JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A competição maior do futebol brasileiro oficialmente ainda não finalizou, muito embora já tenha o seu campeão antecipado, mas a movimentação de contratações já começou, principalmente no campo de treinadores.
Certamente o nosso futebol dispõe de bons recursos, que se bem administrados dariam para que tivéssemos boas gestões nos clubes, mas infelizmente os pecados irão continuar acontecendo, principalmente no setor de salários, e na maioria relacionados aos treinadores.
Por mais importância que um técnico tenha na condução de uma equipe, dificilmente esse conquistará vitórias se não contar com um bom elenco e uma cobertura de uma infraestrutura para o seu planejamento.
Certamente apesar da crise econômica da Europa, não temos condições de pagar salários maiores e ou iguais aos que são distribuÃdos aos treinadores no Velho Continente.
Tal fato é uma total insanidade, e sobretudo acima de todas as condições do mercado.
Poucos executivos brasileiros, portadores de cursos de pós-graduação, conseguem chegar perto dos valores recebidos por aqueles que comandam os times de futebol do nosso paÃs.
Achamos que os técnicos são considerados com os Aladins, que saem de suas lâmpadas e resolvem todos os problemas, dai os valores que são disponibilizados.
Levantamos o assunto tendo em vista as propostas que estão sendo divulgadas pela mÃdia esportiva do sul e sudeste do nosso paÃs, para a renovação do contrato de Vanderlei Luxemburgo no Grêmio, e a contratação de Abel Braga pelo Internacional.
O colorado gaúcho ofereceu o dobro do que Braga ganha no Flumimense, ou seja, R$ 700 mil mensais, além de premiações por conquistas.
Por sua vez, o treinador Luxemburgo em seus contatos com os novos diretores, apresentou uma proposta com números quase iguais aos pagos a José Mourinho pelo Real Madrid, sendo que esse último é considerado como o maior técnico do mundo.
Além de um salário estimado em R$ 1 milhão/ano, o Mourinho tupiniquim deseja uma premiação que se aproxima dos R$ 9 milhões. Seria um pouco mais de R$ 4 milhões pela conquista da Libertadores e outros R$ 5 milhões pelo Nacional de clubes.
Se compararmos as receitas do time gaúcho com as do time espanhol, representam menos de 20%, o que logicamente nos levar a crer da impossibilidade da aceitação de uma proposta desse nÃvel.
Apenas para um efeito de comparação, se o Grêmio tiver uma receita total de R$ 130 milhões /ano, os gastos com um só profissional corresponderão a 15,4% do total.
Um analista financeiro não aprovaria tal operação, visto que está acima de todos os setores de risco, e apresenta-se como um fator que poderá demandar sérios problemas com relação à saúde financeira do clube.
O treinador de futebol no Brasil teve um incremento em seus salários, muito acima dos Ãndices de inflação, e o mais grave é que os cartolas sucumbem, como se esse fosse resolver todos os problemas de seu time, o que deveria acontecer, pois com salários desse nÃvel teriam a obrigação de conquistar todos os tÃtulos disputados.
Certamente isso não acontece e o maior exemplo é Luiz Felipe Scolari, com os seus R$ 700 mil mensais, levou o Palmeiras à Segunda Divisão Nacional.
Se salários altos ganhassem jogo sem jogadores medianos e com uma folha baixa, até que valeria a pena, mas nenhum desses marajás do futebol conseguiriam fazer o Ãbis campeão brasileiro.
Trata-se de uma total irracionalidade e a falta de uma visão prática de equilÃbrio finaneiro.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









