando li pela primeira vez. Admito não ter confiado na exatidão das projeções %u2013 ora, como garantir que os atletas festejariam no gramado por exatos 12 minutos, por exemplo?

O teor daquela mensagem reverberava enquanto eu via pela televisão o desfecho do Campeonato Brasileiro de futebol de 2012. Festa insossa, mambembe, sem nenhuma programação especial. O Fluminense assegurou o título com vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras em Presidente Prudente. Não havia taça, fogos ou sequer um espaço para os atletas celebrarem a campanha vitoriosa.

Pior: minutos depois do título, a TV Globo, dona dos direitos de transmissão do evento em rede aberta, cortou as imagens para São Paulo e iniciou o "Domingão do Faustão", programa cuja principal atração era uma homenagem ao atacante Neymar.

A lógica da Globo é compreensível. A festa do Fluminense diminuiria o alcance televisivo do evento, que seria basicamente resumido à torcida vencedora. Neymar, ao contrário, é referência nacional. Uma homenagem a ele, em teoria, seria interessante a qualquer amante de futebol que via a partida e não era adepto da equipe tricolor.

O problema é que essa linha de pensamento considera apenas o que é melhor para a Globo. E o campeonato, como fica? No momento mais nobre, o da definição de quem conquistou o título, as empresas que mais investiram no torneio e no time campeão tiveram pouca ou nenhuma exposição na principal praça da comunicação nacional.

Se o tempo de exposição em TV aberta é a principal justificativa que clubes, empresas e agências usam para fechar contratos de patrocínio no esporte brasileiro, a ação da Globo no domingo foi um baque financeiro enorme para o campeonato.

E por que a Globo pôde fazer isso? Porque os responsáveis pelo campeonato, que são a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes, não se preocuparam. A festa não foi programada, e a transmissão da comemoração tampouco estava entre as exigências nos contratos das equipes com a emissora.

O futebol, pela proporção que tem, reúne grandes empresas com interesses muitas vezes antagônicos. É fundamental que existam regras para que essas visões dicotômicas sejam balizadas. Se não houver, o lado menos organizado sempre será prejudicado.

A não-festa do Fluminense é a síntese da falta de preocupação com a imagem do Campeonato Brasileiro, liga que não tem sequer um logotipo oficial. Não existe planejamento de comunicação e marketing suficiente para vender algo que não é concebido como um produto.

Independentemente de ter acontecido em um estádio neutro, a partida que podia definir o campeão brasileiro merecia mais. Aliás, em termos de exposição e planejamento de comunicação, todo o torneio merecia mais. A principal competição de futebol no país do futebol precisa ser tratada com respeito. Isso é urgente.


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Seleção Brasileira
Marca histórica
postado em 14 de novembro de 2012

CLAUDEMIR GOMES


O amistoso que a Seleção Brasileira disputa hoje, com a Colômbia, em Nova Jersey, está sendo apresentado pela CBF como a milésima partida da história da Canarinha. Há controvérsia sobre os números. Se forem computados os jogos com clubes e combinados haverá um salto para um total de 1013.

Recentemente as cidades de Nova Iorque e Nova Jersey foram muito castigadas pela Tempestade Sandy, fato que acabou com o clima festivo do encontro. Por não disputar as Eliminatórias Sul-Americanas, a Seleção Brasileira necessita de amistosos. O time de Mano Meneses começa a definir um padrão de jogo, e alguns jogadores vão se afirmando como donos das suas respectivas posições.

Como jornalista acompanhei, in loco, algumas dezenas desses mil capítulos da história da Seleção. Alguns são inesquecíveis, outros são para ser esquecidos. Na cobertura de Mundiais, Eliminatórias, edições de Copa América, torneios e amistosos internacionais, convivi com craques que deram à camisa verde e amarela a dimensão que ela merecia. Também testemunhei convocações de verdadeiros pernas-de-pau.

O amistoso com a Colômbia ganha em importância pela marca: partida de número mil. E que os personagens deste capítulo se tornem, no futuro, os novos heróis desta história.

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Futebol Brasileiro
Os descamisados
postado em 14 de novembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, OS DESCAMISADOS


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Na postagem de ontem mostramos o desequilíbrio no Brasileirão, e que entre os 12 primeiros colocados na tabela de classificação, apenas uma equipe não pertencia ao grupo dos maiores do Brasil, no caso a Ponte Preta, 11ª colocada.

Sabemos que os campeonatos das diversas ligas mundiais também  apresentam as suas distorções com boas diferenças entre os primeiros e os últimos colocados, mas no Brasil o abismo vem se acentuando cada vez mais, criando vários segmentos de clubes, inclusive acabando com a falácia de que tínhamos uma competição onde 12 disputavam o título.

As diferenças na distribuição de receitas afetou ainda clubes que eram considerados grandes e que terminaram a competição com uma larga diferença de pontuação para os líderes.

Um exemplo é o Cruzeiro, 10º colocado, que está distando 30 pontos do líder, o Fluminense, e 20 pontos do 2º, o Grêmio.

Aos poucos estamos observando a espanholização do nosso futebol, ao observarmos as diferenças de pontuações dos primeiros colocados para aqueles que seguem do 6ª lugar em diante, sentimos que estamos promovendo três campeonatos. O primeiro de quem disputa o título e esse está se resumindo no máximo a três equipes. A seguir vem o grupo da Libertadores, que inicialmente começa com 9 disputantes e no final resume-se a três ou quatro.

O terceiro grupo é composto por times que entram na competição com o intuito de permanecerem nessa no próximo ano, e não trazem nenhum outro objetivo em sua programação.

A diferença do útimo colocado, o Atlético-GO, para o campeão antecipado, o Fluminense, é de 50 pontos, que é sem dúvidas uma profunda desigualdade de condições. Essa pontuação representa 16 vitórias e 2 empates que não foram conseguidos pelo lanterna.

Sabemos pela cultura egoísta e burra dos que fazem o futebol nacional, uma distribuição igualitária torna-se impossível, mas certamente a divisão racional poderia trazer o equilíbrio que faltou ao evento de 2012 e que irá continuar afunilando nos próximos anos, com a antecipação da renovação do contrato com a televisão, que foi realizado de maneira linear, com a aplicação dos mesmos índices para todos.

Tal fato aumentará o abismo, e podemos dar um exemplo sobre isso: Um clube que ganhou R$ 100 milhões/ano no contrato anterior, com um aumento de 60% passará a receber R$ 160 milhões, enquanto um outro que recebia R$ 40 milhões passará a receber R$ 64 milhões, com uma defasagem de mais ou menos R$ 100 milhões, aumentando assim o abismo financeiro.

O resultado desse buraco são duas equipes fortes disputando o título, médias, na disputa da Libertadores e a grande maioria de descamisados, cuja única festa é a comemoração por não ser rebaixado, e que certamente o será no ano seguinte.

O resultado final dessa situação retrata-se na ausência de público, pois se tivéssemos maiores emoções sem as previsibilidades atuais, certamente os estádios estariam recebendo mais consumidores, pois o sentimento de uma boa competição, com condições de luta mais ou menos emparelhada, motivaria a todos que gostam de futebol.

O mais grave é que os clubes vivem o problema, sabem dos seus destinos e permanecem omissos.

São os sofredores renitentes.

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